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sexta-feira, 26 de maio de 2023

A Heráldica na Aviação Militar brasileira

 


Em mais um conteúdo inédito e exclusivo, o site Aviação em Floripa traz aos seus leitores, uma matéria especial sobre um tema pouco abordado mas bastante interessante, a simbologia e o significado por trás dos Emblemas das Unidades Aéreas da Força Aérea Brasileira, Aviação Naval e Aviação do Exército. Conhecidos popularmente como "bolachas", esses distintivos, geralmente bordados ou emborrachados, são utilizados no macacão de voo pelos pilotos e tripulantes das Unidades Aéreas. Os elementos presentes em cada um deles, dizem muito sobre a própria história do Esquadrão, seu emprego, características e área de atuação. Conheça a partir de agora, um pouco deste universo fascinante da Heráldica e de suas cores, formas e significados. 

Nota Editorial: Antes de iniciarmos a matéria, cabe aqui um pequeno parêntese. Colecionador de "bolachas" há mais de 35 anos, o autor iniciou seu acervo no ano de 1987, na época, residente em São Pedro da Aldeia, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Para quem não sabe, a cidade abriga a única Base Aérea da Marinha do Brasil, a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), sede da maioria dos seus Esquadrões e durante 30 anos (1965-1995), também foi o lar da 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO), Unidade Aérea da FAB que tinha como missão operar em conjunto com os meios navais da Esquadra e da Força de Fuzileiros, provendo apoio aéreo contra alvos terrestres e marítimos. Em uma visita à Unidade Aérea, foi presenteado com a "bolacha" da 2ª ELO e a partir daquele momento, cresceu o interesse pelos Emblemas. Focada exclusivamente na Aviação Militar brasileira, em suas Organizações e Unidades Aéreas, a coleção atualmente conta com mais de duas centenas de itens. Esta série de matérias, tem o objetivo de apresentar ao nosso público, os emblemas dos Esquadrões Operacionais de nossas Forças Armadas, além de contribuir para a divulgação e preservação da cultura aeronáutica. 

A primeira "bolacha" bordada, que iniciou toda a coleção.


Parte do acervo do autor encontra-se disposto em quadros temáticos.

O ato de identificar indivíduos, famílias ou clãs remonta à Antiguidade, porém, foi na Europa, a partir da Idade Média (por volta do século XIII), que este costume ganhou uma notoriedade maior e começou a apresentar uma padronização e regramentos específicos. A Heráldica é considerada uma ciência auxiliar da História e uma forma de linguagem simbólica, surgida para a identificação dos exércitos nos campos de batalha, de um Estado, de uma corporação, de uma família, de uma autoridade civil, militar ou eclesiástica. Entre os principais componentes que formam uma figura heráldica, estão os brasões, escudos e todos as figuras, objetos e sinais inseridos neles, além das cores, também chamadas de esmaltes, que dão significado e identificação às peças.

As cores dentro da Heráldica apresentam nomes específicos, geralmente baseadas no idioma francês ou no latim.


Guardando desde o início, um forte vínculo com a atividade militar, a utilização da Heráldica dentro das Organizações Militares brasileiras se expressa através dos Emblemas, Distintivos, Logotipos, Estandartes e Flâmulas. A elaboração e utilização desses itens deve seguir um conjunto de critérios e normas técnicas, estabelecidos por legislação própria no âmbito de cada Força. A explicação e o significado de cada um destes elementos visuais, se chama Descrição Heráldica e também possui uma linguagem padrão, baseada nas regras heráldicas quanto ao nome das cores ou esmaltes, formato dos escudos, identificação e posição das figuras dentro daquilo que se está representando.

Principais formas de escudos utilizados na Aviação Militar brasileira.

A Força Aérea Brasileira adota para suas Organizações Militares os Escudos do tipo Francês e Português. O primeiro é utilizado para Unidades que têm a missão específica de planejamento, preparo e o emprego direto da Força Aérea, o emprego de engenhos aeroespaciais ou atribuições de operações aeroterrestres, como por exemplo, os Esquadrões Operacionais. Por sua vez, o Escudo Português é empregado para OMs com funções predominantemente administrativas, como as Bases Aéreas, os Comandos Aéreos Regionais, os Parques de Material Aeronáutico, entre outros. Embora certas Unidades Aéreas mais tradicionais da FAB tenham a Bolacha no formato circular, algumas delas inclusive sendo amplamente conhecidas, cabe ressaltar que o Emblema oficial destes Esquadrões deve trazer a referida "bolacha" inserida no Escudo Francês, obedecendo à regra de emprego de acordo com sua missão-fim. Outro ponto importante diz respeito à cor do filete que contorna o Escudo. Ela identifica o posto ou patente do Oficial que comanda a Unidade, sendo a cor Ouro (amarela), utilizada para OMs chefiadas por Oficiais Intermediários (Capitão) ou Superiores (Major, Tenente-Coronel ou Coronel) e a Prata (branco) para OMs comandadas por Oficiais Generais (Brigadeiro, Major-Brigadeiro ou Tenente-Brigadeiro). 

Temos ainda, como forma de identificação, o uso de estrelas na parte superior (ou Chefe) do Emblema que designa à qual Aviação o Oficial pertence (Caça, Reconhecimento, Transporte, Patrulha, Asas Rotativas ou Busca e Salvamento). São cinco níveis, de acordo com a hierarquia ou qualificação do tripulante, obedecendo a seguinte ordem: sem estrela (Tripulante Operacional Graduado); uma estrela (Piloto em Formação Operacional ou Oficial de outro Quadro Tripulante Operacional); duas estrelas (Piloto Operacional); três estrelas (Comandante de Unidade Aérea ou Chefe de Estado-Maior de Comando) e; quatro estrelas (Comandante de Comando), conforme mostra o infográfico abaixo.


Dentro da Aviação de Caça da FAB, utiliza-se uma regra própria com relação à quantidade de estrelas presentes no Chefe (parte superior) do Distintivo, de acordo com a progressão operacional do piloto, ao longo de sua carreira. De acordo com esta metodologia, temos então as seguintes situações: sem estrela (Ala Operacional); uma estrela (Líder de Esquadrilha); duas estrelas (Líder de Esquadrão); três estrelas (Líder de Grupo e/ou Comandante de Unidade Aérea) e; quatro estrelas (Comandante de Comando).

Na Marinha do Brasil e no Exército Brasileiro, em sua grande maioria, predominam os Escudos de forma circular para as Bolachas das Unidades Aéreas. Uma exceção diz respeito aos Esquadrões VF-1 e QE-1 da Aviação Naval, que utilizam uma variação do Escudo Triangular. Outros tipos de Emblemas, pertencentes à Esquadrilhas de Voo, Emblemas de Qualificação ou Especialidades, entre outros, podem apresentar outros formatos. Para todas as suas Organizações Militares, a Marinha faz uso do Escudo Português, denominado de Boleado, envolto por cabos e tendo na parte superior, um objeto, chamado de Coroa Naval, sendo este conjunto de elementos, conhecido como Emblema Heráldico. Esse é o padrão de Escudo de Organização Militar da Marinha, incluindo suas Unidades Aéreas, sendo assim, além da Bolacha circular utilizada no macacão de voo, todos os seus Esquadrões também apresentam esse modelo de Emblema. Assim como existem formas diferentes de representações de Escudos para as Unidades Aéreas, FAB, Marinha e Exército também distribuem suas Bolachas de formas distintas no macacão de voo de seus pilotos e tripulantes. As artes abaixo, mostram a quantidade, localização e tipos de Emblemas utilizados por cada uma delas.




Nota Editorial: Na Aviação Naval e na Aviação do Exército não se costuma empregar uma Bolacha contendo a numeração de antiguidade ao piloto ou tripulante dentro da Unidade Aérea. São poucos os Esquadrões da Marinha ou do Exército que fazem uso deste expediente. Porém, aqueles que o fazem, utilizam a Bolacha logo abaixo da Bandeira do Brasil. Por não ter seu uso difundido, optamos por não mostrá-la nas artes com o macacão de voo da Marinha e do Exército.

O conteúdo que que você acabou de acessar, teve o objetivo de trazer algum conhecimento sobre a Heráldica dentro da Aviação Militar brasileira e de como seus elementos são utilizados na confecção e apresentação dos Emblemas das Organizações Militares ligadas com a atividade aérea. Em breve, o site Aviação em Floripa estará publicando uma série de matérias com os Emblemas e muitas outras informações a respeito de todas as Unidades Aéreas atualmente operacionais na Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil e Exército Brasileiro.


quinta-feira, 18 de maio de 2023

Base Aérea de Florianópolis comemora 82 anos

 

Aconteceu na manhã desta quarta-feira, 17 de maio, a Solenidade Militar alusiva aos 82 anos da Base Aérea de Florianópolis (BAFL). O evento teve um duplo significado este ano, pois também marcou o centenário do Centro de Aviação Naval de Santa Catarina, Organização Militar da Marinha do Brasil, ativado em 10 de maio de 1923 e que atuou na capital catarinense até 20 de janeiro de 1941, data de criação da Força Aérea Brasileira, dando origem à atual Base Aérea de Florianópolis.  A Cerimônia foi presidida pelo Comandante do Quinto Comando Aéreo Regional (V COMAR), Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Fornasiari Rivero e contou com a presença de diversas autoridades civis e militares. Acompanhe a partir de agora, através de imagens, alguns momentos da Formatura.


Vista geral do Palanque de Autoridades.

A Solenidade foi presidida pelo Comandante do V COMAR, Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Fornasiari Rivero (à esquerda). Ao seu lado, o Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Tenente-Coronel Aviador Jaques da Silva Valle.


Tropa perfilada no pátio.



Em virtude do centenário de criação do Centro de Aviação Naval, este ano a Solenidade contou com a presença de uma fração de tropa da Marinha do Brasil, representada por militares da Escola de Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina (EAMSC), Organização Militar também sediada em Florianópolis.

Autorização para o início da Solenidade Militar.




Entrega de Diploma de Mérito Logístico.



Pavilhão Nacional tomando lugar de destaque na Formatura.






Entrega de Medalhas por tempo de serviço.

Leitura da Ordem do Dia, feita pelo Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Tenente-Coronel Aviador Jaques da Silva Valle.





Encerrando a Solenidade, o tradicional Desfile Militar da Tropa.



quarta-feira, 17 de maio de 2023

100 anos de Aviação Militar em Florianópolis

 

10 de maio de 1923. Nesta data, há exatos cem anos, era criado pela Marinha do Brasil, o Centro de Aviação Naval de Santa Catarina, em Florianópolis, marcando de forma definitiva a presença da Aviação Militar na capital catarinense. Este mês também é especial para a Base Aérea de Florianópolis, pois o próximo dia 22, marca o 82º aniversário da Organização Militar. Para celebrar estas duas importantes datas que se entrelaçam com o próprio desenvolvimento da atividade aérea em terras catarinenses, o site Aviação em Floripa preparou esta matéria duplamente especial, na qual vamos contar um pouco da centenária história da Aviação Militar em Florianópolis, através dos principais acontecimentos que nortearam esta trajetória. Ao mesmo tempo, nossos leitores encontrarão um conteúdo diversificado sobre a Base Aérea de Florianópolis, mostrando não apenas as suas aeronaves, Unidades Aéreas que aqui foram sediadas ou os grandes Exercícios Operacionais. Sua história é muito mais rica e abrangente. Nesse sentido, publicamos também informações a respeito da relação da BAFL com a sociedade catarinense, além de detalhes de sua atual estrutura. Enfim, esperamos que apreciem o trabalho que passamos a apresentar a partir de agora e tenham todos uma boa leitura!

Nota Editorial: Para a elaboração desta matéria, contamos com o apoio fundamental da Seção de Comunicação Social da Base Aérea de Florianópolis (SCS/BAFL) e da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), sobretudo na obtenção das imagens históricas. Também foram utilizadas diversas fotos, analógicas e digitais, pertencentes ao acervo do autor, obtidas durante mais de 30 anos acompanhando eventos e treinamentos na Base Aérea de Florianópolis. O texto foi subsidiado por pesquisas em livros e websites, que serão referenciados ao final da matéria.


A Fase Naval (1923-1941)

No início da década de 20 do século passado, a Aviação Naval dava seus primeiros passos rumo à expansão de suas asas. Criada em 23 de agosto de 1916, pela iniciativa de visionários como o Primeiro-Tenente Jorge Henrique Möller, que viam com grande entusiasmo, já naquela época, a utilização de meios aéreos atuando em conjunto com navios, como uma forma eficaz de projeção do Poder Naval. Logo se percebeu a importância das atividades aéreas como um elemento fundamental para a Esquadra e para o desenvolvimento do país. Prova disso, foram os chamados “reides aéreos”, voos de longa distância entre vários pontos do território nacional e até mesmo a outros locais da América do Sul, provando o papel do avião como uma valiosa ferramenta de vigilância, observação e integração. Além dos reides, os voos de patrulhamento da costa durante a Primeira Guerra Mundial mostraram a necessidade de locais espalhados ao longo do litoral para servir como ponto de apoio às operações aeronavais. 

Em fins de 1921, a Aviação Naval começou a passar por uma grande reestruturação, tendo como um de seus pontos centrais, o projeto de "Organização Aérea para Defesa do Litoral Brasileiro". A ideia não era nova e essa necessidade vinha sendo observada desde os voos de vigilância da costa brasileira durante a Primeira Guerra Mundial. Face a esta realidade, visando o incremento das atividades aéreas da Marinha e o reforço da ligação com o Sul do país, é que foram criados os Centros de Aviação Naval nas cidades do Rio de Janeiro/RJ, Santos/SP e Florianópolis/SC. Outras Bases estavam no radar, a serem ativadas nos Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Belém, guarnecendo nossa costa de ponta a ponta. Em 18 de novembro de 1923, o Serviço de Defesa Aérea do Litoral foi oficialmente criado, porém, logo em seguida, extinto, surgindo em seu lugar à Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM). Em sua efêmera existência, o sistema, que deveria contar com pelo menos sete bases de apoio, deixou como legado os três Centros já estabelecidos, isto é, aqueles com áreas adquiridas e com a construção das instalações já concluídas ou em estágio avançado de finalização.

Imagens do Centro de Aviação Naval de Santa Catarina na década de 1930. Fonte: DPHDM/MB

Vista aérea das instalações em Florianópolis. Fonte: SCS/BAFL

Identificação das principais estruturas da Base de Aviação Naval de Florianópolis (1939). Fonte: DPHDM/MB

É nesse contexto que em 10 de maio de 1923, o Ministro de Negócios da Marinha, Almirante Alexandrino Faria de Alencar, criou o Centro de Aviação Naval de Santa Catarina, tendo sido nomeado, de forma interina, o Capitão de Fragata Luiz Pereira Pinto Galvão, seu primeiro Comandante. No mesmo ano, foram iniciadas as obras nos terrenos denominados de Caiacanga e Ressacada, doados pelo Governo do Estado de Santa Catarina e pelo Ministério da Guerra, respectivamente. No começo da década de 30, boa parte das instalações estavam edificadas e prontas para iniciar a operação com aeronaves, o que passou a acontecer a partir de 1932, quando o Centro de Aviação Naval recebeu seu primeiro avião, um monomotor biplano Consolidated NY-2, utilizado para o adestramento dos pilotos navais lotados na Unidade.

Consolidated NY-2, primeiro avião da Aviação Naval a operar de forma regular em Florianópolis. Fonte: Livro "100 Anos - Aviação Naval".

Aeronave de Havilland Moth vista no acesso ligando o Centro de Aviação Naval ao campo de pouso da Ressacada. Fonte: SCS/BAFL

Fonte: Livro "Base Aérea de Florianópolis: 90 Anos de história".

Um parêntese nessa história, digno de nota, diz respeito à presença da Companhia Latécoère (mais tarde rebatizada como Aéropostale) em Florianópolis. No começo de 1925, o então campo de pouso da Ressacada recebeu uma missão francesa liderada pelo piloto Paul Vachet, tendo como objetivo, encontrar um local apropriado para servir como escala nas operações do serviço aéreo postal da empresa, ligando a Europa à América do Sul, sendo escolhida uma área no bairro Campeche para esta finalidade. O desfecho desta história é bem conhecido de todos e colocou Florianópolis não apenas na rota da aviação, mas também nas páginas da literatura mundial. Entre os pilotos da Companhia estava ninguém menos que Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico "O Pequeno Príncipe". Por diversas vezes, o piloto e escritor francês passou pela capital catarinense, deixando aqui profundas marcas que até os dias atuais permanecem vivas no bairro que abrigou o campo de pouso.

Chegada dos pilotos do primeiro Raid Latécoère na Ressacada, em Florianópolis, 14/01/1925. Fonte: Fondation Latécoère, via https://amab-zeperri.com/exposicoes/florianopolis/

Fonte: SCS/BAFL

Marco Histórico do Campeche, em homenagem à Companhia Aéropostale e seus pilotos. Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (arquivo pessoal)

Visita do Senhor François d'Agay, sobrinho e afilhado de Antoine de Saint-Exupéry, a Florianópolis, sendo recepcionado nas dependências da Base Aérea, em outubro de 2008. Fonte: SCS/BAFL

Desde o início, o Centro de Aviação Naval de Santa Catarina teve um papel fundamental em apoio ao Correio Aéreo Naval. No ano de 1934, um WACO CSO iniciou uma rota semanal, partindo do Galeão para Santos, Paranaguá e Florianópolis, itinerário este que passou a ser uma das Linhas-Tronco do Correio Aéreo Naval, ampliada na sequência, até a cidade de Rio Grande. Com a extensão dos voos até o extremo sul do país e o aumento da frequência (de uma para duas vezes por semana), a agora denominada Base de Aviação Naval de Florianópolis ganhou um reforço na sua infraestrutura, com a construção de uma rampa para o deslocamento das aeronaves da água para terra e vice-versa, além de melhorias no campo de pouso da Ressacada. Aviões de vários modelos, como os Vought Corsair, de Havilland DH-60 Moth e DH-82 Tiger Moth, entre outros, agora eram vistos com regularidade pelos céus da capital catarinense. Nos anos seguintes, a Base Aérea Naval de Florianópolis seguiu sua rotina de adestramento e em apoio ao serviço postal da Marinha, até a chegada da década de 40, quando uma grande mudança ocorreu na Aviação Militar brasileira.

Biplano de Havilland Moth, decolando pela pista 03/21 do campo de pouso da Ressacada. Fonte: SCS/BAFL

Rotas operadas pelo Correio Aéreo Naval em 1939. Fonte: https://www.naval.com.br/anb/ANB-historico/ANB-hist11_CAN.htm

WACO CPF-5, montado sobre flutuadores, sendo abastecido no Centro de Aviação Naval em Florianópolis, durante a década de 30. Fonte: https://www.marinha.mil.br/comforaernav


Nas imagens acima, três aviões Savoia Marchetti S-55A durante passagem por Florianópolis, em fevereiro de 1932. Autor das fotos: Jorge Kfouri, via DPHDM/MB


Sai o Branco... entra o Azul!


O ano era 1941. A Segunda Guerra Mundial seguia em franca expansão dos combates pelo continente europeu e no fim daquele ano se tornaria global, com o ataque japonês a Pearl Harbor e a consequente entrada dos Estados Unidos no conflito. O componente aéreo centralizado em uma estrutura própria, unificando seu emprego e a tomada de decisões, era um conceito que já vinha sendo adotado com sucesso por diversos países e que teve sua importância validada de forma definitiva com a eclosão da guerra. No Brasil, essa ideia também ganhava força e assim, em 20 de janeiro de 1941, o Decreto-Lei nº 2.961 instituiu o Ministério da Aeronáutica, extinguindo as Aviações Militar e Naval e ao mesmo tempo criando as Forças Aéreas Nacionais, denominação esta alterada logo depois para Força Aérea Brasileira, pelo Decreto-Lei nº 3.302, de 22 de maio do mesmo ano.

Com a mudança, todos os meios aéreos, pessoal, equipamentos e instalações que pertenciam à Arma da Aeronáutica do Exército (Aviação Militar) e ao Corpo de Aviação da Marinha (Aviação Naval), foram incorporados à Força Aérea Brasileira. Assim, em 22 de maio de 1941, pelo mesmo Decreto (3.302/41), a outrora Base de Aviação Naval de Florianópolis passou a ser denominada como Base Aérea de Florianópolis, tendo como seu primeiro Comandante, o Tenente-Coronel Aviador Epaminondas Gomes dos Santos. Ao longo do tempo, a Base Aérea de Florianópolis recebeu diversas designações diferentes (veja figura abaixo), entretanto, a Organização Militar manteve-se como fiel guardiã do legado deixado por aqueles que iniciaram a história da aviação na capital catarinense.


Infográfico com a linha do tempo  trazendo as diferentes denominações dadas pela Marinha e Força Aérea Brasileira. Autor: Marcelo Lobo da Silva

Nascida durante o calor dos combates da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira não demorou para ter seu batismo de fogo, primeiramente com o afundamento de um submarino italiano ao largo do litoral nordestino e logo depois, com a participação do 1º Grupo de Caça nos céus da Itália. Ao mesmo tempo, apoiando o esforço de guerra contra as forças do Eixo, diversos pontos da costa brasileira serviram como bases de apoio, de onde partiam aeronaves de países aliados e da FAB em missões de vigilância e patrulha, sobretudo contra a constante presença de submarinos alemães e italianos que, em suas ações, afundaram inúmeros navios mercantes, ceifando a vida de centenas de brasileiros. A Ilha de Santa Catarina, por sua posição estratégica, foi um destes locais e a Base Aérea de Florianópolis operou durante os anos de conflito, com aeronaves Martin PBM-3 "Mariner" da Marinha dos Estados Unidos e da própria Força Aérea Brasileira, como os Focke-Wulf 58 “Weihe”, Grumman J4F-2 “Duck” e Consolidated PBY-5 “Catalina”, entre outras, realizando missões de patrulha marítima e proteção de comboios ao longo da costa sul do Brasil. 

Martin PBM-3 Mariner pertencente ao Esquadrão VP-74 da Marinha dos Estados Unidos. A aeronave da foto possivelmente operou a partir da Base Aérea de Florianópolis. As marcações de submarinos estampadas na fuselagem indicam a participação dela nos ataques aos U-Boats alemães U-128 e U-513, este último, afundado ao largo da capital catarinense, em 19/07/1943. Fonte da imgem: http://www.spmodelismo.com.br/howto/am/antissub2.php

Os primeiros anos de vida da Força Aérea Brasileira foram intensos. Além do engajamento e participação na Segunda Guerra Mundial, foi preciso forjar todo um conjunto de elementos para o funcionamento da nova arma aérea, tais como, a criação de diversas Organizações Militares e Unidades Aéreas, estabelecimento de doutrinas de emprego operacional, qualificação e treinamento de pessoal, entre tantas outras atribuições necessárias para o pleno emprego do Poder Aéreo. A Base Aérea de Florianópolis acompanhou essas mudanças. Em um intervalo curto de tempo, seguindo alterações na própria estrutura organizacional da FAB, a Base recebeu diferentes denominações: 14º Corpo de Base Aérea (1942), Base Aérea de 2ª Classe (1944) e Destacamento de Base Aérea (1947). As instalações e a infraestrutura para apoiar as aeronaves também tiveram um incremento substancial, com a pavimentação do pátio e pista de acesso, além da construção de diversas edificações em complemento ao conjunto já existente desde a época da Marinha. Entre as novas obras, estavam o prédio para abrigar o Comando da Base, imóveis residenciais e administrativos.

Construído entre os anos de 1942-43, o imponente prédio do Comando se destaca na paisagem e foi a primeira obra a ser concluída pela FAB na então recém-criada Base Aérea de Florianópolis. Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (arquivo pessoal)

A área anexa à Base Aérea de Florianópolis, antigamente conhecida como campo de pouso da Ressacada acompanhou o desenvolvimento da atividade aérea na capital, tornando-se o que é hoje o Aeroporto Internacional Hercílio Luz. Data de 1935, o primeiro voo de passageiros, ligando as cidades de Florianópolis e São Paulo, realizado pela empresa Aerolloyd Iguassú. A partir da década de 50, com a construção do pátio de estacionamento de aeronaves e da Estação de Passageiros, o local se modernizou para começar a receber aeronaves comerciais de maior porte. Em 1945, foi erguida pelos norte-americanos, a primeira Torre de Controle, feita de madeira, substituída por outra, de concreto, em fins da década de 60, época em que foi criado o Destacamento de Proteção ao Voo de Florianópolis. Em 1974, a empresa estatal INFRAERO recebeu a jurisdição do aeroporto e um novo Terminal de Passageiros foi inaugurado em 14 de agosto de 1976. Em 3 de outubro de 1995, o Aeroporto de Florianópolis foi elevado à categoria Internacional pelo então Ministério da Aeronáutica. Hoje em dia, é administrado pela iniciativa privada e conta com um novo e moderno Terminal de Passageiros, inaugurado em 28 de setembro de 2019. Suas duas pistas, a 14/32 (2.400 metros de extensão por 45 m de largura e pavimentação asfáltica) e 03/21 (1.320 m x 45 m, revestida por concreto), além de atender os tráfegos civis e comerciais, também são utilizadas pelas aeronaves militares que operam em Florianópolis. A Base Aérea de Florianópolis se conecta às pistas por um acesso chamado de Taxiway "C" ou "Charlie", ligação esta que existe desde os tempos de Marinha, cumprindo a mesma função, ou seja, naquela época, unindo o antigo Centro ao campo de pouso da Ressacada.

Registros fotográficos do Aeroporto de Florianópolis em fins da década de 60, com destaques para a pista 14/32 (em construção) e a Torre de Controle. Ao fundo nas imagens, pode se ver a pista 03/21, primeira a ser utilizada na capital catarinense, já pavimentada. Fonte das imagens: SCS/BAFL

Fonte: Livro "Base Aérea de Florianópolis: 90 anos de história".

Fontes: Livro "Base Aérea de Florianópolis: 90 anos de história"/SCS/BAFL



Aeronaves e Unidades Aéreas


Desde sua criação, em 1941, a Base Aérea de Florianópolis hospedou e operou com os mais diversos tipos de aeronaves. Em um primeiro momento, como já visto, a atividade aérea teve uma forte ligação com o apoio às ações de patrulhamento do litoral brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término do conflito, a movimentação em seu pátio e hangares, de maneira geral, passou a estar relacionada ao contínuo e permanente adestramento da Força Aérea Brasileira, através de suas operações aéreas e treinamentos ou então, ao trânsito de aeronaves militares em passagem pela capital catarinense. Porém, havia a necessidade da Base ter seus próprios meios aéreos para realizar o transporte de pessoal, serviços administrativos fora da sede e a ligação com as demais Organizações Militares da FAB. Conhecidas como aeronaves orgânicas, a partir de meados da década de 40 até 2016, a Base Aérea de Florianópolis operou, de acordo com estudos realizados pelo entusiasta da aviação e pesquisador aeronáutico Giulliano Frassetto, variados modelos, tais como, Focke-Wulf Fw58 "Weihe", Beechcraft "Model 18" (AT-7/C-45), Consolidated CA-10 "Catalina", Vultee BT-15 "Valiant", North American T-6 "Texan" em diferentes versões, Neiva 360 "Regente", Embraer 810 "Seneca", Cessna 208 "Caravan", entre outros.

Infográfico com alguns dos modelos de aeronaves utilizados pela Base Aérea de Florianópolis, segundo o levantamento realizado pelo pesquisador Giulliano B. Frassetto. Autor: Marcelo Lobo da Silva

Aeronave Beechcraft AT-7/C-45, FAB 1598, em manutenção nos hangares da Base Aérea de Florianópolis. Foto: SCS/BAFL

U-42 Regente com a matrícula FAB 2994, utilizado pela BAFL entre os anos de 1988 e 1993, visto no Aeroclube de Santa Catarina. Foto: Giulliano B. Frassetto

C-95 Bandeirante, FAB 2176, no Portões Abertos de 2000. Foto: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

U-7 Seneca, FAB 2630, no pátio da Base Aérea de Florianópolis. Foto: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

C-98 Caravan, FAB 2706 em pintura cinza e branca (2011)...

...e camuflada (2014). Esta aeronave serviu à BAFL entre os anos de 2004 a 2016. Fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Com relação às aeronaves de passagem pela capital catarinense, destaca-se em duas oportunidades (2008 e 2013), a presença da Fuerza Aerea Uruguaya (FAU) em Florianópolis, como uma das escalas técnicas em sua longa jornada até Natal/RN, a fim de participar das edições do Exercício Multinacional CRUZEX. Ao longo de sua história, a Base Aérea de Florianópolis, também recebeu vários Presidentes da República, Autoridades Militares e Chefes de Estado, em compromissos oficiais ao Estado de Santa Catarina. Nesse aspecto, uma das visitas mais marcantes foi a do Papa João Paulo II, em outubro de 1991, em sua viagem por diversas capitais brasileiras, incluindo Florianópolis.

Fuerza Aerea Uruguaya em Florianópolis (2013). Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Quase todos os Presidentes do Brasil, militares e civis, passaram pelo pátio da Base Aérea de Florianópolis, por ocasião de compromissos na capital catarinense. Todas as fotos: SCS/BAFL

Passagem do Papa João Paulo II, pela Base Aérea, durante sua visita a Florianópolis, em outubro de 1991. Foto: SCS/BAFL

O início do ano de 1972 trouxe uma grande novidade para a Base Aérea de Florianópolis. Pela primeira vez a Organização Militar estava sediando uma Unidade Aérea, o 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação, conhecido como Esquadrão "Pelicano", um dos Esquadrões mais tradicionais e importantes da FAB, dedicado ao cumprimento de missões de Busca e Salvamento (SAR, do inglês Search And Rescue). O 2º/10º GAv foi criado em 6 de dezembro de 1957, na Base Aérea de São Paulo, em Cumbica, operando inicialmente aviões Grumman SA-16 "Albatroz" e helicópteros Sikorsky SH-19. Ao chegar a Florianópolis, o Esquadrão já tinha como seu vetor de asas rotativas, o Bell SH-1D atuando em conjunto com os "Albatroz". Ainda no mesmo ano, a Unidade recebeu os primeiros UH-1H, versão mais potente e capaz do SH-1D. Não demorou muito para que o treinamento e a capacidade de emprego da Unidade Aérea fossem colocadas à prova em seu novo lar. Nos anos de 1973-74, as cidades de Florianópolis e Tubarão (localizada no sul catarinense), respectivamente, foram atingidas por intensas chuvas, demandando um grande esforço e dedicação por parte de todos os integrantes em dezenas de horas voadas no socorro à população atingida pela catástrofe. Cerca de oito anos após sua chegada a Florianópolis, atendendo a novas diretrizes da FAB (que buscava uma localização mais central para sua Unidade especializada em Busca e Resgate e assim, poder atender com mais rapidez e agilidade, ocorrências em qualquer ponto do país), em 20 de outubro de 1980, o Esquadrão "Pelicano" se despediu da capital catarinense, sendo transferido para a Base Aérea de Campo Grande (MS), local onde permanece até os dias atuais.

Esquadrão Pelicano em Florianópolis (1972-1980). Todas as fotos: SCS/BAFL

Pouco tempo após a revoada dos Pelicanos para o Centro Oeste brasileiro, não tardou para que uma outra ave, desta vez, mitológica, fizesse seu "ninho" em Florianópolis. Estamos falando do Esquadrão "Phoenix". O 2º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação foi criado pela Portaria Reservada nº 298/GM3, de 11 de setembro de 1981 e ativado em 15 de fevereiro de 1982, tendo como vetor, o P-95 Bandeirante Patrulha. Até meados da década de 70, a FAB possuía apenas um Esquadrão de Patrulha Marítima, o Esquadrão "Orungan", sediado em Salvador/BA e equipado com os Lockheed P-15 "Neptune", aviões com grande autonomia de voo mas já próximos da aposentadoria. Com a entrada em serviço do EMB-111 Bandeirante Patrulha, uma aeronave mais moderna, porém, com alcance menor, a FAB decidiu criar novas Unidades Aéreas com o objetivo de continuar tendo uma efetiva vigilância sobre o extenso litoral brasileiro. Este é o motivo principal que levou à criação do Esquadrão "Phoenix" (2º/7º GAv, Florianópolis/SC) e, algum tempo depois, do Esquadrão "Netuno" (3º/7º GAv, Belém/PA). Durante os anos em que operou na capital catarinense (1982-2016), era constante a presença dos "Bandeirulhas", como esses aviões são carinhosamente chamados, pelos céus da ilha e região próxima. Com sua silhueta característica e de fácil identificação, principalmente pelo seu proeminente radome que abriga o radar de busca, essas aeronaves se incorporaram à paisagem da capital catarinense e deixaram saudades por aqui, quando a Unidade Aérea foi transferida para a Base Aérea de Canoas, em fins de 2016.

Solenidade de ativação do 2º/7º GAv, em fevereiro de 1982. Fonte: SCS/BAFL

Primeiro voo operacional do Esquadrão Phoenix, em março de 1982. Fonte: SCS/BAFL

Esquadrão Phoenix em Florianópolis (1982-2016). Todas as fotos: CECOMSAER/FAB


Afiando o Sabre Alado


A Ilha de Santa Catarina, que abriga a maior parte da cidade de Florianópolis, é famosa pela sua exuberância paisagística e pelas belas praias. Sua posição estratégica já era há muito tempo conhecida, desde os tempos coloniais, prova disso, são as diversas fortalezas construídas pelos portugueses em seu entorno. Não por acaso, também foi escolhida pela Marinha como uma das guardiãs e ponto-chave para a defesa de nosso litoral. Após a criação da Base Aérea de Florianópolis, logo se percebeu que a geografia da ilha e região próxima, reuniam um conjunto de ambientes naturais ideais para o treinamento das diversas Unidades Aéreas da FAB, principalmente, aquelas ligadas à missão de Busca e Salvamento (SAR). Entre os principais atrativos, estavam a própria posição da Base Aérea de Florianópolis, de frente para a Baía Sul, uma porção abrigada de mar, com águas calmas, situada entre a costa oeste da ilha e a região continental. Localizada a poucos minutos de voo, resultando em substancial economia de tempo e combustível e por consequência, maior tempo útil de treinamento, a área oferece um cenário perfeito para a simulação de resgates em ambientes aquáticos. Outro aspecto favorável diz respeito ao próprio apoio logístico da Base, tanto para os integrantes das Unidades Aéreas (refeição, alojamento e assistência médica) quanto para as aeronaves (manutenção, abrigo e segurança). Fechando a tríade, que faz de Florianópolis um dos melhores locais do país para a realização de Operações Aéreas, está o baixo volume de tráfegos aéreos comerciais e civis, comparado com grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. Isso garante uma fluidez maior nas ações de decolagem e pousos e, ao mesmo tempo, diminui a chance de incidentes ou conflitos com outras aeronaves. Por trás de toda essa organização e controle no céu, está o fundamental apoio do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Florianópolis (DTCEA-FL), localizado junto ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz e responsável por monitorar e gerenciar toda a movimentação aérea ao redor da capital catarinense.

Aviação de Caça reunida em Florianópolis para o TAC 2007. Fonte: SCS/BAFL

Pelo conjunto de motivos elencados no parágrafo anterior, ao longo do tempo, a Base Aérea de Florianópolis se tornou quase o segundo lar de algumas Unidades Aéreas da FAB, que aqui buscam realizar o treinamento e a qualificação de suas equipagens. Entre elas, podemos citar o Esquadrão "Pantera" (Santa Maria/RS) e seus rotineiros exercícios chamados de "Mata Pato" (Ataque contra alvos aéreos e terrestres) e "Guasca", focado na atividade de Busca e Salvamento. Outro frequentador assíduo é o Esquadrão "Gordo", com sede no Rio de Janeiro e equipado com os grandes quadrimotores C-130 Hércules (em processo de substituição pelo KC-390 Millennium), tendo a capital catarinense como palco de exercícios como o "ManeSAR", voltados para o adestramento de missões de Busca e Resgate sobre ambientes marítimos e terrestres.

Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Florianópolis também recebe com frequência, treinamentos operacionais de maior envergadura, reunindo ao mesmo tempo, várias Unidades Aéreas e centenas de militares. Entre estes, podemos citar a FAEX, OPERAER e o Exercício Carranca. Em 2002, a Base participou da primeira edição de exercício multinacional CRUZEX (Brasil, França e Argentina), abrigando em sua sede, os caças supersônicos Northrop F-5E/F Tiger II do Esquadrão "Pampa" (Canoas/RS), que atuaram, dentro do contexto do exercício, como a força atacante do "País Vermelho". Outro destaque foi o Torneio da Aviação de Caça, em 2007, com a participação de todas as Unidades Aéreas de Caça da FAB de norte a sul do país, além de outros Esquadrões de apoio e convidados, totalizando cerca de 40 aeronaves de combate reunidas  na capital catarinense.

Organizada pela extinta Segunda Força Aérea (II FAE), o treinamento reunia em Florianópolis, todos os Esquadrões de Patrulha, Asas Rotativas e Busca e Salvamento da FAB. Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

A OPERAER aconteceu no segundo semestre de 2002 e foi uma das maiores operações aéreas já realizadas em Santa Catarina, tanto em duração quanto no número de militares e aeronaves participantes. Todas as fotos: SCS/BAFL

Focada na atividade de Busca e Salvamento e sob coordenação do DECEA e COMPREP, o Exercício Operacional Carranca é um dos maiores treinamentos anuais da Força Aérea Brasileira. Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Em maio de 2002, o Esquadrão "Pampa" deslocou parte de seus caças F-5E/F Tiger II para Florianópolis, como parte da primeira edição do Exercício Multifuncional CRUZEX. Fotos: SCS/BAFL / Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Por ter abrigado durante muito tempo um Esquadrão de Patrulha, a Base Aérea de Florianópolis, em diversas ocasiões foi sede da Reunião da Aviação de Patrulha (RAP), realizada anualmente no mês de maio, congregando as suas Unidades Aéreas, composta por competições operacionais e desportivas, além de uma Solenidade Militar alusiva ao Dia da Aviação de Patrulha, comemorado no dia 22 de maio. Além da troca de experiências e intercâmbio, o encontro serve para reforçar os laços de amizade entre a nova e a velha geração de patrulheiros. Atualmente, as três Bases Aéreas da FAB que sediam Unidades Aéreas de Patrulha são, Santa Cruz/RJ (1º/7º GAv, Esquadrão "Orungan"), Canoas/RS (2º/7º GAv, Esquadrão "Phoenix") e Belém/PA (3º/7º GAv, Esquadrão "Netuno").

Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)


A mão amiga da sociedade catarinense


Embora tenha um caráter essencialmente militar, a Base Aérea de Florianópolis desde sua criação, manteve uma relação muito próxima com a sociedade catarinense. Ao longo do tempo, os laços de amizade se fortaleceram de muitas formas. Em diversos momentos de sua história recente, Santa Catarina, foi marcada por eventos climáticos extremos, causando incontáveis prejuízos econômicos e a perda de centenas de vidas. Em todos esses episódios, a BAFL foi protagonista nas ações de ajuda e apoio à população, mobilizando seu efetivo e transformando seu pátio no ponto de partida para que as aeronaves pudessem prestar o necessário auxílio e socorro às vítimas. Nesse sentido, destaca-se o papel desempenhado pela Força Aérea Brasileira, por intermédio da Base Aérea de Florianópolis, nas catástrofes naturais de 1974, na região sul catarinense e nos anos de 1983 e 2008, no Vale do Itajaí.

Quando o socorro que vem do céu se fez necessário, lá estava a FAB para levar auxílio a quem mais precisava. Todas as fotos: FAB

O vínculo da Base Aérea de Florianópolis com a sociedade civil não se expressa apenas em situações de calamidade, mas também praticando a solidariedade, o incentivo à cidadania e à inclusão, através da presença em festividades e apoio a iniciativas sociais, culturais e esportivas. São inúmeras as atividades e projetos em benefício da população. Entre eles, podemos citar a participação da Base Aérea de Florianópolis nas edições da Feira da Esperança, evento organizado anualmente pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em Florianópolis, com o objetivo de arrecadar recursos para o atendimento nas áreas de saúde, educação e assistência social para crianças, jovens e adultos. Ainda com relação à APAE, a Base promove em suas dependências, no mês de Janeiro, uma Colônia de Férias para os alunos da instituição. Durante quase três semanas, os participantes ficam hospedados nos alojamentos da BAFL e vivenciam experiências para ampliar o espírito de grupo, cooperação, dignidade e respeito. A Base Aérea, além de oferecer a hospedagem, proporciona o apoio médico e logístico para as diversas atividades culturais da programação.

Participantes da Colônia de Férias da APAE. Foto: BAFL

Outros dois projetos sociais de extrema relevância são o "Caravana do Ar" e o Programa Forças no Esporte (PROFESP). Enquanto o primeiro é uma iniciativa da própria Base Aérea de Florianópolis, voltado para as crianças residentes nas comunidades vizinhas à Instituição, o segundo é mais amplo e envolve diversas Organizações Militares da Força Aérea, Marinha e Exército pelo país afora. Entretanto, ambos apresentam os mesmos objetivos, ou seja, democratizar a prática e a cultura do esporte, além de promover o pleno exercício da cidadania e a inclusão, principalmente para as crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Os alunos que participam dos programas na BAFL, realizam as atividades duas vezes por semana, no contraturno escolar. Entre as modalidades oferecidas, estão a prática do rugby, muay thai, basquete, judô e aulas de música. Após uma pausa em 2020 por causa da pandemia, aos poucos os projetos estão sendo retomados.

Fotos: BAFL / Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

A caçula das práticas esportivas na Base Aérea de Florianópolis é a patinação artística. O projeto começou este ano e passou a integrar o Programa Forças no Esporte (PROFESP) da BAFL, atualmente coordenado pelo Coronel Tolosa. Além de propiciar um local para o treinamento e preparação da equipe comandada pelo técnico Alisson Gassen, visando as competições nacionais e internacionais, a chegada da patinação na BAFL vai proporcionar às crianças participantes do programa, a oportunidade de ter um contato mais próximo com um esporte ainda pouco difundido no país. De acordo com Caroline Assur, mãe de uma integrante da equipe e uma das responsáveis pela ida do projeto para a BAFL, as aulas inicialmente terão uma frequência semanal e atenderão seis crianças. Ela, que também é patinadora complementa, "ao longo do ano, iremos buscar a ampliação do projeto, comprando novos patins para inclusão de mais crianças. O interesse é divulgar o esporte pouco conhecido e, após essa iniciação, queremos através de novas oportunidades, incluir essas crianças nas competições tornando possível o ingresso delas na área profissionalizante, podendo também trazer oportunidades de uma carreira para elas".

Equipe de patinação artística nas dependências da BAFL. Fotos: Izabel Tozatto e Alisson Gassen, via Caroline Assur

O mês de outubro é de festa na Força Aérea Brasileira. O dia 23 marca a conquista definitiva do ar pela genialidade de um brasileiro, Alberto Santos Dumont. Neste dia, em 1906, o aviador alçou voo com seu 14 Bis, no Campo de Bagatelle, em Paris e, diante de uma plateia atônita e maravilhada, provou que voar por meios próprios e de forma sustentada, não era privilégio apenas dos pássaros. Em memória a este fato marcante, o dia 23 de outubro é reconhecido como o "Dia do Aviador" e o "Dia da Força Aérea Brasileira". Muito além dessa homenagem, as diversas Organizações Militares da FAB espalhadas pelo país, realizam uma série de atividades internas e externas durante o mês de outubro. A principal delas e a mais aguardada é o evento chamado de "Portões Abertos", um dia repleto de atrações e atividades, no qual a população tem a oportunidade em conhecer de perto as aeronaves e as atividades exercidas pelos militares da FAB. Na capital catarinense não é diferente e, em cada edição, o tradicional evento costuma atrair milhares de pessoas ao pátio da Base Aérea de Florianópolis. Sem acontecer desde 2019, por causa da pandemia, este ano a festividade retorna, tendo inclusive, sua data já confirmada para 14 de outubro.

Vista aérea do Portões Abertos da BAFL, em outubro de 2008. Fonte: SCS/BAFL

Portões Abertos da BAFL, na terra ou no céu, sempre uma grande festa! Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)


A Base Aérea de Florianópolis hoje


A Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está localizada na cidade de mesmo nome, capital do Estado de Santa Catarina. A missão da Base é a de proporcionar o apoio administrativo às Unidades sediadas, bem como às frações de Unidades Militares que estejam operando nela deslocadas. Além disso, tem por finalidade,  executar as atividades de preparo e emprego das Unidades Militares subordinadas, desdobradas e em trânsito, bem como a execução dos processos finalístico, de gestão e de suporte, conforme diretrizes, planos e ordens dos Comandos Superiores. É subordinada operacionalmente ao Comando de Preparo (COMPREP, Brasília/DF) e administrativamente ao Quinto Comando Aéreo Regional (V COMAR, Canoas/RS). A Base Aérea de Florianópolis faz parte, juntamente com o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Florianópolis (DTCEA-FL), da Guarnição de Aeronáutica de Florianópolis (GUARNAE-FL), criada pela Portaria  nº 331/GM3, de 3 de junho de 1991. A BAFL é composta pelas seguintes estruturas: Esquadrão de Comando (EC), Grupo Operacional (GOP), Grupo de Serviços de Base (GSB), Grupo Logístico (GLOG), Grupo de Segurança e Defesa (GSD) e Grupo de Saúde (GSAU). Seu atual Comandante é o Tenente-Coronel Aviador Jaques da Silva Valle, no cargo desde 11 de janeiro de 2022.


Estrutura atual da Base Aérea de Florianópolis. Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva (acervo pessoal)

Fonte: BAFL

Fonte: BAFL

Fonte: BAFL


Agradecimentos


O site Aviação em Floripa parabeniza a Base Aérea de Florianópolis pelos seus 82 anos de criação e saúda também a Aviação Naval da Marinha do Brasil pelo pioneirismo em ter iniciado toda esta história, ajudando na consolidação da Aviação no Estado de Santa Catarina e no próprio desenvolvimento da capital catarinense. Gostaríamos de agradecer ao Comando da Base Aérea de Florianópolis e a sua Seção de Comunicação Social, que nos abriram todas as portas e deram acesso irrestrito para a pesquisa de imagens e informações em seus livros históricos. À Secretaria de Comando, pelos dados relativos ao atual Comandante. Agradecimento também à Marinha do Brasil pelo inestimável apoio, através da Diretoria de Patrimônio Histórico pelo envio de imagens do Centro de Aviação Naval de Santa Catarina. Enfim, a todos que de alguma forma, contribuíram e auxiliaram na realização desta matéria.


Bibliografia


FGV Projetos. 100 Anos da Aviação Naval no Brasil. Rio de Janeiro: FGV Projetos, 2016.

BAFL. Base Aérea de Florianópolis: 90 Anos de História. Florianópolis, 2013

FLORES JR, Jackson. Aeronaves militares brasileiras: 1916-2015. 1 ed. Rio de Janeiro: Action, 2015.

2º/10º GAv - Esquadrão Pelicano. Spotter, 2001. Disponível em: <http://www.spotter.com.br/ esquadroes/pelicano_02.htm>. Acesso em: 10 de abr. de 2023.

2º/7º GAv - Esquadrão Phoenix. Spotter, 2001. Disponível em: <http://www.spotter.com.br/esquadroes/ phoenix_02.htm>. Acesso em: 12 de abr. de 2023.

HISTÓRIA DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA. História da Força Aérea Brasileira: 1996-2021, 1996. Disponível em: <https://historiadafab.rudnei.cunha.nom.br/>. Acesso em: 28 mar. 2023.

ARMAS NACIONAIS. Armas Nacionais: Modelismo & História, 2010. Disponível em: <https://www.armasnacionais.com/>. Acesso em: 17 abr. 2023.

AVIONS LEGENDAIRES. Avions Legendaires, 1998. Disponível em: <https://www.avionslegendaires.net/>. Acesso em: 20 abr. 2023.