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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

ASPIRANTEX 2023: Uma visita à Fragata F44 Independência

 


Nos dias 21 e 22 de Janeiro, a Fragata Independência (F44) pertencente à Marinha do Brasil, esteve aberta à visitação pública na cidade de Itajaí, localizada no litoral norte de Santa Catarina. O evento ocorreu no pier da Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí e fez parte das ações sociais e de divulgação das atividades navais promovidas pela Marinha durante a realização do Exercício ASPIRANTEX 2023, que ocorre até o dia 1º de Fevereiro, na área marítima entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina. Para saber mais informações sobre o treinamento, basta clicar sobre o banner logo abaixo. O site Aviação em Floripa esteve a bordo do navio e preparou a presente matéria, mostrando um pouco desta experiência, da qual você é nosso convidado. Boa leitura!


Clique sobre a imagem acima, para saber mais sobre a ASPIRANTEX 2023.


Um breve histórico


A F44 Independência é uma das seis Fragatas da Classe "Niterói" (veja quadro abaixo), das quais atualmente, cinco continuam em serviço ativo, adquiridas durante a década de 70 como parte do Programa de Renovação e Ampliação de Meios Flutuantes da Marinha. Ela foi a quinta a ser recebida pela Marinha do Brasil e a primeira de duas unidades construídas pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), com material, equipamentos e assistência técnica do estaleiro inglês Vosper Thornycroft Ltd., responsável pelo projeto das Fragatas Classe "Amazon" ou "Type 21", operadas à época pela Real Marinha britânica (Royal Navy) e no qual o projeto dos navios brasileiros foi baseado. O advento desses meios navais representou para a Marinha do Brasil, um verdadeiro divisor de águas no tocante à incorporação de avanços tecnológicos, principalmente em termos de sistemas de combate, operação, armamentos e manutenção, uma vez que boa parte de nossa força naval de combate no início da década de 70, era composta por navios de origem norte-americana, já bastante defasados e obsoletos, alguns deles inclusive, provenientes de modelos ou classes que haviam operado na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Outro aspecto extremamente positivo do programa das Fragatas, foi a questão da transferência de tecnologia, capacitação técnica de mão-de-obra nacional e o fortalecimento da indústria naval, fatores que ajudaram nosso país no projeto e construção de futuras embarcações para a Marinha como o Navio-Escola Brasil e as Corvetas das Classes "Inhaúma" e "Barroso". A excelência do projeto das Fragatas Classe Niterói permitiu que elas recebessem um MLU (do inglês Mid-Life Update, ou Atualização de Meia-Vida), com o objetivo de dotar os navios com sistemas de combate, sensores e armamentos capazes de enfrentar de maneira eficaz as ameaças da guerra naval moderna. Chamado de MODFRAG, o programa teve início a partir de meados dos anos 90, sendo entregue pela Marinha à Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), ficando sob a responsabilidade executiva da Diretoria-Geral do Material da Marinha e a coordenação com a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha. Entre os principais pontos da modernização, estavam a substituição de vários itens do sistema de armas e a incorporação e/ou aperfeiçoamento dos principais sensores e sistemas dos navios.

Principais aperfeiçoamentos do Programa MODFRAG. Fonte: https://www.naval.com.br/ngb/L/L026/L026.htm

A Fragata “Independência” é um navio com ênfase na Guerra Antissubmarino (ASW), podendo atingir até a velocidade máxima de 30 nós (cerca de 56 km/h). É capaz de realizar sua autodefesa, de ponto, contra ameaças aéreas a curta distância, possuindo condições de engajar alvos de superfície e terrestres. A embarcação destina-se a operar em Forças-Tarefa ou em patrulhas de escolta, com as seguintes funções: Prover cobertura nas ações antissubmarino, fornecer cobertura contra alvos de superfície e aéreos em ações de superfície, antiaéreas e desembarque e coordenar, controlar ou supervisionar as ações de todas as unidades de superfície e aéreas que constituem o seu Grupo-Tarefa. A partir disso, decorrem as seguintes missões que lhe podem ser atribuídas:

  • Defender forças navais contra o ataque de superfície, de submarinos ou aeronaves;
  • Localizar e destruir submarinos inimigos;
  • Efetuar operações de Busca e Salvamento (SAR) à tripulações de aeronaves e navios por ocasião de acidentes;
  • Proporcionar apoio às operações de desembarque anfíbias, utilizando os sensores e armamento de superfície para a execução de bombardeio naval, e os sensores e armamento A/S (Antissubmarino) e A/A (antiaéreo) contra ataques de submarinos e de alvos aéreos;
  • Efetuar serviços de piquete, utilizando seus sensores para aumentar a profundidade de busca da Força apoiada, transmitindo os dados obtidos a outras Fragatas por intermédio de “Link” de dados;
  • Efetuar serviço de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica (MAGE), utilizando os sensores existentes a bordo.

Desde sua incorporação, a Fragata Independência integrou por diversas vezes, as principais Operações realizadas pela Marinha do Brasil ou com outras nações, tais como, UNITAS, ADEREX, DRAGÃO, ASPIRANTEX, dentre tantas outras. Além disso, participou de várias comissões internacionais importantes. A título de exemplo, podemos citar a presença, por três vezes (2016/2018/2020), na Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-UNIFIL). Em 2021, o navio realizou a Operação “Guinex-I” na área marítima do Golfo da Guiné, com o objetivo de incrementar as capacidades de segurança marítima entre o Brasil e os países da região, por meio de exercícios combinados e de adestramento mútuo.

Nota Editorial: As informações constantes no parágrafo acima, bem como boa parte dos dados técnicos sobre o navio (veja quadro no fim desta matéria), foram obtidos junto às Seções de Comunicação Social da Fragata Independência e do Comando da Força de Superfície (ComForSup).


Conhecendo a Fragata Independência


Aproveitando a presença na cidade de Itajaí no sábado (21/01), onde, durante a manhã, o site Aviação em Floripa teve a oportunidade em visitar o NAM Atlântico (matéria que pode ser acessada clicando neste link), reservamos o período da tarde para conhecer a F44 Independência, atracada no pier da Delegacia da Capitania dos Portos de Itajai. Em uma importante iniciativa, visando aproximar a Marinha do Brasil e a sociedade, foi proporcionada a visitação pública da Fragata, no período entre 13:30 hs às 17:30 hs, durante todo o final de semana (dias 21 e 22 de Janeiro). Apesar do sol forte e dias propícios para a praia, um grande número de pessoas escolheu a Capitania dos Portos de Itajaí como sua atividade de lazer, reservando parte do fim de semana para fazer um programa familiar diferente, tendo a chance para conhecer em detalhes o navio e registrar este momento único. Acompanhe a partir de agora, algumas imagens do evento e do nosso tour pela "Léo Pirata", como a embarcação é carinhosamente tratada por sua tripulação.





Mesmo sob sol forte, a oportunidade de visitação ao navio, atraiu várias famílias para a Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí.

Para evitar aglomerações e a fim de que todos pudessem conhecer com calma a embarcação, foi organizada a entrada em grupos de aproximadamente 25 pessoas. A visitação começava pela popa do navio (parte de trás), em seguida, o Convés de Voo e o Hangar, onde encontrava-se um helicóptero AH-11B Wild Lynx, componente do sistema de armas das Fragatas Classe "Niterói". Após estas áreas, os visitantes acessavam o corredor de boreste (lado direito) da embarcação, passando pelo meio do navio e chegando até o nível superior, aonde era possível ter uma visão parcial do Passadiço (posto principal do Comandante e local de onde o navio é manobrado). A partir deste ponto, o roteiro seguia novamente até a parte central e o retorno acontecia agora pelo corredor de bombordo (esquerda) até chegar novamente ao Convoo e depois à popa do navio, encerrando assim a visita. Militares pertencentes à tripulação da Fragata estavam posicionados em pontos-chave do trajeto para orientar e fornecer explicações.


Sistema Albatros composto por um lançador óctuplo de mísseis antiáreos Aspide 2000, localizado na popa da F44 Independência. Um dos armamentos instalados a partir do Programa MODFRAG e que aumentou substancialmente a capacidade de engajamento e destruição de ameaças aéreas contra o navio ou outras embarcações sob sua guarda.

Vista geral do Convés de Voo. Ao fundo, pode-se observar o hangar destinado ao helicóptero orgânico do navio.



Helicóptero AH-11B Wild Lynx, pertencente ao Esquadrão HA-1. Na Marinha do Brasil a aeronave AH-11B é empregada com o intuito de integrar os sistemas de armas dos navios de superfície da Esquadra, para ampliar as possibilidades dos sensores de bordo e a capacidade de reação das embarcações. Secundariamente, é utilizada nas seguintes tarefas: Evacuação Aeromédica, Busca e Salvamento, Apoio Logístico Móvel, Levantamento Fotográfico, Espotagem de Tiro de Superfície, Calibragem de Radares e pode ser empregada em apoio a elementos de Operações Especiais.

Vista do corredor de boreste (lado direito do navio).





Lançadores de mísseis antinavio MM40 Exocet, localizados na parte central da Fragata.

Mastro do navio, com suas antenas e equipamentos.

Vista parcial do Passadiço da F44 Independência.

Vista à boreste da lateral externa do Passadiço em direção à proa do navio.


Reparos do canhão Bofors SAK CIWS 40mm/70, a boreste (em cima) e a bombordo (foto acima), Esta arma compõe o sistema secundário de defesa antiaérea do navio e é operado de forma remota a partir do Centro de Operações de Combate.

Com a modernização, as Fragatas receberam sistemas de autodefesa com lançadores de despistadores de mísseis. Existem quatro desses conjuntos ao redor do navio.

Lançador triplo de torpedos Mk.46, utilizados contra alvos de superfície ou submarinos.

Brasão da F44 Independência.

Vista do Passadiço a partir do pier.

O armamento da proa é composto pelo canhão Vickers Mk.8 de 4,5 pol (114 mm), que pode ser empregado contra alvos de superfície ou aéreos (em primeiro plano) e um lançador duplo de foguetes antissubmarino Bofors SR-375 BOROC de 375 mm (ao fundo).


Detalhe do canhão Vickers Mk.8 de 114 mm.


Detalhe do lançador Bofors SR-375 BOROC.


Vistas em 3D - F44 Independência




Fonte: https://www.artstation.com/artwork/R3ExZm


Dados Técnicos







O site Aviação em Floripa gostaria de parabenizar a Marinha do Brasil por esta importante ação social desenvolvida tanto em Itajaí/SC, quanto em Santos/SP, durante a ASPIRANTEX 2023, em abir seus meios navais à visitação pública, fazendo com que a sociedade possa conhecer de forma mais próxima, os navios e o trabalho desenvolvido em prol da defesa de nossa Amazônia Azul. Agradecimentos ao Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM) e à Capitania dos Portos de Itajaí pelo apoio a esta matéria. 

Gostaria de deixar registrado aqui também o auxílio prestado pelas Seções de Comunicação Social do Comando da Força de Superfície (ComForSup) e da Fragata Independência, na figura do Primeiro-Sargento Bacelar, pelo recebimento e encaminhamento da solicitação de informações para esta matéria, ao Segundo-Tenente Paulo Rodrigues (Encarregado da Comunicação Social) e ao Capitão de Fragata João Victor Gallo Novaes (Imediato) da Fragata Independência, pela sessão dos dados técnicos, imagem do brasão, heráldica e demais informações que serviram de subsídio para a elaboração do texto e para a confecção dos quadros e tabelas acima apresentados.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

ASPIRANTEX 2023: Uma visita ao NAM Atlântico

 


Aproveitando a presença do Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico na cidade de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina, o site Aviação em Floripa obteve autorização para subir a bordo e conhecer este que é o maior navio da Marinha do Brasil (MB) e Nau Capitânia da Esquadra. A visita ocorreu na manhã do último sábado (21/01) e preparamos para nossos leitores esta matéria especial, contando um pouco da sua história e mostrando em detalhes esta impressionante máquina de guerra. A embarcação, juntamente com outros meios navais da MB, está participando da Operação ASPIRANTEX, um treinamento que tem por finalidade, proporcionar o adestramento dos componentes naval e aeronaval da Esquadra, além de permitir que os Aspirantes da Escola Naval conheçam na prática como é a vida a bordo dos navios, auxiliando ainda na escolha das especialidades que irão seguir como futuros Oficiais da Marinha. Para saber mais sobre a ASPIRANTEX, o site Aviação em Floripa publicou recentemente uma matéria com diversas informações sobre o exercício. Para acessá-la, basta clicar sobre o banner abaixo.


Clique sobre a imagem para saber mais sobre o treinamento.


Um breve histórico

No início dos anos 90, o engajamento do Reino Unido, como parte das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no conflito dos balcãs, mostrou aos britânicos a necessidade de uma embarcação dedicada ao apoio de operações anfíbias, provendo o transporte e desembarque de soldados e veículos blindados de combate com o apoio de helicópteros, um conceito chamado de LPH (Landing Plataform Helicopter, ou, Plataforma de Pouso para Helicópteros). O contrato foi dado à Vickers Shipbuilding and Engineering Ltd. (VSEL), de Barrow-in-Furness (norte da Inglaterra) e o navio construído pelo estaleiro Kvaerner Govan Ltd., localizado em Glasgow, na Escócia. A embarcação teve seu batimento de quilha em 30 de Maio de 1994, sendo lançada ao mar em 11 de Outubro de 1995 e finalmente, comissionada em 30 de Setembro de 1998. Na Marinha Real britânica (Royal Navy), recebeu o indicativo L12 e foi batizada oficialmente como HMS Ocean.



L12 HMS Ocean em serviço com a Royal Navy. Credito das fotos no rodapé das imagens.

Durante o período em que permaneceu em atividade com a Royal Navy, o "Ocean" participou de inúmeras comissões e campanhas, dentre as quais podemos citar as ações humanitárias em Kosovo e na América Central, em 1998-99, marcando sua entrada em serviço. O batismo de fogo viria já no ano seguinte, com a participação na Operação "Palliser", a intervenção britânica na Guerra Civil de Serra Leoa, na África. Em seguida, o navio rumou para o Oriente Médio, juntando-se ao grupo de combate do Porta-Aviões HMS "Illustrious", atuando também na Guerra do Iraque (Operação "Telic"). Em 2009, realizou uma série de exercícios militares com Marinhas de países aliados pelo continente asiático e na sequência, prestou ajuda humanitária durante as erupções do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia. Em 2011, integrou a Operação "Unified Protector", durante a intervenção militar na Guerra Civil Líbia, retornando para a Inglaterra em 2012, a fim de dar suporte aos Jogos Olímpicos de Verão em Londres. Logo após, o navio passou pelo seu primeiro período de manutenção, que durou quase dois anos. O HMS Ocean retornou ao mar em meados de 2014 e até ser descomissionado em 27 de Março de 2018, participou de inúmeros outros exercícios navais, ações de interesse do Reino Unido, além de missões humanitárias em favor de nações amigas. Sua última comissão ocorreu em 2017, quando a embarcação foi empregada em operações navais e de ajuda humanitária aos países caribenhos afetados pelo furacão Irma.

NAM Atlântico. Imagem: Marinha do Brasil

Com a retirada do serviço ativo do Navio-Aeródromo (NAe) A12 São Paulo (ex-Foch), a Marinha do Brasil procurava por um substituto para sua então Nau Capitânia e esta oportunidade surgiu com a aposentadoria do HMS Ocean, constituindo-se numa excelente compra de oportunidade, visto tratar-se de um meio naval que atendia às necessidades operacionais de nossa Esquadra, incrementando as suas operações anfíbias e com helicópteros. O valor de compra ficou na casa dos 84 milhões de libras (cerca de 400 milhões de reais em valores da época), precisando o país ainda desbancar uma proposta da Turquia, que também tinha interesse na aquisição do navio. A embarcação foi oficialmente recebida pela MB em 29 de Junho de 2018, chegando ao Brasil no final de Agosto do mesmo ano. Na Marinha, recebeu o indicativo visual "A140" e o nome "Atlântico".

Mostra de Armamento do A140 Atlântico (cerimônia que marca a incorporação de um navio a sua respectiva Armada), na Base Naval de Devonport (Plymouth/UK), em 29 de Junho de 2018.

Pavilhão Nacional sendo hasteado pela primeira vez a bordo do A140 Atlântico, na mesma data da Mostra de Armamentos. Fonte das imagens: https://www.naval.com.br/blog/2018/06/29/mostra-de-armamento-do-porta-helicopteros-multiproposito-atlantico/

No Brasil, as principais atribuições do NAM Atlântico são o controle de áreas marítimas e a projeção de poder sobre terra, mar e ar. O navio dispõe de capacidade para suporte hospitalar, sendo apropriado também, para missões de caráter humanitário, auxílio a vítimas de desastres naturais, de evacuação de pessoal e em operações de manutenção de paz, além de poder ser utilizado em missões estratégicas e logísticas, transportando militares, munições, veículos de combate e equipamentos diversos. Inicialmente classificado como PHM (Porta-Helicópteros Multipropósito), em 12 de Novembro de 2020, o navio teve sua designação funcional alterada para NAM (Navio-Aeródromo Multipropósito), em virtude do crescente emprego militar de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) e da possibilidade de operação e/ou utilização deste tipo de vetor a bordo, bem como de aeronaves com capacidade de pouso e decolagem verticais (VTOL). Desde a sua entrada em serviço com a Marinha do Brasil, o NAM Atlântico vem provando o seu valor, participando de todas as principais operações militares e nas ações cotidianas que buscam a defesa e a salvaguarda de nossa Amazônia Azul. Seu atual Comandante é o Capitão de Mar e Guerra Mozart Junqueira Ribeiro.

Helicóptero HM-4 Jaguar do Exército...

...e H-36 Caracal da FAB, a bordo do NAM Atlântico. Crédito: MB

Desde o momento em que foi incorporado, o "Atlântico" com seus 207 metros de comprimento e um deslocamento de 21.500 toneladas (com carga máxima) se constituiu na maior embarcação não apenas da Esquadra brasileira, mas também dentre todas as Marinhas latino-americanas. Sua grandeza e importância estratégica podem ser melhor entendidas através dos números. O navio tem capacidade para receber 18 aeronaves de asas rotativas a bordo e pode operar com até sete delas de forma simultânea em seu Convés de Voo. Em diversas ocasiões, helicópteros do Exército Brasileiro (EB) e da Força Aérea Brasileira (FAB) já foram empregados de forma conjunta a bordo, demonstrando o alto grau de interoperabilidade entre as três Forças. Quando em operações apenas com a Força Aeronaval, o componente aéreo é geralmente formado por helicópteros IH-6B Jet Ranger III, UH-12 Esquilo, SH-16 Seahawk e UH-15/AH-15B Super Cougar. O navio pode ainda transportar cerca de 800 Fuzileiros Navais totalmente equipados e 40 veículos anfíbios blindados. Outro trunfo da embarcação é sua autonomia, capaz de navegar aproximadamente 8 mil milhas náuticas (quase 15 mil quilômetros, equivalente a três vezes a distância entre a América do Sul e a Europa), sem precisar parar para reabastecer. 


A bordo do NAM A140 Atlântico

Conhecer a Nau Capitânia da Marinha do Brasil era uma pauta antiga do site Aviação em Floripa, buscada desde que o navio foi incorporado à Esquadra, em 2018. Importante frisar que esta foi a segunda vez que a embarcação esteve na cidade de Itajaí. A primeira, ocorreu há dois anos, também durante uma ASPIRANTEX, entretanto, na ocasião, por causa da pandemia, não houve a possibilidade de visitação. Desde que saiu a notícia que o treinamento ocorreria, a exemplo dos últimos dois anos, no litoral sul do Brasil, ficamos na torcida para que o navio atracasse em Itajaí e assim, poder concretizar a tão desejada visita. E eis que a oportunidade se fez presente e assim, finalmente conseguimos subir a bordo desta imponente e fantástica máquina, tudo registrado através de imagens, que passamos a compartilhar com nossos leitores a partir de agora.

Vista do navio a partir da proa.

Toda a imponência do NAM Atlântico já é percebida ao se aproximar do navio, passando desde à primeira vista, uma ideia de poder e força. Além da grandeza, as linhas estéticas e harmoniosas da embarcação também chamam a atenção.

Visitar o NAM Atlântico representou para mim, além de um privilégio, uma realização pessoal e profissional. Todas as fotos: Segundo-Tenente Yuri Marinho

Fomos recebidos a bordo pelo Segundo-Tenente Yuri Marinho, Oficial Auxiliar da Comunicação Social do NAM Atlântico e que foi o nosso anfitrião durante o período de permanência na embarcação. A visita durou cerca de uma hora e meia. Nesse espaço de tempo, fomos levados a conhecer os hangares inferiores (Viaturas e Aeronaves), o Convés de Voo e o Passadiço (uma das áreas mais importantes do navio), localizado na estrutura chamada de "ilha", de onde o Comandante, juntamente com sua equipe coordena todas as manobras, ações táticas e operacionais da embarcação, seja em tempos de paz ou de conflito. É desse mesmo local, com vista privilegiada para o Convés de Voo, que as todas as operações aéreas são conduzidas e controladas. 

Nota Editorial: Concordando com o ditado que diz que "uma imagem vale mais que mil palavras", passamos a mostrar através delas, a nossa visita ao NAM Atlântico, entretanto, não vamos abrir mão das explicações. Sendo assim, abaixo de cada foto, sempre que necessário, seguirá uma legenda complementando e/ou trazendo informações adicionais ao componente visual. Então, seja você também bem-vindo a bordo e conheça junto conosco, a partir deste momento, este fantástico navio.


Este é o Hangar para viaturas e veículos blindados, localizado em um dos deques ou níveis que ficam abaixo do Convés de Voo. Em caso de necessidade, este espaço pode ser convertido em um Hospital de Campanha, com leitos e todo o suporte necessário para o atendimento médico.

Esta porta fica localizada na lateral a boreste (lado direito do navio). É por ela que ocorre o embarque/desembarque das viaturas a bordo.

Veículo blindado do Corpo de Fuzileiros Navais.

Ao lado do Hangar de Viaturas, fica localizado o Hangar de Aeronaves, um espaço amplo, capaz de abrigar até 16 helicópteros em seu interior. Ele é dividido em três seções, sendo uma delas, especialmente configurada para o trabalho das equipes de manutenção de aeronaves, contando com trilhos nos teto para o deslocamento e o içamento de componentes, como por exemplo, as pás dos rotores principal e de cauda, motores e outras peças. 


Vista geral do Hangar de Aeronaves.

Vista do setor de manutenção de aeronaves. Observe os trilhos no teto (na cor amarela) para facilitar o trabalho dos mecânicos de voo.

Viaturas utilizadas para a movimentação das aeronaves, tanto no Hangar quanto no Convés de Voo.

O Hangar de Aeronaves fica situado cinco andares ou níveis abaixo do Convés de Voo. O NAM Atlântico possui ao todo, treze níveis, sendo quatro acima do convés (numerados de 01 a 04) e nove abaixo (identificados de 1 a 9), ambos ordenados de forma crescente a partir dele. Seguindo essa classificação, o Hangar de Aeronaves recebe o número "5". Para o deslocamento das aeronaves e viaturas de apoio entre o Hangar e o Convoo, existem dois elevadores, um localizado à vante e outro a ré. 



Vista do poço do elevador e do maquinário necessário para o seu funcionamento.



Andar dentro do NAM Atlântico é um desafio para quem não é habituado com o navio. É um verdadeiro labirinto de corredores, todos eles com inúmeras portas, escadas de acesso, diversos tipos de equipamentos dispostos nas laterais e uma infinidade de cabeamentos passando pelo teto. Chama a atenção, a organização dos espaços e a limpeza de todos os setores.

Todos os níveis do navio são ligados e acessados por escadas, as quais, pela questão de otimização do espaço interno, são bastante íngremes.

Quadro em homenagem à primeira tripulação do NAM Atlântico que recebeu o navio no Reino Unido, em Junho de 2018.

E eis que chegamos ao nível principal do navio, aquele que divide o que fica acima ou abaixo. Estamos falando do Convés de Voo, também conhecido como Convoo. O deque tem capacidade máxima para 18 helicópteros sobre a sua estrutura e pode operar com até sete deles acionados de forma simultânea. Na atual comissão, o NAM Atlântico está recebendo cinco helicópteros, dos seguintes modelos: um IH-6B Jet Ranger III do Esquadrão HI-1; dois SH-16 Seahawk do Esquadrão HS-1 e dois Super Cougar, um deles na versão UH-15A (configurado para a missão de Busca e Salvamento em Combate ou C-SAR) e o outro, um AH-15B (para operações do tipo ASuW, ou Guerra Antissuperfície, realizando missões de Esclarecimento e Ataque), ambos pertencentes ao Esquadrão HU-2.  Todas estas Unidades Aéreas são sediadas na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), localizada no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro.





IH-6B Jet Ranger III, helicóptero utilizado para a instrução e formação dos futuros Aviadores Navais.





SH-16 Seahawk, aeronave altamente especializada, que tem a missão primária de detectar, acompanhar e destruir alvos de superfície e submarinos.



UH-15A Super Cougar (Matrícula N-7201), versão dedicada à missão de Busca e Resgate em Combate (C-SAR).


AH-15B Super Cougar (N-4102), helicóptero para Esclarecimento e Ataque Naval. É a aeronave mais complexa e sofisticada operada pela Marinha do Brasil, com inúmeros sensores e equipamentos de última geração instalados a bordo e podendo ser armada com os mísseis Ar-Superfície Exocet AM-39 B2M2.



Tanto no Convés de Voo quanto nos hangares inferiores, tudo que se move (Aeronaves e Veículos) precisa ficar muito bem preso ao assoalho para eliminar ou atenuar o balanço no navio. Para isso, existe uma infinidade de pontos de amarração (chamados de búricas) espalhados pelo piso de ambos os locais.

Vista do elevador de ré.

Pavilhão Nacional hasteado e tremulando ao vento no fim do Convoo.

O Convés de Voo tem a extensão de praticamente todo o comprimento e largura (boca) do navio, ou seja (207 por 35 metros). Dominando a lateral direita (boreste) do Convoo, se ergue a superestrutura ou "ilha" como também é chamada. É o cérebro e o coração do navio, abrigando todos os setores de comando, centros de operação, controle de voo, sistemas de comunicação, de autodefesa e todas as antenas dos sensores, radares e demais equipamentos vitais para que a embarcação possa funcionar com toda a sua capacidade e cumprir com eficiência suas missões. 

Vista geral da "ilha" do NAM Atlântico, dominada por três estruturas principais: o Passadiço e o Centro de Controle de Operações Aéreas (à frente), o duto de exaustão do sistema de propulsão (no meio) e a torre com os sensores e radares (ao fundo).

Detalhe da torre central com o exaustor do navio. Na lateral aparecem em destaque, o indicativo visual e o brasão do NAM Atlântico.

Vista dos radares e sensores principais do navio.

Antenas do sistema de comunicação, sensores meteorológicos e indicadores direcionais e de velocidade do navio, posicionados logo atrás do Passadiço.


Atrás da "ilha", na parte traseira do navio, ainda existem um guindaste e uma plataforma dobrável, responsáveis pelo transporte de equipamentos e cargas diversas entre o deque e a parte externa do navio. Finalizando os equipamentos presentes ao redor do Convés de voo, está o armamento orgânico do NAM Atlântico, composto por quatro reparos (dois à vante e dois à ré, a bombordo e a boreste, cobrindo todo o campo em volta da embarcação) com canhões DS30M Mk.2, de 30 mm. Em complemento a estas armas, existem suportes em pontos do convés, nos quais podem ser instaladas metralhadoras de menor calibre.




Esta rampa liga o Hangar de Viaturas ao Convés de Voo. Ela é utilizada principalmente pelos soldados a bordo quando em missões de embarque nos helicópteros.

Detalhe do canhão DS30M Mk.2, de 30mm, de bombordo, à vante. A arma pode ser operada tanto de forma manual quando remota, a partir do Centro de Operações de Combate do navio.

Nas laterais do navio, existem nichos (dois de cada lado) que abrigam embarcações utilizadas para o desembarque de soldados e equipamentos. São quatro, chamadas de LCVP (Landing Craft Vehicle Personnel, ou Embarcação para o Desembarque de Veículos e Pessoal). Cada uma delas pesa 24 toneladas, tem 15 metros de comprimento e pode levar veículos de combate ou 38 fuzileiros plenamente equipados. São baixadas ao mar e recolhidas por um sistema de guinchos.

Detalhe de um dos nichos.

Detalhe do LCVP e de suas dimensões.

Existem ainda, lanchas com menor capacidade para ações rápidas.

Por fim, conhecemos algumas áreas da superestrutura do NAM Atlântico, culminando com o Passadiço, um dos lugares mais importantes do navio, de onde o Comandante acompanha todas as operações. Ao lado, fica o Centro de Controle Aéreo. Dali, os encarregados coordenam e controlam as atividades e movimentações das aeronaves no Convés de Voo. Tanto este local quanto o Passadiço, dispõem de uma visão privilegiada tanto do Convoo quanto do entorno da embarcação.

Sala de Briefing, onde as tripulações de voo se reúnem para discutir os detalhes das missões aéreas.

Vista geral do Passadiço do NAM Atlântico.

Assento destinado ao Comandante do navio.

Todos os equipamentos que permitem a tomada de decisões ficam em frente ao assento do Comandante.

Visão do Comandante do navio, a partir do seu assento.


Assento do Timoneiro, o responsável pela condução do navio.

Mesa onde os Oficiais se reúnem em volta para discutir a situação tática durante as operações.

Mesa destinada para a guarda e utilização das cartas náuticas.

Mesa com os equipamentos de comunicação.


Em área anexa ao Passadiço, fica o Controle Aéreo do navio. Deste setor, os responsáveis observam, coordenam e controlam toda a movimentação de aeronaves e as operações aéreas a bordo.



O local possui uma visão privilegiada e abrangente de todo o Convés de Voo.

Vista externa do Passadiço e do Controle de Operações Aéreas.

Encerramos as fotos de nossa visita ao NAM Atlântico com a imagem do Brasão de Armas da República, presente em todas as embarcações da Marinha do Brasil. Abaixo dele, o dístico com a frase "Tudo pela Pátria", mostra e reforça o comprometimento de todos os militares com seu trabalho.


Perfis 3D, Informações Técnicas, Brasão e Descrição Heráldica







Modelos em 3D de vários ângulos do NAM Atlântico. Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho maior. Fonte: https://wtlion.artstation.com/projects/aRbEmz




Palavras finais

Conhecer o NAM Atlântico era uma pauta de matéria buscada pelo site Aviação em Floripa e, para seu Editor, representou, além da realização pessoal e profissional, uma conquista marcante. Gostaria de agradecer, à Marinha do Brasil e ao Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM) por esta oportunidade. Agradecimentos especiais ao apoio prestado pela Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí, ao Porto de Itajaí e à APM Terminals, pelo acesso ao pátio do porto. Fica aqui também registrada a minha gratidão às pessoas que tornaram essa visita possível, são elas, o Comandante do NAM Atlântico, Capitão de Mar e Guerra Mozart, autoridade máxima a bordo, que recebeu a nossa solicitação e prontamente a autorizou e aos Segundo-Tenentes Johnathan Costa (Encarregado) e Yuri Marinho (Auxiliar), responsáveis pela Comunicação Social do navio, pelo empenho demonstrado por ambos para que esta matéria pudesse ser realizada, através do acompanhamento a bordo e por todo o assessoramento técnico e informações prestadas. A todos, fica aqui registrado o nosso Bravo Zulu.