Desde o dia 6 de abril, a Base Aérea de Florianópolis vem abrigando militares e aeronaves do Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAv), Unidade Aérea integrante da Aviação de Asas Rotativas da Força Aérea Brasileira e que tem sua sede na cidade de Santa Maria, localizada na região central do Rio Grande do Sul. A presença na capital catarinense do Esquadrão Pantera, como também é conhecido, está ligada à qualificação anual de suas equipagens em tarefas que são rotineiramente executadas pela Unidade, entre elas, a atividade de Busca e Salvamento. Este ano, além dos resgates, também está no escopo do treinamento o emprego de armamento voltado para missões de Interceptação e Defesa Aérea, algo que há muito tempo o Esquadrão não realizava por aqui. Com exclusividade, o site Aviação em Floripa obteve autorização para acompanhar o exercício e é este conteúdo, composto por imagens, gráficos e informações, que passamos a apresentar aos nossos leitores a partir de agora.
O Esquadrão Pantera é uma das cinco Unidades Aéreas que compõem o Oitavo Grupo de Aviação, estrutura que reúne o emprego operacional com helicópteros na Força Aérea Brasileira, atendendo à seguinte distribuição geográfica: Primeiro Esquadrão (1º/8º GAv, Natal/RN); Segundo Esquadrão (2º/8º GAv, Porto Velho/RO); Terceiro Esquadrão (3º/8º GAv, Santa Cruz/RJ); Quinto Esquadrão (5º/8º GAv, Santa Maria/RS) e; Sétimo Esquadrão (7º/8º GAv, Manaus/AM). Estas Unidades são responsáveis por uma grande variedade de atividades, incluindo Transporte Aeroterrestre, Ataque, Busca e Salvamento, Evacuação Aeromédica, Missões Humanitárias, entre outras. Além dos Esquadrões pertencentes ao Oitavo Grupo, a Aviação de Asas Rotativas da FAB possui ainda outras três Unidades Aéreas dedicadas às missões de Instrução de Voo (1º/11º GAv), Busca e Salvamento (2º/10º GAv) e Transporte de Autoridades (GTE-3), localizadas respectivamente em Natal/RN, Campo Grande/MS e Brasília/DF. Importante dizer que o Esquadrão Pantera é subordinado operacionalmente ao Comando de Preparo (COMPREP) e administrativamente à Base Aérea de Santa Maria (BASM).
A história e as tradições do Esquadrão Pantera remontam ao início da década de 70, com a criação em Santa Maria/RS, em 19 de julho de 1971, do Quarto Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (4º EMRA), equipado com aeronaves de asa fixa e rotativas, atendendo às missões de Reconhecimento Armado, Ligação e Ataque. Posteriormente, em virtude de uma reorganização estrutural da FAB, a Unidade Aérea passou a ser designada como 5º EMRA. A partir de setembro de 1980, os Esquadrões Mistos deram lugar ao Oitavo Grupo de Aviação e assim surgiu o Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAv), mantendo a sua sede, a Base Aérea de Santa Maria, herdando também o legado e os elementos presentes no Emblema do 5º EMRA, entre eles, a Pantera negra. O Esquadrão ao longo do tempo se destacou pelo pioneirismo em várias atividades ligadas ao emprego operacional dentro da Aviação de Asas Rotativas, refletindo o alto grau de profissionalismo e capacitação de suas equipagens. Entre as ações de caráter inédito podemos citar o emprego do helicóptero em missões de Defesa Aérea contra aeronaves de baixa performance, utilizando armamento frontal e lateral. Em 1996, a Unidade Aérea protagonizou a primeira missão real de interceptação no Brasil com helicóptero, fato que ocorreu durante a "Operação Varredura", na região de Apucarana/PR, uma ação conjunta com a Polícia Federal e outros órgãos governamentais, que resultou em quatro aeronaves apreendidas, além de grande quantidade de mercadorias contrabandeadas retiradas de circulação. Também merece destaque a introdução no uso dos Óculos de Visão Noturna. Prestes a completar 55 anos, o Esquadrão Pantera participou de inúmeras operações de resgate, prestando apoio fundamental para a população em situações de calamidade pública e acidentes. Este é um trabalho geralmente anônimo mas que às vezes, ganha os holofotes da mídia, a atenção e o reconhecimento do grande público. Algumas dessas missões ficaram também marcadas na história da Unidade Aérea, entre elas, o transporte das vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria para Unidades Hospitalares especializadas (2013) e o auxílio aos atingidos por desastres climáticos em Santa Catarina (2008) e no Rio Grande do Sul (2024).
Designado como Exercício Técnico (EXTEC) "Içamento Pantera 2026", o treinamento em Florianópolis iniciou no dia 6 de abril e deve se estender até a próxima sexta-feira (1/5), contando com a participação de quatro helicópteros H-60L Black Hawk e cerca de 70 militares. Para isso, o Esquadrão Pantera deslocou para a capital catarinense, boa parte de sua estrutura, incluindo o Alerta SAR. Durante todo o ano, 24 horas por dia, em coordenação com o SALVAERO Sul, a Unidade Aérea mantém uma aeronave e tripulação em prontidão, capaz de decolar em poucos minutos para atender emergências ou realizar missões de Busca e Salvamento em qualquer ponto da região Sul do Brasil, tanto em terra quanto sobre o mar.
Este ano, o adestramento foi dividido em duas fases distintas. As primeiras semanas tiveram o foco em situações de resgate em ambiente aquático, tanto de dia quanto à noite (nesse caso, com o emprego de Óculos de Visão Noturna), além de simulações de acionamentos de emergência. Já esta última semana, está sendo dedicada à missão de Tiro Aéreo (outros detalhes mais adiante nesta matéria). Ambas as atividades fazem parte da rotina do Esquadrão e para tal, Pilotos, Operadores de guincho, Equipes de Resgate e Artilheiros, precisam estar bem treinados para realizá-las com a máxima eficiência, algo fundamental em situações reais. Além da capacitação, outro ponto essencial é a possibilidade de atualizar e testar doutrinas de emprego. Cabe ressaltar que a qualificação nas atividades que estão sendo treinadas aqui em Florianópolis tem validade de um ano e é obrigatória para todos os integrantes operacionais da Unidade Aérea, sejam eles veteranos ou recém-chegados. O Exercício é também uma excelente oportunidade para a padronização de procedimentos e o entrosamento das tripulações.
O treinamento de resgate na água exige muita atenção, trabalho em equipe, coordenação, além de habilidade na pilotagem para manter a aeronave estável em voo pairado, à baixa altura e em qualquer condição de tempo, de dia ou de noite, nesse caso, com o auxílio dos Óculos de Visão Noturna (NVG). As equipes de resgate se valem de diversas técnicas para o salvamento em meio aquático e uma das mais difundidas e eficientes atende pelo nome de "Kapoff", método de içamento desenvolvido pelos ingleses e empregado na FAB desde os anos 80. O procedimento é utilizado em situações em que não é possível o salvamento por outras formas, a não ser com a presença do helicóptero. Embora possa parecer simples aproximar a aeronave, descer o guincho e trazer uma pessoa a bordo, toda a ação é cercada de condicionantes e variáveis, incluindo o estado de saúde da vítima, as características do local, fatores climáticos, entre outros. Esta etapa do Exercício Técnico foi realizada nas águas da Baía Sul, bem em frente à Base Aérea de Florianópolis, em uma área pré-definida, distante a cerca de 2 km da orla.
A relação do Esquadrão Pantera com Florianópolis é antiga. Desde a década de 80, a Unidade Aérea vem regularmente à capital catarinense com o propósito de realizar seus treinamentos operacionais, anteriormente conhecidos pelos nomes de "Guasca" (Resgate) e "Mata-Pato" (Tiro contra alvos aéreos e terrestres). São vários os fatores que justificam o deslocamento desde o interior gaúcho até o litoral catarinense. Entre os principais, está o apoio logístico proporcionado pela Base Aérea de Florianópolis, fornecendo as condições ideais de hospedagem e alimentação para as tripulações e de manutenção e abrigo para as aeronaves. Outro ponto fundamental é a geografia da Ilha de Santa Catarina, com as águas calmas e abrigadas da Baía Sul servindo como cenário perfeito para o adestramento. Além disso, a proximidade com a Base Aérea permite que o helicóptero alcance a área de exercício em poucos minutos, resultando em substancial economia de combustível e maior tempo útil de treinamento. Este somatório faz com que Florianópolis seja um dos melhores locais no país para a prática da atividade de Busca e Salvamento. Não por acaso, a Base Aérea é palco do Exercício Operacional "Carranca", um dos principais treinamentos anuais da FAB e considerado o maior do gênero na América Latina.
Se até semana passada o foco era salvar, agora o treinamento se volta para dissuadir ou, em último caso, destruir. Por mais paradoxal que possam parecer esses dois termos, eles integram o cotidiano de qualquer Unidade Aérea que emprega helicópteros multimissão, como é o caso do Esquadrão Pantera. Neste tipo de atividade, o objetivo principal reside em interceptar e engajar aeronaves de baixa performance, tais como aviões de pequeno porte e helicópteros, que estejam voando sem contato-rádio, fora das regras do controle do espaço aéreo ou ainda, em caso de conflito, representando uma ameaça. Isso inclui também os drones de combate, como as guerras recentes têm demonstrado. São vários níveis de intimidação, desde disparos de advertência até o denominado "tiro de destruição". É este derradeiro estágio que está sendo treinado em Florianópolis. Para cumprir essa função, o H-60L Black Hawk utiliza a metralhadora rotativa General Electric M134 Minigun, calibre 7,62 mm, composta por seis canos e cadência de tiro de três mil disparos por minuto. O armamento vai instalado em suportes montados junto às janelas laterais localizadas logo atrás da cabine de pilotagem.
Para esta etapa do adestramento, o Esquadrão Pantera está contando com o apoio de um avião G-19A, pertencente à Esquadrilha de Voo a Vela da Academia da Força Aérea (EVV/AFA), sediado em Pirassununga/SP. Acostumado a rebocar os planadores que os cadetes usam em voos recreativos nos finais de semana, sua tarefa no treinamento é conduzir o alvo aéreo que será castigado pelos Artilheiros a bordo dos helicópteros, simulando uma aeronave de pequeno porte. Trata-se de uma faixa de nylon entrelaçado, também chamada de biruta, com 1,8 m de altura e 9 m de comprimento. Ela é engatada na parte traseira do avião através de um cabo com cerca de 300 metros de comprimento. A grande distância entre o alvo aéreo e o rebocador tem um único objetivo: evitar a ocorrência de qualquer tipo de incidente ou situação que coloque em risco a segurança de todos os participantes. De acordo com este mesmo princípio, o treinamento é realizado afastado de aglomerações urbanas, em áreas pré-estabelecidas sobre o mar. Assim como aconteceu nas missões de resgate, o DECEA também publicou um NOTAM para o exercício de Tiro Aéreo. Nesta campanha do Esquadrão Pantera, a área destinada para a prática está localizada a sudeste da Ilha de Santa Catarina, conforme mostra a imagem abaixo.
Área delimitada para o treinamento de Tiro Aéreo do Esquadrão Pantera, com altitude variando de zero a dois mil pés (cerca de 650 m). Fonte da imagem: DECEA













