No próximo mês de setembro, o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (Esqd.HU-2), Unidade Aérea integrante da Aviação Naval da Marinha do Brasil, estará completando 40 anos de criação. Ao longo dessas quatro décadas, o Esquadrão Pegasus, como também é conhecido, percorreu uma trajetória pautada por desafios e conquistas, forjada com muito trabalho e dedicação de todos que fizeram e fazem parte da Unidade, construindo um legado inequívoco de eficiência, profissionalismo e operacionalidade em prol do Poder Naval. Para celebrar esta importante marca, o site Aviação em Floripa presta um tributo ao Esquadrão HU-2 através deste conteúdo exclusivo, no qual nossos leitores são convidados a conhecerem sua história, as aeronaves, as missões, os fatos importantes e muito mais, através de fotos inéditas, tabelas e artes especialmente elaboradas para esta matéria. Embarque conosco nessa jornada, escolha seu assento e tenha uma boa leitura!

O renascimento da Aviação Naval em 1952, através da recriação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), estabeleceu as bases para a retomada das operações aeronavais, algo perdido desde 1941 com o advento do Ministério da Aeronáutica, organismo que passou a concentrar todo o pessoal, meios aéreos, estrutura e equipamentos até então a serviço das Armas Aéreas da Marinha e do Exército. Nessa nova fase, a partir do início da década de 60, a atividade aeronaval começou a se consolidar novamente com o surgimento das primeiras Unidades Aéreas, organizadas na seguinte ordem cronológica: 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (Esqd.HU-1, 1961), 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (Esqd.HI-1, 1962), 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (Esqd.HS-1, 1965) e, mais adiante, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (Esqd.HA-1, 1978). Embora este conjunto de Unidades contemplasse naquele momento, uma boa parte das necessidades da Marinha no tocante ao emprego de meios aéreos em suporte às operações da Esquadra, com o passar do tempo ficou evidente a falta de um vetor com maior capacidade para o transporte de carga e que pudesse também suprir as demandas do Corpo de Fuzileiros Navais em tempo integral, proporcionando aeromobilidade para seus combatentes. Importante destacar que nessa época, o apoio à tropa existia, porém, era realizado por helicópteros menores e inadequados para a tarefa. A incorporação do Sikorsky SH-3 Sea King a partir de 1970, embora fosse uma aeronave de maior porte e com mais autonomia de voo, também não resolveu o problema de forma definitiva, pois eram necessárias diversas adaptações, além de acarretar prejuízos à operacionalidade do Esquadrão HS-1 em sua atividade-fim que era a Guerra Antissubmarino.
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A incorporação do SH-3 Sea King representou um incremento na atividade de apoio ao Corpo de Fuzileiros Navais, entretanto não se constituiu em uma solução definitiva pois sua missão primária era a Guerra Antissubmarino. Foto: Rob Schleiffert
O Alto-Comando da Marinha e os órgãos responsáveis pela Aviação Naval estavam atentos a essa situação e não tardou para que uma solução fosse apresentada. Dessa forma, em 1984 foi lançada uma concorrência internacional para a escolha de um helicóptero de médio porte, bimotor e dedicado às tarefas de transporte de tropa e carga, contemplando a compra de seis a dez unidades. Diversos modelos oriundos dos Estados Unidos e Europa foram avaliados de acordo com critérios como desempenho, capacidade operacional e custo de aquisição. Após rigorosa análise, a proposta que melhor se adequou foi a da Société Nationale Industrielle Aérospatiale com seu helicóptero AS-332 Super Puma saindo vencedor na disputa. Cabe destacar que a Marinha já operava desde fins da década de 70 com os helicópteros HB-350B/BA Esquilo (designados como UH-12), outro produto da companhia francesa, fabricados sob licença no Brasil pela Helibras em sua planta industrial localizada na cidade de Itajubá/MG. Além dos parâmetros técnicos, a parceria já existente com a Aérospatiale e os resultados operacionais positivos com o Esquilo, contaram valiosos pontos para a escolha do Super Puma como o mais novo integrante da Aviação Naval. Outro aspecto crucial foi a inclusão na proposta feita pelos franceses, de um lote de helicópteros AS-355F2 Twin Écurreil, o que atendia a uma outra necessidade da Marinha do Brasil, que buscava nessa época uma aeronave de Emprego Geral de menor porte e bimotora para operar a bordo de seus navios em apoio ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), substituindo os UH-2 Wasp nessa função. O contrato foi assinado em março de 1985 e contemplou a compra de seis AS-332 Super Puma, que receberam a designação de UH-14 e as matrículas N-7070 a N-7075, além de onze AS-355F2 Twin Écurreil, classificados como UH-13 e registrados com os numerais N-7059 a N-7069.

UH-14 Super Puma. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Com relação ao Super Puma, foi selecionada a variante "navalizada", chamada pelo fabricante de AS-332F1, desenvolvida a partir do AS-332F (do francês, Frégate), modelo dedicado ao combate contra navios de superfície e submarinos. Uma das principais características dessa versão era a capacidade de recolhimento das pás do rotor principal para trás, algo essencial em operações embarcadas. No caso da Marinha do Brasil foi necessária ainda a adição de uma nova funcionalidade à aeronave, o rebatimento do cone de cauda para a lateral, em função das dimensões reduzidas dos elevadores de carga do Navio Aeródromo Ligeiro (NAeL) A-11 "Minas Gerais", possibilitando que fosse armazenada no convés inferior da embarcação. O helicóptero também incorporava à época o que havia de mais moderno em termos de sistemas de comunicação, navegação, sensores e equipamentos de missão. Em relação ao que se dispunha até aquele momento para a tarefa de Emprego Geral, ele podia transportar mais, voando mais rápido e mais longe, contando ainda com a segurança proporcionada por seus dois motores. A chegada do Super Puma representou um enorme salto qualitativo e operacional para a Aviação Naval, que passava então a contar com um vetor no "estado da arte" para cumprir com eficiência não apenas a tarefa de apoiar o Corpo de Fuzileiros Navais, mas também realizar missões de Esclarecimento Marítimo e Busca e Salvamento a longas distâncias sobre o mar.

O advento do UH-14 Super Puma representou um grande reforço nas operações do Corpo de Fuzileiros Navais. Fotos: MB/Divulgação/Acervo do Esquadrão HU-2
Em 18 de setembro de 1986, o Decreto Presidencial nº 93.274 criou oficialmente o Segundo Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, estabelecendo a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, localizada no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, como sua sede. Iniciava-se o desafio de implantação da nova Unidade Aérea, incluindo a seleção do efetivo administrativo, a conclusão do treinamento de Praças e Oficiais na França na manutenção, operação e pilotagem do Super Puma, o acompanhamento e fiscalização na fabricação das aeronaves e de toda a documentação técnica, a construção do prédio que iria abrigar o hangar, oficinas e demais setores do Esquadrão, entre outras providências. Finalmente, o dia 15 de abril de 1987 marcou a chegada do primeiro UH-14, com a matrícula N-7071, trazido a bordo de um Lockheed L-100 Hércules pertencente à empresa sul-africana Safair. Na semana seguinte mais dois helicópteros, com os indicativos N-7070 e N-7072, foram recebidos. Todas as aeronaves vieram semi-desmontadas e rapidamente foram preparadas para o primeiro voo e logo em seguida integradas ao Núcleo do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (NuEsqd.HU-2), criado em 25 de março de 1987 com a finalidade de receber, montar, testar e implantar o novo vetor. A entrega dos últimos três exemplares em fevereiro de 1988 culminou com a ativação da Unidade Aérea que, a partir daquele momento, com a dotação completa de aeronaves, estava apta a cumprir de forma integral a sua missão orgânica, ou seja, aprestar os meios subordinados no cumprimento das tarefas que lhe são inerentes no âmbito das Operações Navais a fim de contribuir para o preparo e aplicação do Poder Naval.

O AS-332F1 Super Puma com a matrícula N-7070, em testes nos Alpes franceses, antes de ser entregue à Marinha. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
O N-7070 após o recebimento, em processo de montagem na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Construção do hangar. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Os primeiros anos de operação do Esquadrão HU-2 foram de intensa atividade e de muito aprendizado, pautados pelo contínuo conhecimento das características e desempenho do UH-14 Super Puma no dia-a-dia da Unidade Aérea, com o objetivo de extrair todo o seu potencial de utilização. Paralelo a isso, a formação e qualificação de tripulantes, além do estabelecimento de doutrinas de emprego seguiram a pleno, subsidiadas pela realização de treinamentos próprios e na participação em exercícios de maior envergadura com a Esquadra ou com o Corpo de Fuzileiros Navais. Nunca antes o binômio helicóptero e mobilidade havia representado tanto para a tropa. Nessa função, o Super Puma tinha capacidade para transportar até dezesseis soldados com seus equipamentos completos de combate. Para operações com unidades de elite, como o Batalhão Tonelero ou o Grupamento de Mergulhadores de Combate, a aeronave podia realizar com eficiência e segurança diversas técnicas de infiltração e exfiltração como "Fast Rope", rapel, penca, além de lançamento de paraquedistas, tanto de dia quanto à noite. Graças à versatilidade da máquina, com o passar do tempo o Esquadrão foi diversificando e ampliando o seu leque de atividades, incluindo as tarefas de Busca e Salvamento (SAR), Evacuação Aeromédica (EVAM), Esclarecimento Marítimo, combate a incêndios florestais e guarda de aeronaves durante operações aéreas noturnas no Navio Aeródromo Ligeiro A-11 "Minas Gerais" e posteriormente no Navio Aeródromo A-12 "São Paulo", missão conhecida pela denominação de "Paulo". Nessa fase inicial de serviço houve o registro de um acidente grave, coincidentemente no dia em que a Unidade Aérea completava quatro anos de criação, 18 de setembro de 1990. Na ocasião, foi perdido o UH-14 com a matrícula N-7072 que caiu no mar durante um comissionamento a bordo do "Minas Gerais". Dos quatro tripulantes a bordo, dois pereceram na ocorrência.
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UH-14 Super Puma visto no convés de voo do A-11 "Minas Gerais. Foto: Rob Schleiffert
Em abril de 1992, com o objetivo de repor a perda do N-7072 e incrementar a capacidade do Esquadrão, a Marinha adquiriu mais dois exemplares novos de fábrica do Super Puma. Em virtude da fusão da Aérospatiale com a empresa alemã Messerschmitt-Bölkow-Blohm (MBB), ocorrida nessa época (originando a Eurocopter), esses aparelhos vieram com uma nova denominação, AS-532M1 Cougar, recebendo as matrículas N-7076 e N-7077, porém, mantiveram a designação UH-14 por serem bastante similares aos AS-332F1 já utilizados pela Unidade Aérea. Esses helicópteros vieram da França a bordo de cargueiros C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira diretamente para o Parque de Material Aeronáutico do Galeão, no Rio de Janeiro, onde foram montados por técnicos da Helibras e depois seguiram em voo até São Pedro da Aldeia. Desde que foi criado, o Esquadrão HU-2 participou ativamente de todos os grandes exercícios anuais da Marinha do Brasil, atuou em situações de calamidade pública em diversos pontos do país, em eventos internacionais organizados pelo Brasil, como a Rio-92, Copa do Mundo de Futebol em 2014 e Olimpíadas do Rio em 2016, além de apoiar a visita de autoridades e Chefes de Estado ao nosso país, entre elas, a do Papa João Paulo II, em 1991 e do Príncipe Charles, em 2002. Desde que foi criada, a Unidade Aérea também é frequentemente requisitada para prestar suporte aos deslocamentos da Presidência da República em apoio ao Grupo de Transporte Especial da FAB. O currículo histórico e o cotidiano de atividades do Esquadrão, como observado, é vasto e ilustra bem o grau de prontidão e treinamento que suas tripulações precisam ter.

Em outubro de 1991, o Esquadrão HU-2 apoiou a visita do Papa João Paulo II à cidade de Salvador/BA. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Em 2011 o Esquadrão HU-2 completou 25 anos de criação e de relevantes serviços prestados ao país. Nesse mesmo ano, alcançou um marco operacional importante através da incorporação de metralhadoras MAG de 7,62 mm como armamento orgânico para o Super Puma, fornecendo autoproteção à aeronave e apoio de fogo e cobertura à tropa durante operações de embarque e desembarque. Embora o UH-14 seguisse sendo uma ferramenta bastante utilizada pela Aviação Naval, com o passar do tempo diversos fatores começaram a apontar para a aquisição de um substituto. Entre os motivos estava a crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição, impactando diretamente na disponibilidade das aeronaves na linha de voo e no aumento dos custos de operação, além da natural obsolescência de seus sistemas eletrônicos e aviônicos frente ao contínuo avanço da tecnologia militar e da guerra moderna. A solução veio através do Programa H-XBR, instituído pelo Ministério da Defesa em 2008 e que previa a aquisição de um modelo único de helicóptero multimissão de médio porte para atender às necessidades das três Forças. Entre os tipos avaliados, estiveram o ítalo-britânico EH-101 Merlin, o russo Mi-17 Hip e o francês EC-725 Caracal, um desenvolvimento direto do AS-332 Super Puma já operado pela Marinha do Brasil e pela Força Aérea Brasileira, porém, mais moderno, com motores mais potentes, aviônica de última geração e maior capacidade de carga.

Eurocopter EC-725, o helicóptero selecionado para o Programa H-XBR. Foto: Eurocopter
O resultado final da análise técnica apontou para a aquisição do EC-725 Caracal. Entre as razões para sua escolha estavam a utilização prévia de seu antecessor, as boas relações comerciais e políticas com a França e a capacidade industrial já instalada em solo brasileiro para a montagem das aeronaves, por meio da Helibras, subsidiária da empresa francesa e parceira de longa data das Forças Armadas no fornecimento de helicópteros. O acordo contemplou a aquisição de cinquenta aeronaves, divididas entre a Força Aérea Brasileira (18), Exército Brasileiro (16) e Marinha do Brasil (16). No acordo estabelecido entre as partes também ficou decidido que as primeiras unidades seriam fabricadas pela Eurocopter em sua planta industrial em Marignane, na França e o restante dos exemplares sairia das instalações da Helibras, em Itajubá/MG. No âmbito da Marinha, ficou definido o Esquadrão HU-2 como o operador dos novos vetores, designados como UH-15 Super Cougar, uma vez que a Unidade Aérea já empregava o AS-332 Super Puma, uma escolha natural, haja vista que detinha todo o conhecimento e experiência na utilização da máquina. Dentre as dezesseis aeronaves destinadas à Aviação Naval, o planejamento inicial previu uma variante básica e outra operacional, denominadas de EC-725 BR-B e EC-725 BR-M (de Marinha), cada qual com oito exemplares, com as seguintes séries de matrículas: N-7101 a N-7108 e N-7109 a 7116, respectivamente. O primeiro grupo de helicópteros seria empregado nas funções de Transporte e Emprego Geral e o segundo lote responderia por missões mais especializadas como Busca e Salvamento, Esclarecimento Marítimo e Guerra Antissuperfície.

O Marinha N-7101 em voo de teste na França. Foto: MB/Divulgação
Cerimônia de entrega do primeiro UH-15 Super Cougar, com a matrícula N-7101, ao setor operacional da Marinha, em 11 de abril de 2011. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Com a chegada dos novos helicópteros, a ideia era que os sete UH-14 Super Puma fossem incorporados a uma nova Unidade Aérea a ser criada, subordinada ao 9º Distrito Naval, em Manaus/AM, entretanto, o alto custo envolvendo a modernização dessas células inviabilizou o projeto. Os três primeiros EC-725, um de cada Força, com as matrículas FAB 8510 (Força Aérea), EB-5001 (Exército) e N-7101 (Marinha) foram apresentados em 20 de dezembro de 2010 pelo consórcio Helibrás/Eurocopter em solenidade realizada na Base Aérea de Brasília. Em 11 de abril do ano seguinte, este primeiro exemplar destinado à Marinha foi oficialmente recebido pelo Comando de Operações Navais (ComOpNav) e uma semana depois, entregue ao Esquadrão, marcando a entrada em serviço do Super Cougar e ao mesmo tempo, dando início ao processo de transição que culminou em 2018 com a retirada de operação do último UH-14 Super Puma, encerrando um importante capítulo na história da Unidade Aérea. Com relação à variante operacional, mais adiante a Marinha optou pela divisão dos oito helicópteros em dois sub-tipos, atendendo às missões de Busca e Salvamento de um lado e às tarefas de Esclarecimento Marítimo e Guerra Antissuperfície de outro. Essa decisão impactou também em novas designações e matrículas. No fim, os helicópteros ficaram classificados da seguinte forma: UH-15 (Transporte e Emprego Geral e matriculados de N-7101 a N-7108); UH-15A (Busca e Salvamento, com os indicativos N-7201 a N-7203) e; AH-15B (Esclarecimento Marítimo e Guerra Antissuperfície, com os numerais N-4101 a N-4105). Cabe destacar que o AH-15B se constituiu na variante mais complexa entre todas, dotado de aviônicos, sensores e equipamentos de missão diferenciados, além de ser capaz de empregar os mísseis ar-superfície MBDA AM-39 B2/M2 Exocet, tornando-o o helicóptero mais sofisticado em uso na América Latina.

UH-15 Super Cougar em sua versão básica, para missões de Transporte e Emprego Geral. Foto: MB/Divulgação
UH-15A Super Cougar, modelo dedicado à missão de Busca e Salvamento. Foto: Marcelo Lobo da Silva
AH-15B Super Cougar, a variante mais complexa e sofisticada do Programa H-XBR, capaz de transportar o míssil ar-superfície AM-39 Exocet, visto na imagem. Foto: MB/Divulgação
Após a retirada do serviço ativo, dois dos sete helicópteros UH-14 Super Puma ganharam a digna tarefa de eternizar o emprego do modelo pela Marinha e o legado de operação com o Esquadrão HU-2. Os locais escolhidos para abrigá-los também representavam uma forte ligação, relevância e identidade com a própria Aviação Naval, como veremos a seguir. O primeiro a ser preservado foi o N-7073, incorporado ao Museu da Aviação Naval, único do gênero no Brasil. Instalado nas dependências da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, o local guarda as tradições e a história do componente aéreo da Marinha desde a sua criação, em 23 de agosto de 1916. O helicóptero chegou em 2019, logo após sair de operação e encontra-se desde então na área externa do museu juntamente com outras aeronaves que integraram a Aviação Naval brasileira em diferentes épocas. Em setembro de 2024 foi a vez do município de Itajubá, em Minas Gerais receber o N-7070. A cidade é conhecida como a "Capital Nacional da Produção de Helicópteros" por conta da Helibras, empresa que tem um longo histórico de cooperação e parceria com a Marinha do Brasil. O helicóptero se transformou em um ponto turístico e de atração para moradores e visitantes e está em exposição na Praça Dr. Pereira dos Santos, também chamada de "Praça do Soldado".

UH-14 com o indicativo N-7070, preservado em Itajubá/MG. Fotos: Fábio S. L. Bittencourt
UH-14 com a matrícula N-7073 em exposição no Museu da Aviação Naval em São Pedro da Aldeia, desde 2019. Foto: Marcelo Lobo da Silva
Com a incorporação do novo vetor, mais moderno e capaz, com motores mais potentes, painel de instrumentos digital e compatível com o emprego de Óculos de Visão Noturna (NVG), maior capacidade de carga, sistemas de comunicação e de navegação de última geração, além de contar com mais unidades à disposição, o Esquadrão HU-2 ampliou suas capacidades de emprego. Todas as variantes em uso na Marinha estão equipadas com pás do rotor principal que podem ser dobradas para trás, economizando espaço a bordo dos navios. Quando em operação com o Navio Aeródromo Multipropósito "Atlântico", a funcionalidade permite também o recolhimento da aeronave para o hangar de manutenção, localizado no convés inferior. Flutuadores infláveis podem ser instalados na parte frontal e nas laterais da fuselagem para operações sobre o mar. Outro ponto forte é a autoproteção. Os helicópteros contam com lançadores de chaffs e flares (para embaralhar sinais de radar e despistar mísseis guiados por calor), além de equipamentos que alertam os pilotos sobre emissões de laser, radar ou do lançamento de mísseis contra a aeronave. Outro equipamento comum é o sensor de visão frontal infravermelho AN/AAQ-22 Star Safire III, dispositivo que possibilita a visualização e identificação de objetos à longas distâncias, inclusive à noite, produzindo imagens térmicas de alta definição, ferramenta valiosa em missões de Busca e Salvamento em qualquer tempo. A tripulação padrão é composta por dois pilotos, mecânico e o fiel, militar responsável por deixar a aeronave pronta para o voo, com todos os equipamentos necessários para a missão. Como armamento orgânico, os modelos UH-15 e o UH-15A podem ser equipados nas janelas laterais com duas metralhadoras FN MAG calibre 7,62 mm, fornecendo apoio de fogo e cobertura durante o embarque ou desembarque de tropa e em missões de resgate em combate.

Lançamento de flares para despistar mísseis guiados por calor. Foto: MB/Divulgação
Fotos: Marcelo Lobo da Silva, exceto quando indicado.

Para o transporte ou apoio à Força de Fuzileiros, o UH-15 Super Cougar em sua versão básica, pode ser configurado para até 27 passageiros ou 20 soldados totalmente equipados. O helicóptero dispõe de guincho lateral elétrico e hidráulico projetados para içamentos até 249 e 272 quilos, respectivamente, além de gancho localizado na parte inferior para o transporte de cargas externas de até 3,8 toneladas. Em tarefas de Evacuação Aeromédica, 12 macas podem ser rapidamente instaladas, contando ainda com a presença de um atendente. Para as missões de Busca e Salvamento, existe o UH-15A, variante especializada nesse tipo de atividade. O modelo é equipado com supressores de calor instalados nas saídas dos exaustores dos motores, diminuindo a assinatura térmica da aeronave. Além disso possui na lateral direita, um potente farol de busca. A grande autonomia proporciona mais tempo no ar e maior área de cobertura. O advento do AH-15B forneceu ao Esquadrão HU-2 a capacidade inédita para executar missões de guerra antissuperfície (ASuW, do inglês Anti-Surface Warfare). Nessa função o helicóptero atua como um vetor de ataque, um genuíno "ship killer", representando uma ameaça real para navios de superfície, tanto a partir de bases terrestres quanto operando de plataformas flutuantes. A principal característica externa dessa variante que a diferencia das demais é a grande protuberância localizada na parte inferior. Ela abriga o radar de busca AN/APS-143C(V)3 OceanEye que opera em conjunto com o Sistema de Gerenciamento de Dados Táticos de Missão (N-TDMS) instalado a bordo da aeronave. Completando as especificidades do modelo, está a capacidade de empregar dois mísseis ar-superfície MBDA AM-39 Exocet Block 2 Mod 2, com alcance superior a 70 km. Das três variantes em serviço com a Unidade Aérea, o AH-15B é a mais sofisticada e completa, podendo também ser empregado nas tarefas Busca e Salvamento e Transporte de Tropa, porém, de forma mais limitada, por causa do espaço ocupado pelo console tático. O Super Cougar aumentou significativamente a capacidade de dissuasão e o poder de fogo da Esquadra, ampliando em muito o alcance e a atuação ofensiva dos seus meios de superfície. Entre os navios da Marinha que atualmente apresentam convés de voo com capacidade para receber e operar com estes helicópteros, estão o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) A-140 "Atlântico", o Navio Doca Multipropósito (NDM) G-40 "Bahia" e o Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) G-25 "Almirante Sabóia. Futuramente, o Navio Doca Multipropósito (NDM) G-350 "Oiapoque", recentemente adquirido do Reino Unido, também será compatível com o emprego do helicóptero a bordo.

Em 8 de agosto de 2023, uma página triste na história do Esquadrão HU-2. A aeronave com a matrícula N-7106 (o primeiro EC-725/H-225M totalmente produzido no Brasil), acidentou-se durante a Operação Formosa, em Goiás, um dos maiores e mais importantes exercícios anuais da Marinha. O fato aconteceu durante um procedimento de desembarque de tropa utilizando a técnica conhecida como Fast Rope (descida rápida por corda), vitimando dois combatentes dos Fuzileiros Navais. Em dezembro do ano passado, a Marinha do Brasil recebeu o décimo quinto e último Super Cougar de seu inventário, o AH-15B com a matrícula N-4104. Cabe destacar que um desses vetores (com o indicativo N-4105, planejado como o décimo sexto helicóptero destinado à Marinha dentro do Programa H-X BR), foi trocado por um lote de quinze H-125 Esquilo, em atendimento ao Programa TH-X, que visa a modernização dos meios aéreos de Instrução da Aviação Naval. Atualmente o Esquadrão Pegasus atua com toda a sua frota de aeronaves à disposição, composta por quatro UH-15, três UH-15A e quatro AH-15B (veja quadro mais abaixo). Além do Esquadrão HU-2, uma outra Unidade da Aviação Naval utiliza o Super Cougar, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte (Esqd.HU-41), sediado em Belém/PA, atuando com os três UH-15 restantes.

Fotos: MB/Divulgação
Em 5 de janeiro de 2023, o Esquadrão Pegasus protagonizou um histórico voo de Esquadrilha com todos os seus helicópteros recebidos até aquele momento, demonstrando o alto grau de disponibilidade do Super Cougar, resultado direto do empenho e profissionalismo do corpo técnico que integra a Unidade Aérea. A tarefa de manter o pronto emprego e os helicópteros capazes de cumprir suas missões com rapidez e eficiência é dividida diariamente com os militares do Grupo Aéreo Naval de Manutenção (GAerNavMan), também sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, cuja missão principal é supervisionar e executar a manutenção dos meios aeronavais da Marinha do Brasil. Destaca-se que serviços mais corriqueiros são feitos dentro da própria Unidade Aérea. Por sua vez, trabalhos mais complexos, que exigem inspeções mais detalhadas, além das manutenções programadas de maior vulto (chamadas de 2º ou 3º escalão), são realizados por aquela organização especializada. Nestes 40 anos de atividade, o Esquadrão HU-2 atingiu marcas impressionantes a serviço do país e em apoio à Esquadra. São quase 60 mil horas de voo, das quais 2.600 delas, operando embarcado, 196 comissões e cerca de 160 resgates realizados. Muito além da frieza dos dados estatísticos, estes números expressam a importância do Esquadrão e a dedicação de seus integrantes. Como reconhecimento, a Unidade Aérea foi agraciada em 2016 com a Ordem do Mérito Aeronáutico, distinção criada para premiar os militares da Aeronáutica Brasileira que tenham prestado notáveis contribuições ao país ou se destacado no exercício de sua profissão, assim como para atestar assinalados serviços prestados à Aeronáutica por personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras e, ainda, por Organizações Militares e Instituições Civis, nacionais ou estrangeiras.



Desde que o Esquadrão HU-2 foi criado, sempre operou com helicópteros de procedência francesa, uma parceria que já dura quatro décadas, iniciada com a aquisição de seis AS-332F1 Super Puma, projetados e fabricados pela Aérospatiale. Sua origem entretanto, é bem mais antiga e derivada de uma outra máquina, como veremos a seguir. Em meados da década de 60, a França buscava dotar a Aviação Ligeira do Exército (ALAT), com equipamentos de fabricação nacional, até então dominada por aeronaves estadunidenses, muitas das quais, já obsoletas e defasadas. Nesse contexto, foram estabelecidas as diretrizes para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte, bimotor, destinado ao transporte tático e de cargas e capaz de operar em qualquer condição de tempo, tanto de dia quanto à noite. O resultado dessa demanda foi o Sud-Aviation Alouette IV que, após diversas modificações no projeto, passou a chamar-se SA-330 Puma. O protótipo com a matrícula F-ZWWN (c/n 01) fez seu voo inaugural em 15 de abril de 1965, seguido por mais seis exemplares de pré-produção. Após uma longa campanha de ensaios e aperfeiçoamentos, as primeiras unidades foram entregues ao Exército francês em maio de 1969. Entre as principais características estavam a elevada capacidade de carga, a robustez e o desempenho em diferentes condições de operação. O Puma foi concebido para ser capaz de atingir altas velocidades, grande manobrabilidade e desempenho superior em condições de calor e altitude. Os motores Turbomeca Turmo foram projetados para fornecer uma grande reserva de potência, permitindo que o helicóptero voasse em segurança com carga máxima, mesmo com apenas um motor em funcionamento. A cabine de pilotagem apresentava controles duplos para piloto e copiloto, além de um terceiro assento para um tripulante reserva ou comandante de missão. A aeronave também trouxe uma série de inovações, incluindo as pás do rotor principal feitas com materiais compostos, a incorporação de um sistema de piloto automático eletro-hidráulico capaz de estabilização corretiva nos eixos horizontal (rolamento) e vertical (arfagem). O equipamento permitia ainda que o operador do gancho de carga realizasse ajustes finos na posição do helicóptero diretamente de sua estação de trabalho. Em função da qualidade do projeto e desempenho, o SA-330 Puma tornou-se um grande sucesso de vendas, sendo operado por mais de trinta países e montado sob licença por África do Sul, Romênia, Indonésia e Reino Unido. Ainda hoje é utilizado por algumas nações. No Brasil, a Força Aérea Brasileira utilizou entre os anos de 1981 e 1986, uma frota de seis SA-330 da variante "Lima", aqui designados como CH-33 e operados exclusivamente pelo Terceiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (3º/8º GAv), sediado à época, na Base Aérea dos Afonsos/RJ.

Em 15 de abril de 1965, o protótipo do Sud-Aviation SA-330 Puma, com a matrícula F-ZWWN (c/n 01), fez seu voo inaugural. Fotos: Airbus Helicopters via www.facebook.com/AirbusHelicopters/ e Aéropatiale via www.helis.com/database/model/SA330-Puma/
SA-330L Puma da FAB, designado como CH-33. Foto: A. Camazano A.
O sucesso do SA-330 Puma motivou em meados dos anos 70, o desenvolvimento de um novo helicóptero com as mesmas características, ou seja, de porte médio, bimotor e destinado ao transporte tático e de cargas, porém, incorporando as tecnologias mais recentes e as experiências e aprendizados operacionais com o Puma ao longo dos anos com seus diversos usuários. O projeto ficou a cargo da Aérospatiale, empresa surgida em 1970 da fusão entre a Sud-Aviation e a Nord Aviation e embora à primeira vista parecesse uma simples evolução do SA-330, na verdade trata-se de uma aeronave completamente diferente, com fuselagem redesenhada, maiores dimensões, mais capacidade de carga, motores mais potentes, desempenho melhorado e modernos aviônicos. O conceito e uma maquete em escala do modelo foram apresentados no Paris Air Show de 1975 e mais adiante, em 5 de setembro de 1977, o protótipo de pré-produção com a matrícula F-WZAT e denominado de SA-331 fez seu voo inaugural, seguido pela campanha de ensaios e certificações que levaram ao advento da versão de produção, designada agora oficialmente como AS-332 Super Puma e que entrou em serviço com o Exército francês em maio de 1980.
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O protótipo SA-331 com matrícula F-WZAT (c/n 001), aeronave modificada a partir de um SA-330B Puma (c/n 1541), equipado com motores Turbomeca Makila e uma nova caixa de transmissão. Fonte da imagem: https://web.facebook.com/groups/3391920751026559
Entre os principais aperfeiçoamentos em relação ao seu antecessor, o AS-332 Super Puma apresentava uma fuselagem maior e mais resistente a danos e impactos, novos motores Turbomeca Makila 1A, mais potentes e eficientes, além da utilização de materiais compostos de forma mais abrangente. A estrutura incorporou uma barbatana ventral sob a cauda fornecendo melhor controle direcional e a adoção de um nariz aerodinâmico abrigando um radar meteorológico, equipamento essencial para operações em condições adversas de tempo. Esse conjunto de elementos forneceu melhor desempenho, maior estabilidade de voo e menor consumo de combustível, superando o SA-330 em quase todos os aspectos. Assim como seu antecessor, o Super Puma tornou-se um grande sucesso de exportação, sendo um substituto natural para os antigos operadores do Puma e atraindo novos compradores. A versatilidade da máquina gerou o desenvolvimento de diferentes versões com capacidades e funções distintas, dedicadas à missões de transporte, busca e salvamento, uso naval, entre outras. Em 1992, a Aérospatiale deu origem à Eurocopter, resultante da fusão com o conglomerado alemão Daimler/Chrysler Aerospace AG (DASA). Em consequência, todos os modelos de helicópteros produzidos por franceses e alemães receberam novas denominações. Dessa forma, a família AS-332 Super Puma de uso militar passou a chamar-se AS-532 Cougar. Cabe ressaltar que o modelo continua até hoje sendo fabricado, agora pela Airbus Helicopters, sucessora da Eurocopter, através da designação H-215.

No Brasil, tanto a Marinha quanto a Força Aérea Brasileira empregaram variantes do Super Puma/ Cougar e o Exército ainda utiliza este último, em processo atualmente de substituição pelos novos UH-60M Black Hawk. Em 1986, a FAB adquiriu dez exemplares do AS-332M Super Puma, versão alongada para o transporte tático e de cargas, designados como CH-34 e matriculados como FAB 8730 a FAB 8739. Esses helicópteros foram inicialmente destinados ao Terceiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (3º/8º GAv), sediado à época na Base Aérea dos Afonsos/RJ. Mais tarde alguns exemplares foram alocados por um breve período junto ao Sétimo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (7º/8º GAv), localizado em Manaus/AM. Um desses helicópteros, com o indicativo FAB 8735, foi posteriormente convertido para o transporte de autoridades e redesignado como VH-34, atuando junto ao Grupo de Transporte Especial (GTE), com sede em Brasília/DF. Em 1997, a FAB recebeu mais um VH-34, dessa vez um AS-332M1, versão militar alongada do Super Puma e matriculado como FAB 8740. Essa aeronave inicialmente foi incorporada ao 3º/8º GAv e depois repassada ao GTE. Todos os Super Puma remanescentes na FAB foram retirados de operação em 2015. Um ano após entrar em serviço com a Força Aérea foi a vez da Aviação Naval receber seus primeiros AS-332F1, versão naval do Super Puma, classificada na Marinha como UH-14. Seis exemplares foram adquiridos em 1987 e registrados como N-7070 a N-7075. Em 1994, chegaram mais dois helicópteros, agora do modelo AS-532M1 Cougar, com as matrículas N-7076 e N-7077 porém, mantendo a mesma designação. Todos eles foram distribuídos ao 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (Esqd.HU-2), sediado em São Pedro da Aldeia e os sete aparelhos remanescentes permaneceram nessa unidade até serem desativados em 2018. O Exército Brasileiro é o último reduto militar da família Super Puma/Cougar no Brasil. Oito exemplares da variante AS-532UE foram adquiridos a partir de 2002, recebendo a designação de HM-3 Cougar e numerados de EB-4001 a EB-4008. Atualmente seguem em serviço com os Segundo e Terceiro Batalhões de Aviação do Exército (BAvEx), sediados em Taubaté/SP e Campo Grande/MS, respectivamente. Em breve esses aparelhos serão retirados de operação e substituídos por doze helicópteros Sikorsky H-60M Black Hawk.

HM-3 Cougar. Fotos: EB/Divulgação

A chegada do novo milênio trouxe consigo o advento do Eurocopter EC-725, batizado de Caracal ou Super Cougar. Ele nasceu de uma necessidade da Armée de l'Air (Força Aérea francesa) para um helicóptero de porte médio/pesado e especializado em missões de Busca e Salvamento em Combate (C-SAR). A Eurocopter apresentou uma proposta com base no AS-532 Cougar, entretanto, os requisitos apontavam para uma aeronave com motores mais potentes, autonomia de voo aprimorada e maior durabilidade em combate e alta capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Dessa forma, partiu-se para o desenvolvimento de uma nova aeronave baseada naquele modelo, inicialmente denominada de Cougar Mk.II e posteriormente chamada de EC-725. Em relação ao modelo anterior, o helicóptero apresentava rotor principal com cinco pás incorporando um novo perfil aerodinâmico, motores Makila 2A1, transmissão reforçada, capacidade de autodefesa (incluindo receptores de alerta radar e de mísseis, além de dispensadores de contramedidas), estrutura mais robusta, proporcionado um aumento no peso máximo de decolagem e maior capacidade para cargas internas e externas, cockpit dominado por telas multifuncionais e aviônicos de última geração, entre outros aperfeiçoamentos. O helicóptero desde o início foi pensado para ser multimissão, capaz de desempenhar diferentes tarefas como transporte de tropa, evacuação aeromédica, busca e salvamento em combate e operações navais, com a mesma eficiência em uma única plataforma. O primeiro voo do protótipo aconteceu nas instalações da Eurocopter, em Marignane (França), em 27 de setembro de 2000 e a apresentação oficial ao público ocorreu em 15 de janeiro do ano seguinte. O excelente desempenho do aparelho levou a Força Aérea francesa a encomendar seis exemplares de pré-produção do EC-725 que, após extensa campanha de testes e certificações, entrou em operação a partir de fevereiro de 2005. Além da França, até o momento mais treze países operam com versões militares do helicóptero. Em janeiro de 2014, a Eurocopter passou a chamar-se Airbus Helicopters e o EC-725 teve a sua denominação alterada para H-225M.

Uma das inovações trazidas pelo EC-725 foi a capacidade de poder ser reabastecido em voo. Foto: United States Air Force
A cabine de pilotagem do H-225M Super Cougar é do tipo "glass cockpit", dominada por quatro grandes telas LCD multifunção. Foto: www.helicopassion.com
Fora da França, o maior contrato de vendas do EC-725 teve como cliente o governo brasileiro que em meados da primeira década do Século XXI, buscava um helicóptero bimotor multimissão, de porte médio/grande, que atendesse às necessidades operacionais das três forças singulares e da Presidência da República, por meio dos requisitos técnicos do Programa H-XBR. O planejamento inicial incluiu a aquisição de 50 unidades, com uma parcela dessa quantidade, sendo montada no Brasil pela Helibras em sua planta industrial estabelecida em Itajubá/MG. O contrato foi assinado em dezembro de 2008 e contemplou dois helicópteros configurados para Transporte VIP em atendimento à Presidência da República e dezesseis aparelhos para cada Força, divididos em variantes básica e operacional. As primeiras unidades foram fabricadas na França e recebidas a partir de 2010. Por sua vez, o primeiro exemplar a passar por todas as etapas de produção em território nacional foi entregue em junho de 2014. Tratava-se do UH-15 Super Cougar com a matrícula N-7106 e número de série BRA017, indicando ser a décima sétima aeronave construída para uso militar. Em dezembro do ano passado, o programa encerrou-se com a última unidade recebida também pela Marinha, o AH-15B com indicativo N-4104. Cabe ressaltar que da encomenda inicial de cinquenta aparelhos, a Força Aérea Brasileira e a Marinha abriram mão, cada uma, de um helicóptero da variante operacional, em favor de um lote de vinte e sete H-125 Esquilo, destinados a modernizar suas frotas de Instrução de Voo.

Na Força Aérea Brasileira, o EC-725/H-225M recebeu a designação H-36 Caracal e as matrículas FAB 8510 a FAB 8524. São operados por duas Unidades Aéreas, o Primeiro e o Terceiro Esquadrões do Oitavo Grupo de Aviação, sediados respectivamente nas Bases Aéreas de Natal/RN e Santa Cruz/RJ. Destaca-se que a FAB é a única que emprega exemplares dotados com o sistema que permite o reabastecimento em voo por outra aeronave. A Aviação do Exército manteve as suas dezesseis unidades estabelecidas no contrato original, chamadas de HM-4 Jaguar e numeradas como EB-5001 a EB-5016. A frota atua junto ao Primeiro e Quarto Batalhões de Aviação do Exército, localizados em Taubaté/SP e Manaus/AM, além do Destacamento de Aviação do Exército do Comando Militar do Norte, em Belém/PA. A Marinha do Brasil, como já visto, recebeu quinze Super Cougar, designados como UH-15 (sete unidades atualmente), UH-15A (três unidades) e AH-15B (quatro unidades). A frota é operada pelo 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (São Pedro da Aldeia/RJ) e pelo 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte (Belem/PA). A Presidência da República utiliza dois EC-725 especialmente configurados para o transporte de autoridades. Estes helicópteros são mantidos e operados pela FAB, por meio do Grupo de Transporte Especial (Brasília/DF), designados como VH-36 Caracal e matriculados como FAB 8505 e FAB 8506. Importante dizer que os H-225M empregados pelas três Forças Armadas frequentemente prestam apoio aos deslocamentos e viagens do Presidente da República dentro do território nacional.


O 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral é uma das onze Unidades Aéreas que atualmente integram a ordem de batalha da Marinha do Brasil (veja figura mais abaixo). São sete Esquadrões subordinados ao Comando da Força Aeronaval, todos eles sediados na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), compostos por helicópteros de Emprego Geral, Instrução, Guerra Antissubmarino, Esclarecimento Marítimo e Ataque, além de aviões de Interceptação e Ataque e Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARPs), utilizadas para missões de Reconhecimento. As quatro Unidades Aéreas restantes são chamadas de Esquadrões Distritais e encontram-se distribuídas pelo território nacional em áreas de interesse da Marinha, cada qual vinculada a um Distrito Naval, alocadas em Belém/PA, Rio Grande/RS, Ladário/MS e Manaus/AM. A principal missão dessas unidades é o Emprego Geral, incluindo tarefas de transporte de carga e tropa, evacuação aeromédica, busca e salvamento, ligação e observação, reconhecimento armado, entre outras.

O Esquadrão HU-2 é subordinado administrativa e operacionalmente ao Comando da Força Aeronaval (ComForAerNav) e como já destacado, encontra-se sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA). A Base é a única do gênero no Brasil e se constitui em um importante complexo que abriga boa parte da estrutura da Aviação Naval brasileira, incluindo além das Unidades Aéreas, o Centro de Instrução e Adestramento Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN), dedicado à formação dos profissionais de Aviação na Marinha e o Grupo Aéreo Naval de Manutenção (GpAerNavMan), responsável pela manutenção e reparos especializados em todos os modelos de aeronaves e equipamentos empregados pela Aviação Naval. Desde que foi criado, em setembro de 1986, a cidade de São Pedro da Aldeia é a casa do Esquadrão Pegasus. Conhecida como a "Morada da Aviação Naval", a cidade possui pouco mais de 100 mil habitantes e está localizada no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, situada na denominada "Região dos Lagos", um importante destino turístico, distante cerca de 135 km da capital fluminense. O Esquadrão HU-2 tem como missão principal, aprestar os meios subordinados no cumprimento das tarefas que lhe são inerentes no âmbito das Operações Navais a fim de contribuir para o preparo e aplicação do Poder Naval. Para a realização das suas atribuições, a Unidade Aérea está alojada em um prédio com cerca de 3.500 metros quadrados de área construída e uma infraestrutura completa e funcional para abrigar os helicópteros e fornecer todo o suporte para a operação dos mesmos. Além de um amplo hangar, a edificação conta com dois pavimentos, reunindo todos os setores, ambientes e salas necessárias para que as tripulações e o corpo técnico e administrativo da Unidade Aérea possam exercer suas funções. O Esquadrão está estruturado em quatro grandes Departamentos: Operações, Manutenção, Administração e Segurança de Voo. Cada um deles tem suas próprias subdivisões, porém, todos atuam de forma integrada no cumprimento das atividades
diárias e em atendimento às demandas operacionais.

Fachada principal do prédio. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Vista interna do hangar. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Ao longo do ano, o Esquadrão HU-2 mantém uma rotina de voos operacionais e de treinamento, visando atender não apenas à formação e qualificação de seus tripulantes, mas também o cumprimento de missões em colaboração com os demais componentes da Esquadra e do Corpo de Fuzileiros Navais, além de operações conduzidas pelo Ministério da Defesa e em apoio à Presidência da República, no transporte do primeiro escalão do Governo Federal em deslocamentos dentro do território nacional. Todos os principais adestramentos anuais da Marinha do Brasil contam com a participação do Esquadrão Pegasus, entre eles, "ASPIRANTEX", "ADEREX", "Lançamento de Armas", entre outros. Treinamentos conjuntos com navios de nações amigas durante visitas ao país ou em trânsito pelas nossas águas jurisdicionais, denominados de "PASSEX", também são comuns, destacando-se exercícios rotineiros com as Marinhas da França ("Jeanne d'Arc"), Argentina ("Fraterno") e Estados Unidos ("UNITAS" e "Southern Seas"), por exemplo. A Unidade Aérea costuma se deslocar regularmente para outras regiões do país para a realização de treinamentos específicos, como é o caso das Operações "Furnas" (Minas Gerais) e "Formosa" (Goiás), ambas em estreita cooperação com tropas do Corpo de Fuzileiros Navais. Umas das responsabilidades da Marinha é prover o resgate de tripulantes a bordo de embarcações ou realizar missões de busca e salvamento em alto-mar. Todos os dias do ano, em coordenação e auxílio ao Serviço de Busca e Salvamento da Marinha (SALVAMAR), uma aeronave e tripulação permanecem em alerta de 24h na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, pronta para decolar em poucos minutos. Essa tarefa é revezada entre os Esquadrões HU-2, com seus UH-15 Super Cougar e HS-1, equipado com os SH-16 Sea Hawk. Como nossos leitores puderam perceber, o calendário de exercícios e atividades é extenso e diversificado, sem contar os acionamentos reais e os voos em atendimento às demandas internas da própria Unidade Aérea, exigindo tripulações, equipes de solo e de manutenção com um alto nível de qualificação e motivação.
AH-15B Super Cougar operando a bordo do porta-aviões CVN-73 "George Washington" durante a Operação "Southern Seas 2024". Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Um dos treinamentos anuais mais interessantes que envolvem a participação do Esquadrão HU-2 é a Operação "Poseidon", que conta com a presença dos H-225M utilizados pela Força Aérea Brasileira e Exército Brasileiro, atuando de forma conjunta em operações aéreas embarcadas, reforçando a interoperabilidade entre as forças. Foto: MB/Divulgação
Os caminhos para se tornar um integrante operacional do Esquadrão HU-2 passam obrigatoriamente pelo Centro de Instrução Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN) localizado, como já comentado, na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. A Instituição de Ensino é a porta de entrada para a Aviação Naval e sua missão principal é ministrar cursos de Especialização, Subespecialização, Aperfeiçoamento de Aviação e Expeditos, nas mais diversas áreas do conhecimento aeronaval para Oficiais e Praças da Marinha. Além disso, tem a função de adestrar o pessoal de apoio, para a operação dos meios aéreos, a fim de capacitá-los para o desempenho das atividades relacionadas com as operações aeronavais a bordo e em terra. As funções técnicas de aviação na Marinha são exercidas por Praças, através dos cursos de Especialização (para Marinheiros ou Soldados do Corpo de Fuzileiros Navais), Subespecialização (para Cabos) ou de Aperfeiçoamento (destinado aos Sargentos). São diversas áreas de atuação, incluindo Controle Aéreo (CV), Motores de Aviação (MV), Sonar de Aviação (VS), Manobras e Equipagem de Aviação (RV), Hidráulica de Aviação (HV), Armamentos de Aviação (VA), Estrutura e Metalurgia de Aviação (SV), Manobras e Equipamentos de Apoio de Aviação (EV) e Aviônica (VN). Os cursos variam de seis meses a um ano e após a conclusão, os militares estão aptos a servir nas diversas Organizações Militares da Marinha ligadas à Aviação Naval.
Helicóptero IH-6B Jet Ranger III utilizado na Instrução de Voo dos futuros Aviadores Navais e que atualmente encontra-se em fase de substituição pelos novos IH-18 Esquilo. Foto: MB/Divulgação
Para conduzir as aeronaves da Marinha é necessário ser Oficial do Corpo da Armada ou do Corpo de Fuzileiros Navais e concluir com aproveitamento o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAvO). São cinco meses de curso teórico, ministrado no CIAAN, envolvendo conhecimentos nas áreas de navegação aérea, meteorologia, aerodinâmica, teoria de voo, técnicas de sobrevivência no mar, entre outras. Já a parte prática acontece no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (Esqd.HI-1). Esta etapa da formação tem duração aproximada de um ano e é dividida em fases ou estágios que compreendem manobras básicas (Alfa), manobras avançadas (Bravo), navegação por contato (Charlie), voo por instrumentos básico (Delta), rádio-instrumentos (Echo), navegação por instrumentos (Foxtrot), formatura (Golf), emprego de armamento (Hotel) e emprego geral (Índia). O coroamento do curso é o estágio Juliett, composto pelo deslocamento de uma esquadrilha de helicópteros partindo de São Pedro da Aldeia para algum ponto do território nacional, onde todos os conhecimentos adquiridos ao longo do curso são testados e validados. Com o diploma em mãos, os novos Aviadores Navais estão aptos a ingressar em uma das diversas Unidades Aéreas da Marinha. Os primeiros colocados no curso têm a possibilidade de escolher em qual Esquadrão querem servir, entretanto, essa primazia é condicionada ao número de vagas disponíveis e às necessidades da Marinha.
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Para um piloto estar apto a comandar a aeronave e cumprir todas as missões realizadas pela Unidade Aérea, são necessários vários anos de aprendizado, qualificações e experiência no domínio da máquina. Foto: Acervo do Esquadrão HU-2
Ao chegar ao Esquadrão HU-2, o Aviador Naval recém-formado inicia seu aprendizado pela parte teórica, também chamada de Ground School. Esta etapa tem uma duração de 45 dias e abrange os conhecimentos técnicos do Super Cougar, incluindo os equipamentos de voo, parâmetros e limites de operação, a arquitetura da cabine de pilotagem, os procedimentos de emergência, em suma, todas as particularidades do helicóptero. Vencido este primeiro degrau, começa a fase prática da formação com a qualificação básica, dividida em três estágios, chamados de Alfa, onde se aprende manobras básicas, envolvendo o acionamento, táxi, decolagem e pouso da aeronave, Bravo, composto pelo treinamento de procedimentos de emergência, como por exemplo, a simulação de uma perda de motor durante o voo. Nesse aspecto, o jovem piloto é avaliado por suas reações, decisões e soluções apresentadas para sanar o problema em questão. A qualificação básica encerra-se com o estágio Charlie, focado no conhecimento das funcionalidades e características dos diversos instrumentos de voo presentes na cabine. O Super Cougar é dotado de aviônicos de última geração e possui um painel de instrumentos totalmente digital, composto por quatro grandes telas multifuncionais de LCD, nas quais todas as informações do voo e da missão são projetadas e disponibilizadas aos pilotos. Entender e dominar essa tecnologia é fundamental para operar a máquina. O conjunto de etapas apresentados até aqui dura cerca de 20 a 30 horas de voo e transformam o Aviador Naval em um PQM (Piloto Qualificado no Modelo), porém isto é apenas uma pequena fração do conhecimento para dominar completamente o helicóptero e as missões desempenhadas pela Unidade Aérea. Antes de ascender à próxima progressão operacional, ainda é necessário realizar o curso de voo por instrumentos. Como curiosidade, para cada degrau galgado no Esquadrão HU-2, o piloto ganha o direito de utilizar no macacão de voo, um distintivo ou emblema específico, chamado no jargão militar de "bolacha", conforme mostra a figura a seguir.

Concluídas com êxito todas as etapas até aqui descritas, o Aviador Naval, agora com um nível maior de experiência na condução da máquina, mais familiarizado com o gerenciamento de cabine e na solução de emergências, avança para a categoria denominada de POA (Piloto Operativo na Aeronave), seguido depois pelo COA (Comandante Operativo na Aeronave). São necessárias em torno de 300 horas atuando no Esquadrão para um PQM ascender a POA e mais 500 horas para chegar a COA. Além da quantidade de horas, a progressão também passa por avaliações de um conselho interno do Esquadrão, a fim de verificar se o aviador preencheu todos os requisitos técnicos para subir de categoria. São necessários em média, cerca de oito anos para um piloto obter todas as qualificações e estar plenamente apto a executar o amplo leque de missões realizadas pela Unidade Aérea. A função de Comandante é geralmente exercida por um Capitão de Fragata (CF) pertencente ao Corpo da Armada ou ao Corpo de Fuzileiros Navais. Para a assunção ao cargo, o militar precisa ser capacitado como Aviador Naval, ter uma boa pontuação na carreira e ser nomeado pelo Comandante da Marinha. O período de tempo à frente da Unidade Aérea é variável porém, não costuma exceder dois anos. O cargo atualmente é ocupado pelo Capitão de Fragata Anderson Teixeira da Fonseca, no comando do Esquadrão HU-2 desde janeiro de 2025, sendo o vigésimo sétimo Aviador Naval a liderar a Unidade Aérea desde a sua criação (veja a tabela abaixo). Como em toda Unidade Aérea de emprego militar, os seus integrantes são conhecidos por denominações próprias, geralmente associadas à história, às missões ou ao símbolo que a representa. No Esquadrão HU-2 essa tradição está ligada à figura do cavalo e à temática dos combates medievais, nesse contexto, os pilotos integram a Ordem dos Cavaleiros e os graduados compõem a Ordem dos Escudeiros.




Nestes 40 anos de atividades foram muitas as missões que marcaram as tripulações e a história do Esquadrão HU-2, entre elas, o auxílio na busca e resgate das vítimas do acidente com o voo AF447 da Air France, em junho de 2009, apoio às ações da Defesa Civil no rompimento da barragem em Brumadinho/MG, em janeiro de 2018, além da participação na Operação Taquari 2, em maio de 2024, em socorro aos atingidos pela catástrofe climática sem precedentes que se abateu sobre o Rio Grande do Sul. O trabalho desempenhado pela Unidade Aérea e seus integrantes é contínuo e ao mesmo tempo, anônimo e silencioso, ganhando visibilidade dos veículos de imprensa e a atenção do grande público, somente em situações de calamidade ou de grande comoção. Sem almejar fama, glória ou reconhecimento, as tarefas são cumpridas diariamente, ao longo das últimas quatro décadas, com orgulho, profissionalismo e dedicação. Valores nobres, típicos de Cavaleiros e Escudeiros, voando nas asas do Pegasus, sempre com Força e Virtude. Fica aqui registrado o nosso Bravo Zulu a todos os integrantes do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral.
O site Aviação em Floripa agradece ao Comando do Esquadrão HU-2 por apoiar a ideia para a elaboração desta matéria dedicada a contar os seus 40 anos de história, a qual espero ter ficado à altura da relevância que a Unidade Aérea tem junto à Aviação Naval e à Marinha do Brasil. Gratidão também ao Chefe e demais integrantes da Seção de Relações Públicas do Esquadrão pela disposição em ajudar, materializada nas informações prestadas e pelo árduo trabalho em garimpar os arquivos e o acervo fotográfico em busca das melhores imagens para ilustrar o conteúdo escrito. Sem esse suporte, o trabalho não teria alcançado êxito, nem a grandeza e a riqueza de detalhes aqui reunidos. Por fim, espero que este material torne-se uma referência e fonte de consulta para pesquisadores e entusiastas da aviação que busquem informações sobre a Unidade Aérea.
Referências bibliográficas:
ESQUADRÃO HU-2. Resumo Histórico;
FLORES JR., Jackson. Aeronaves militares brasileiras: 1916-2015;
Website Armas Nacionais. https://www.armasnacionais.com/2025/09/ch-33-sa330l-puma.html
Website Armas Nacionais. https://www.armasnacionais.com/2026/05/uh-14-as332-super-puma-as532-cougar.html
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