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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Esquadrão de Demonstração Aérea em Florianópolis!


Diz um conhecido ditado popular que "onde há fumaça, há fogo". No caso do Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira, a fumaça traz consigo um outro significado: espetáculo no céu, proporcionado por manobras que chamam a atenção pela beleza visual, arrojo e precisão, resultado de muito treinamento e dedicação de um grupo de militares, formado por pilotos e técnicos, que há 74 anos encanta o público, dentro e fora do país. Na tarde deste domingo (21/6), o privilégio coube à população de Florianópolis e região, que pôde acompanhar uma apresentação memorável. Para registrar a visita da Esquadrilha da Fumaça à capital catarinense, o site Aviação em Floripa preparou para seus leitores, uma cobertura fotojornalística especial, com muitas informações, imagens e conteúdos gráficos exclusivos. Boa leitura e Fumaça...Já!!!


Cartaz oficial da apresentação em Florianópolis. Fonte: PMF/divulgação

A história do Esquadrão de Demonstração Aérea começou no início de 1952, quando Instrutores da antiga Escola de Aeronáutica, localizada no Campo dos Afonsos (RJ), formaram uma equipe de acrobacias composta por quatro aviões de treinamento North American T-6 Texan. A primeira exibição ocorreu em 14 de maio do mesmo ano, tendo como público, apenas os Cadetes da Instituição de Ensino. Inicialmente a equipe não tinha uma denominação própria nem status oficial e por isso os pilotos treinavam as manobras acrobáticas durante suas folgas. Entretanto, a partir de 1953, através da adição de um tanque de óleo exclusivo para a produção de fumaça, facilitando a visualização das evoluções no ar, o grupo passou a ser carinhosamente conhecido como "Esquadrilha da Fumaça". No ano seguinte, um quinto T-6 foi acrescentado às demonstrações. A equipe também passou a contar com emblema próprio e os aviões ganharam uma pintura exclusiva. Com a popularização do grupo e o aumento no número das exibições aéreas, em 1963 o time foi reconhecido como Unidade Oficial de Demonstrações Acrobáticas da Força Aérea Brasileira. Em 1969, a equipe ingressou na era do jato com a chegada de sete aviões de treinamento Fouga Magister, de fabricação francesa (denominados de T-24 na FAB), pintados nas cores da Bandeira nacional, verde, amarelo e azul sobre um fundo branco. A nova aeronave no entanto, provou ser de difícil operação por exigir aeródromos com pista pavimentada e uma maior estrutura de apoio. Além disso, a pouca autonomia para as dimensões continentais do país forçou a FAB a reconsiderar a utilização da aeronave e assim, depois de apenas 46 demonstrações com o Magister, a equipe retornou ao seu antigo avião, voando com o T-6 até 1976, quando foi dissolvida.

North American T-6 Texan, a primeira aeronave utilizada pela "Esquadrilha da Fumaça". Foto: FAB/Divulgação

Alguns anos se passaram e no final da década de 70, na Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga (SP), a acrobacia com caráter demonstrativo ressurgiu, novamente de maneira extra-oficial e por iniciativa própria de Instrutores de Voo da Escola. Chamada de "Cometa Branco", a esquadrilha era composta por aeronaves T-25 Universal, que apresentavam-se com a pintura padrão daqueles aviões na FAB. A primeira exibição ocorreu em 10 de julho de 1980, durante uma Solenidade de Formatura na Academia da Força Aérea. A esta altura, um novo avião de treinamento estava sendo desenvolvido pela Embraer para a Força Aérea Brasileira e em 21 de outubro de 1982, a "Esquadrilha da Fumaça" foi reativada, agora com o nome oficial de Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) e equipada então com as novas aeronaves. Os T-25 voaram em 55 demonstrações até serem substituídos pelos T-27 Tucano em 1983. Inicialmente pintados nas cores vermelha e branca, em fevereiro de 2002, no ano do cinquentenário da equipe, os aviões ganharam um novo esquema de pintura nas cores verde, amarela e azul. Com o Tucano, aeronave de fácil operação e com excelente capacidade acrobática, o Esquadrão de Demonstração Aérea se popularizou de vez, ganhando fama dentro e fora do país. Após quase três décadas voando com o Tucano, em meados de 2012 o grupo iniciou a transição para o A-29 Super Tucano, assim como seu antecessor, projetado e fabricado pela Embraer. As cores nacionais continuaram a compor a pintura do novo avião, incluindo o desenho da própria Bandeira Nacional no estabilizador vertical. Como curiosidade, o Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira é a segunda equipe acrobática militar mais antiga no mundo, ficando atrás apenas dos Blue Angels da Marinha dos Estados Unidos, formados em abril de 1946.


O Esquadrão de Demonstração Aérea tem como missões, divulgar a imagem da Força Aérea Brasileira dentro e fora do país, demonstrar o alto grau tecnológico da indústria aeronáutica brasileira e de seus produtos, o nível de treinamento e a qualidade do piloto militar brasileiro, difundir a cultura aeronáutica, além de evocar o sentimento patriótico na população. A equipe é composta atualmente por quinze pilotos dedicados exclusivamente ao Esquadrão. São no total sete posições de voo, numeradas de 1 a 7, com as seguintes denominações: Líder (Fumaça #1), Ala Direita (Fumaça #2), Ala Esquerda (Fumaça #3), Ferrolho (Fumaça #4), Ala Esquerda Externa (Fumaça #5), Ala Direita Externa (Fumaça #6) e o solista, chamado de Isolado (Fumaça #7). Cada piloto ao ingressar na equipe assume um destes números (cada qual com funções e manobras específicas) e permanece voando na mesma posição durante todo seu período junto ao time. Para tornar-se um "Fumaceiro", como são conhecidos, os candidatos, todos voluntários, devem ser Pilotos Operacionais da Força Aérea Brasileira, ter pelo menos 1.500 horas de voo, das quais 800 horas como Instrutor de Voo. A aprovação é feita pelos próprios membros da equipe e deve ser unânime. A avaliação é criteriosa e entre os requisitos, são levados em consideração aspectos psicomotores, experiência de voo, habilidade de pilotagem e a capacidade de trabalhar em grupo e de relacionamento interpessoal. Além dos pilotos, completam o time mais cinco Oficiais de outras Especialidades, uma equipe técnica de Graduados, chamados carinhosamente de "Anjos da Guarda", responsáveis por manter em ordem os equipamentos de voo e a manutenção dos aviões, além de pessoal ligado à área administrativa. Todos, a exemplo dos pilotos, são escolhidos pelo Conselho Operacional da Unidade Aérea. Em média, cada piloto permanece por dois anos na equipe, depois desse tempo, retorna para um dos diversos Esquadrões operacionais da Força Aérea Brasileira para seguir sua carreira.



A série de apresentações da Esquadrilha da Fumaça em Santa Catarina compreendeu as cidades de São Francisco do Sul (19/6), Guaramirim (20/6), ambas situadas no norte do Estado, além de Florianópolis (21/6). Para as duas primeiras exibições, a equipe utilizou o Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville, como base operacional. Infelizmente as condições de tempo adversas sobre a região Sul do Brasil, causaram o cancelamento da demonstração aérea programada para o sábado. Contudo, no domingo pela manhã, antes de seguir rumo à capital catarinense, com o objetivo de marcar presença e compromisso com a população guaramirense, a equipe fez alguns sobrevoos sobre a cidade. Para a última etapa da turnê, a Base Aérea de Florianópolis foi o local escolhido para receber e abrigar o grupo. O deslocamento ao Sul do país contou com oito aeronaves A-29 Super Tucano, além do suporte logístico de um cargueiro C-97 Brasília, responsável pelo transporte da equipe de apoio, equipamentos e peças sobressalentes para os aviões.


Chegada da aeronave precursora. Fotos: Marcelo Lobo da Silva

Chegada da aeronave de apoio. Foto: Marcelo Lobo da Silva

Chegada do Esquadrão de Demonstração Aérea à Base Aérea de Florianópolis, procedente de Joinville. Fotos: Marcelo Lobo da Silva

A aeronave utilizada para o apoio logístico da Esquadrilha da Fumaça nesta última etapa das apresentações por Santa Catarina, foi o C-97 Brasília com a matrícula FAB 2012, pertencente ao Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo (3º ETA), também conhecido como Esquadrão "Pioneiro", com sede na Base Aérea do Galeão/RJ. Fotos: Marcelo Lobo da Silva









Ausente da capital catarinense desde outubro de 2023, a presença da Esquadrilha da Fumaça em Florianópolis integrou as comemorações pelos 85 anos da Base Aérea de Florianópolis, celebrados no dia 22 de maio. Também marcou o aniversário de 100 anos da Ponte Hercílio Luz, um dos principais símbolos e cartões postais de Santa Catarina, completados no último dia 13 de maio. O evento foi organizado pela Base Aérea de Florianópolis e contou com a parceria da Prefeitura da capital, além do apoio das forças de segurança municipal e estadual, reunindo um grande público de todas as idades para acompanhar as acrobacias aéreas. A apresentação teve como palco a Beira-Mar Continental, centrada na área próxima ao bolsão de estacionamento e às quadras de esporte, tendo como cenários de fundo a icônica ponte e as paisagens urbanas e naturais da Ilha de Santa Catarina. Além do espetáculo no céu, a programação também reservou espaço para atrações em terra firme, iniciando às 14h30 com a apresentação da Banda da Polícia Militar de Santa Catarina. Pontualmente às 16h10, as sete aeronaves iniciaram a demonstração e durante cerca de 40 minutos, encantaram a todos os presentes com diversas sequências de manobras acrobáticas, algumas delas, exclusivas da Esquadrilha. Após a exibição aérea, a Banda da 14ª Brigada Motorizada do Exército Brasileiro encerrou as atividades, com uma apresentação musical. 


Fotos: Marcelo Lobo da Silva

Fotos: Ângelo dos Santos Melo

O site Aviação em Floripa agradece ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), ao Comando e à Seção de Comunicação Social da Base Aérea de Florianópolis (SCS/BAFL) e ao Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), por todo o apoio fornecido para a realização desta matéria.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Os Emblemas das Unidades Aéreas da Força Aérea Brasileira - Parte 6

 


A Aviação Militar não é fascinante apenas pelas suas aeronaves e as missões que cumprem em tempos de paz ou de guerra, controlando, defendendo e integrando territórios e céus, através de suas mais diversas funções e tarefas, seja na Caça, Ataque, Transporte, Reconhecimento, Asas Rotativas, Patrulha Marítima, Busca e Salvamento, Treinamento, dentre tantas outras. A ideia de utilizar símbolos para representar e identificar grupos ou exércitos no campo de batalha ganhou notoriedade na Idade Média e permanece sendo utilizada até os dias atuais. Inserida nas forças militares, a Aviação não é diferente, com as cores e formas dos Emblemas das Unidades Aéreas, estampando as fuselagens das aeronaves ou os trajes de voo das tripulações. Esses Distintivos ou Escudos e os elementos impressos em cada um deles, contam muito sobre a própria história dos Esquadrões ou as tarefas e atividades que realizam. Para tratar desse assunto pouco explorado e difundido, o site Aviação em Floripa preparou um conjunto de conteúdos, trazendo aos seus leitores, esse fantástico universo. Aqui você vai encontrar um guia atualizado, mostrando as Unidades Aéreas pertencentes aos três braços aéreos das Forças Armadas brasileiras, suas aeronaves, os Emblemas e seus significados, além de muitos detalhes e informações a respeito de cada uma delas, tudo reunido em infográficos exclusivos e individuais, além de outros componentes visuais especialmente elaborados para esta matéria. Boa leitura!

Nota Editorial: Se você perdeu a introdução a esta temática, referente à Heráldica na Aviação Militar brasileira e os conteúdos anteriormente publicados ou, simplesmente quer revisitá-los, basta clicar sobre os banners abaixo:







Ensinar os princípios do voo e forjar os futuros Oficiais Aviadores da Força Aérea Brasileira; aferir e calibrar os equipamentos e procedimentos de Navegação Aérea; testar e certificar aperfeiçoamentos, novas funcionalidades e capacidades para as aeronaves da Força Aérea Brasileira e; demonstrar para o Brasil e o mundo, as habilidades do piloto militar brasileiro e a excelência dos produtos da Indústria Aeronáutica do país. Na sexta e última parte da série de conteúdos sobre as Unidades Aéreas da FAB e seus Emblemas, você vai conhecer os Esquadrões responsáveis por executarem essas atividades. Saiba, a partir de agora, quais são, onde ficam, as aeronaves que utilizam e muito mais informações. 


Diferentemente das Unidades Aéreas pertencentes às Aviações de Caça, Transporte, Asas Rotativas, Busca e Salvamento, Patrulha e Reconhecimento, todas subordinadas operacionalmente ao Comando de Preparo (COMPREP), as Unidades retratadas nesta matéria apresentam vinculações distintas e únicas, cada uma delas, atreladas de forma operacional, às Organizações Militares responsáveis pelas funções ou atividades que executam, conforme ilustra a figura abaixo.


Nos dias atuais, mesmo com o uso cada vez mais crescente de Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), realizando toda sorte de missões, inclusive ofensivas, o componente humano dentro de um cockpit ou cabine de comando, ainda é essencial. Todos os anos, as Forças Armadas ao redor do planeta, investem grandes recursos financeiros e tempo na formação de aviadores militares, considerados uma tropa de elite. Na Força Aérea Brasileira não é diferente. A formação inicial de seus pilotos acontece na Academia da Força Aérea (AFA), também conhecida como o "Ninho das Águias", localizada na cidade de Pirassununga, interior do Estado de São Paulo. São quatro anos de uma intensa rotina física e intelectual, que exige muito esforço e dedicação. Para fornecer todo o aprendizado prático aos Cadetes Aviadores (como são chamados os futuros Oficiais que irão conduzir as aeronaves da FAB), a AFA conta com dois Esquadrões dedicados à Instrução Aérea, um deles, voltado para o treinamento Primário e o outro, para o Básico.

A formação é ministrada em dois modelos de aviões, ambos de fabricação nacional. Em seu primeiro contato com uma aeronave militar, os Cadetes realizam cerca de 50 horas dentro da denominada Instrução Primária, sendo 15 horas de Simulador e 35 horas de voo, utilizando o T-25 Universal. Por sua vez, a Instrução Básica acontece no último ano de Academia, quando são completadas mais 125 horas, divididas entre 30 horas de Simulador e 95 horas de efetiva pilotagem, desta vez, a bordo do turboélice T-27 Tucano em sua versão modernizada, contando com um cockpit totalmente novo, dominado por Telas de LCD Multifuncionais, conceito chamado de Full Glass Cockpit. Durante o tempo de permanência na Academia, entre as capacidades técnicas de voo adquiridas pelos Cadetes, estão a prática de manobras de precisão, acrobacias, navegação aérea, voos de formatura e por instrumentos. Após a conclusão do Curso, agora declarados Aspirantes a Oficial Aviador, seguem para Natal/RN, onde vão se especializar em uma das três possibilidades na carreira militar: Caça, Aeronaves Multimotores ou Asas Rotativas. 

Importante dizer que os dois Esquadrões de Instrução Aérea (EIA), embora operem aeronaves, não são considerados como Organizações Militares, pois integram a estrutura de Ensino da Academia da Força Aérea. Assim sendo, não têm a obrigação de possuir de forma regulamentar, um Escudo, Descrição Heráldica ou outros requisitos encontrados nas demais Organizações Militares da Força Aérea Brasileira. Entretanto, para efeitos de motivação, pertencimento e identificação do Corpo de Cadetes com a Instrução Aérea, além da ambientação com suas futuras atividades como piloto militar, ambos os Esquadrões, assim como toda e qualquer Unidade Aérea, têm seus próprios códigos, símbolos e tradições.

Como curiosidade, justamente por não serem Organizações Militares, as bolachas dos Esquadrões de Instrução Aérea não são mais utilizadas no macacão de voo. No caso dos Cadetes, são usadas atualmente, as bolachas da Academia da Força Aérea (lado esquerdo) e da Turma (lado direito). Já para os Instrutores de Voo, independente em qual Esquadrão atuem, é utilizada no lado direito, a famosa "bolacha do Pica-Pau", marca registrada da atividade de Instrução de Voo na AFA.

Nota Editorial: Para manter a padronização desta série de matérias, optamos por apresentar os Esquadrões de Instrução Aérea na forma de infográficos individualizados, com a mesma formatação das demais Unidades Aéreas da FAB, apenas com algumas diferenças e modificações. Para cada Esquadrão, no lugar do tradicional Escudo Francês e de sua Descrição Heráldica, colocamos seu Emblema e uma breve explicação acerca da simbologia dos elementos presentes nele. Conheça então, as Unidades responsáveis pela formação dos pilotos da Força Aérea Brasileira.



Todos os dias, milhares de pessoas utilizam o avião como meio de transporte para seus compromissos pessoais ou profissionais. Na agitação da vida moderna, muitos acabam esquecendo ou não percebendo que, por trás de cada pouso ou decolagem, chegada ou partida, existe uma complexa rede, formada por Controladores de Tráfego Aéreo, radares, sistemas e equipamentos de auxílio à navegação, comunicação, iluminação, aproximação e pouso, entre tantos outros. Olhos atentos e vigilantes com o único objetivo de garantir a Segurança de Voo e dos usuários do Espaço Aéreo. Um dos elos desta corrente é o chamado Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), Unidade Aérea especializada da Força Aérea Brasileira, subordinada operacionalmente ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que tem a importante missão de aferir a eficiência desses sistemas, equipamentos e procedimentos, de modo a garantir uma operação segura a todas as aeronaves, civis e militares, em circulação no espaço aéreo brasileiro, durante todas as fases de voo, mesmo sob condições meteorológicas adversas. Graças ao trabalho realizado pelo GEIV, os usuários do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) podem executar as manobras e procedimentos de voo, descritos nas cartas aeronáuticas, com extrema precisão. Sediado nas dependências do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, suas aeronaves, verdadeiros laboratórios voadores, estão sempre atuando em algum ponto do país, fiscalizando, analisando, homologando, medindo e verificando o perfeito funcionamento de todos os sistemas e equipamentos de Navegação Aérea, responsáveis pela Segurança de Voo.


Com o surgimento da Indústria Aeronáutica no país e o desenvolvimento dos primeiros projetos de aeronaves nacionais para fins militares, em meados da década de 40, a Força Aérea Brasileira sentiu a necessidade de criar uma estrutura capaz de formar Técnicos e Engenheiros nos diversos campos relacionados com a atividade aeronáutica, a fim de certificar, avaliar, testar não apenas as aeronaves, mas todos os aspectos e parâmetros relacionados a elas. Assim nasceu o Centro Técnico Aerospacial (CTA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e mais tarde, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD), com o objetivo de ensaiar e homologar equipamentos, componentes e materiais de interesse da FAB ou por solicitação de outros órgãos do governo e da indústria, testar novos tipos de aeronaves produzidas no país, aeronaves modificadas ou alteradas, além de fornecer os certificados de tais homologações. Toda esta estrutura acabou sendo concentrada na cidade de São José dos Campos/SP.

A atividade de Ensaios em Voo está presente nas diversas fases do desenvolvimento de uma aeronave, desde o seu planejamento até sua certificação, recebimento e emprego operacional. O mesmo acontece com os projetos dos diversos componentes a bordo, como por exemplo, aviônicos, sensores e armamentos. O embrião do que seria o atual Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), surgiu no início da década de 60, com a criação de uma Unidade Aérea dedicada a esse propósito. Ao longo do tempo, a Unidade passou por diferentes denominações (Seção de Operações e Ensaios em Voo, Sub-divisão de Ensaios em Voo, Divisão de Ensaios em Voo, Grupo Especial de Ensaios em Voo) e, desde 2011, opera sob o atual nome, entretanto, a missão é a mesma, ou seja, determinar o desempenho e qualidades em voo de aeronaves, assim como os equipamentos e dispositivos embarcados, com a finalidade de garantir a segurança e o cumprimento das funcionalidades especificadas no projeto. Os profissionais que atuam junto ao IPEV (Pilotos, Engenheiros e Graduados), constituem um corpo técnico altamente capacitado e qualificado. A atividade requer o estudo e análise completa do comportamento de uma aeronave, sistemas, equipamentos ou armamentos para uma missão específica, auxiliando também na análise de risco desses projetos.

O IPEV atualmente é subordinado administrativa e operacionalmente ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aerospacial (DCTA), localizado em São José dos Campos/SP. Com relação aos meios aéreos à disposição do IPEV, a Unidade Aérea possui um conjunto diversificado de aeronaves próprias ou orgânicas (algumas delas em plena atividade ainda com outras Unidades da FAB), além de outras que permanecem sob sua responsabilidade apenas durante as campanhas de ensaios, retornando depois, para seus Esquadrões de origem. Um outro trabalho desempenhado pelos profissionais da Unidade, consiste no acompanhamento e recebimento de aeronaves destinadas à Força Aérea Brasileira.


O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) é a equipe oficial de exibição aérea da Força Aérea Brasileira. Entretanto, a Unidade Aérea é mais conhecida por outro nome, "Esquadrilha da Fumaça", apelido carinhoso que ganhou do público, ainda no início de sua história na década de 50, quando decidiram adicionar esse elemento visual em suas apresentações com o objetivo de delinear e melhorar o acompanhamento das manobras. Seus pilotos são considerados os "Embaixadores do Brasil nos céus", o cartão de visitas da FAB em eventos nacionais e internacionais. Divulgar a imagem da Força Aérea Brasileira, aproximar os meios civil e militar, despertar nos jovens a vocação pela Aviação, difundir a cultura aeronáutica e demonstrar a capacidade do piloto militar brasileiro e a excelência dos aviões fabricados em nosso país, estão entre os objetivos do EDA. A Unidade fica sediada na cidade de Pirassununga/SP, sendo subordinada administrativamente à Academia da Força Aérea (AFA) e diretamente vinculada ao Gabinete do Comandante da Aeronáutica (GABAER), em Brasília/DF.

Ao longo de sua história, o EDA voou com cinco modelos diferentes de aeronaves, T-6 Texan (1952-1976), Fouga Magister (1969-1972), T-25 Universal (1982-1983), T-27 Tucano (1983-2013) e o seu atual equipamento, o A-29 Super Tucano. A equipe é formada por doze pilotos com grande experiência, altamente capacitados e treinados. Sete deles se revezam nas posições de voo durante as apresentações, que duram em média, cerca de 40 minutos e são compostas por 55 manobras e acrobacias de alta performance. Para se tornar um "Fumaceiro", como os pilotos são conhecidos na FAB, é necessário possuir pelo menos 1.500 horas de voo, sendo 800 delas, como Instrutor de Voo. Os candidatos a uma vaga são todos voluntários, pertencentes às diversas Aviações da FAB (Caça, Transporte, Asas Rotativas, Patrulha, Busca e Salvamento e Reconhecimento) e passam por um Conselho Técnico, formado pelos próprios pilotos da Unidade, que avalia sua ficha de serviço, perfil psicológico, entre outros requisitos. Além disso, precisam ser escolhidos por unanimidade. Cada piloto permanece no EDA para um período de cerca de dois anos e depois prossegue sua carreira operacional na FAB normalmente. O curto prazo de permanência permite uma constante renovação do time. Todos os anos, de dois a três novos integrantes são incorporados à Unidade Aérea. Em seus 72 anos de atividade, a equipe soma mais de 4 mil apresentações no Brasil e em mais de duas dezenas de países mundo afora.


Com este conteúdo, encerra-se a apresentação das Unidades Aéreas da Força Aérea Brasileira. Ao longo de seis matérias, foram 41 Esquadrões retratados, conjunto que forma sua atual ordem de batalha. Os Emblemas, seus significados e Heráldica, localização, aeronaves, curiosidades e muito mais detalhes de cada Unidade Aérea da FAB (incluindo material inédito e nunca antes publicado), reunidos em um só local. Nossos leitores ou quem acessar o site, passam a ter à disposição, uma fonte única e centralizada de informações e referências sobre este tema, que podem ser pesquisadas, consultadas e revisitadas a qualquer tempo. A partir de agora, o foco se volta para a Marinha do Brasil e sua Aviação Naval. Aguardem!!


domingo, 27 de março de 2022

Fumaça...Já! A magia está no ar novamente

 


No início deste mês de março, os fãs de aviação receberam com entusiasmo a notícia do retorno da agenda de exibições do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) da Força Aérea Brasileira, popularmente conhecido como Esquadrilha da Fumaça. Sem se apresentar da forma tradicional, ou seja, com a presença de público, desde o início da pandemia, eis que a partir de agora o calendário está sendo retomado de forma gradual e definitiva. Cabe ressaltar que durante todo o período em que permaneceu longe de sua atividade-fim, o grupo seguiu rigorosamente sua rotina de treinamentos, mantendo também a prática de reciclagem anual de parte dos integrantes da equipe, o que permitiu que este retorno acontecesse naturalmente e da forma mais breve possível. O blog Aviação em Floripa acompanhou a passagem da Esquadrilha da Fumaça pela capital catarinense neste domingo. Além da demonstração na Beira-Mar Continental, estivemos presentes também no pátio da Base Aérea de Florianópolis (BAFL), durante a manhã, registrando a chegada dos aviões. São estas informações e imagens que passamos a compartilhar com nossos leitores a partir de agora.

Os primeiros locais visitados neste recomeço das atividades foram as cidades de Cabreúva (07/03), Tietê (08/03) e Capela do Alto (09/03), todas no interior paulista. A partir deste final de semana, a equipe iniciou o Circuito Sul, uma série de demonstrações envolvendo cinco cidades no sul do país. Além disso, estão programadas exibições em Santiago, no Chile, por ocasião do tradicional evento aeronáutico FIDAE (Feria Internacional del Aire y del Espacio; acompanhe as datas e os locais na imagem mais abaixo). O retorno das apresentações também deu a largada para as comemorações de 70 anos da Esquadrilha da Fumaça, marca a ser alcançada em maio deste ano, sendo a segunda equipe de demonstração mais antiga em atividade (ficando atrás apenas dos "Blue Angels" da Marinha dos Estados Unidos) e é também uma das mais respeitadas no mundo. Conhecidos como os "Embaixadores dos Céus", o grupo é um dos principais meios de comunicação e divulgação da Força Aérea Brasileira dentro e fora do Brasil. Entre seus objetivos estão a difusão do sentimento de patriotismo, despertar nos mais jovens a vocação aeronáutica, demonstrar o alto grau de treinamento e as habilidades do piloto militar brasileiro, comprovar a qualidade dos produtos da indústria aeronáutica nacional e marcar a presença da FAB em eventos por todo o país. A equipe é formada por 13 pilotos militares que voam a aeronave Embraer A-29 Super Tucano. O time conta ainda com uma equipe de técnicos e mecânicos, carinhosamente chamados de "Anjos da Guarda", além de outros militares em funções administrativas e de apoio. A Esquadrilha da Fumaça já realizou mais de 3.900 demonstrações no Brasil e em outros 21 países. Seu atual Comandante é o Tenente-Coronel Aviador Daniel Garcia Pereira.

Próximas apresentações da Esquadrilha da Fumaça. Fonte: Facebook/EDA

A Esquadrilha da Fumaça chegou à capital catarinense por volta das 11 horas da manhã de domingo, procedente de Joinville, no Norte do Estado, onde havia se apresentado no dia anterior. Antes de pousar no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, a equipe fez um sobrevoo pela região para anunciar sua presença. Após o pouso, o grupo se dirigiu ao pátio da Base Aérea de Florianópolis (BAFL) para um rápido descanso, reabastecimento das aeronaves e realizar os últimos preparativos e acertos para a demonstração no período da tarde. Na chegada ao pátio, numa iniciativa inédita e cordial, o Comando da Base permitiu o acesso do público às suas dependências, proporcionando dessa forma o registro desse momento especial e um contato mais próximo com os aviões e os integrantes da Esquadrilha. Além dos sete A-29 Super Tucano pintados com as cores nacionais, uma outra aeronave chamou também a atenção dos presentes. Dando suporte ao deslocamento pelo Sul do país, um transporte CASA C-105A Amazonas do Esquadrão Onça com sede na Ala 5 em Campo Grande/MS, trazendo peças sobressalentes e pessoal técnico a bordo.



Chegada da "precursora", aeronave que antecede a Esquadrilha da Fumaça, com a função de verificar e organizar o local para os demais aviões.




A-29A, FAB 5703 (c/n 31400007) - Fumaça #1

A-29A, FAB 5719 (c/n 31400070) - Fumaça #2

A-29A, FAB 5734 (c/n 31400114) - Fumaça #3

A-29A, FAB 5717 (c/n 31400066) - Fumaça #4

A-29A, FAB 5712 (c/n 31400053) - Fumaça #5

A-29A, FAB 5710 (c/n 31400050) - Fumaça #6

A-29A, FAB 5707 (c/n 31400044) - Fumaça #7









Interação com o público presente.

Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Tenente-Coronel Av Valle, sendo entrevistado pela imprensa local.

Pilotos da Esquadrilha da Fumaça que vieram comandando as aeronaves Super Tucano.







Apoiando o deslocamento da Esquadrilha da Fumaça pelo Sul do país, o CASA C-105A Amazonas, FAB 2806 (c/n S-039), pertencente ao 1º/15º GAv, Esquadrão Onça, com sede na Ala 5 em Campo Grande/MS.

Ausente de Florianópolis desde 2018, a apresentação de número 3.931 da Esquadrilha da Fumaça foi agendada para a Beira-Mar Continental, às 16 horas e encerrou o calendário de eventos pelo aniversário de 349 anos da cidade, comemorado oficialmente na quarta-feira passada, 23 de março. Após vários dias com céu nublado e chuva, o final de semana na capital catarinense foi marcado por tempo bom e a bela tarde de Sol, além de contribuir com o espetáculo, atraiu muitas famílias ao local para um programa de domingo diferente. Segundo estimativas da Prefeitura e dos órgãos de segurança, cerca de trinta mil pessoas prestigiaram a demonstração aérea que durou cerca de 35 minutos e apresentou um conjunto diversificado de acrobacias de alta performance, encantando crianças e adultos com a beleza e a precisão das manobras. 

A apresentação da Esquadrilha da Fumaça fechou com chave de ouro as comemorações pelos 349 anos de Florianópolis.

Na orla...,

...no mar,

...ou nas sacadas dos prédios, todos os espaços foram disputados para assistir a demonstração da Fumaça.





















Atualização - 29/03


Ontem no período da tarde, a Esquadrilha da Fumaça encerrou a sua agenda de apresentações em Santa Catarina na cidade de Tubarão, localizada no Sul do Estado. A demonstração na "Cidade Azul" como o município também é conhecido, ocorreu às 15 horas. A população de Tubarão e região teve que aguardar dois anos pela inédita visita da Fumaça, uma vez que esta exibição estava programada para 2020 quando a cidade completou 150 anos, mas devido à pandemia, só pôde ser realizada agora, entretanto, a espera valeu a pena, pois quem esteve presente na Praça Memorial Anita Garibaldi, local do espetáculo, foi brindado com mais uma belíssima apresentação da equipe, emoldurada por um "Céu de Brigadeiro". Entre estes expectadores, estava nosso amigo e colaborador Giulliano Frassetto, que nos enviou alguns registros, os quais compartilho abaixo com nossos leitores.














Na manhã desta terça-feira, o grupo partiu da Base Aérea de Florianópolis rumo ao Rio Grande do Sul, onde completará o Circuito Sul, com duas apresentações, em Porto Alegre, no dia de hoje e em Charqueadas, amanhã. Nos próximos dois dias, o lar da Esquadrilha da Fumaça será a Ala 3, Unidade Aérea da FAB localizada na cidade de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre. Na quinta, o grupo deve seguir viagem para o Chile, onde participará do maior evento aerospacial da América Latina, chamado de FIDAE. Em Canoas também deverá acontecer a troca da aeronave de apoio, com o C-105A Amazonas dando lugar ao KC-390, o maior avião militar fabricado no Brasil e um dos orgulhos da indústria aeronáutica nacional. Projetado e construído pela Embraer, além de transportar os equipamentos e integrantes da Esquadrilha da Fumaça, o cargueiro também ficará em exposição durante a Feira.



Agradecimentos


O blog Aviação em Floripa agradece ao Esquadrão de Demonstração Aérea, ao Comando da Base Aérea de Florianópolis e a sua Seção de Comunicação Social, pelas informações e apoio prestado para a realização desta matéria.