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quinta-feira, 12 de março de 2015

Exercício Carranca IV: Treinando para salvar vidas





Introdução

Entre os dias 2 e 13 de março, a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está sediando o Exercício Carranca IV. No total, mais de 450 militares e diversas aeronaves da Força Aérea Brasileira, entre aviões e helicópteros, além do Navio Patrulha Babitonga da Marinha do Brasil, participam da operação. Procurando manter nosso público informado, o blog Aviação em Floripa publicou nas duas últimas semanas algumas matérias específicas sobre a operação militar que ocorre na capital catarinense. Acompanhe a partir de agora uma ampla cobertura sobre este que é considerado o maior treinamento de Busca e Salvamento da América Latina.


Um treinamento, muitos benefícios

Organizado e coordenado pelo Subdepartamento de Operações do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o Exercício Carranca a cada edição ganha importância e tem o objetivo principal de aperfeiçoar as técnicas de busca e salvamento utilizadas em resgates tanto na terra como no mar, através do treinamento conjunto entre os Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico (RCC) e as Unidades Aéreas.


Algumas das aeronaves participantes do treinamento no pátio da Base Aérea de Florianópolis.

Tendo este princípio como ponto de partida, o exercício representa para todos os envolvidos na nobre tarefa de salvar vidas, uma excelente oportunidade para a troca de experiências. Além disso, o treinamento funciona como um laboratório, permitindo a introdução de novos equipamentos e a validação de técnicas de resgate, servindo ainda para avaliar a capacidade e a operacionalidade de toda a cadeia de comando e coordenação quanto ao planejamento e execução de missões de Busca e Salvamento, um dos mais relevantes trabalhos realizados pela Força Aérea Brasileira e que muitas vezes permanece no anonimato, longe dos holofotes e dos olhares de grande parcela da população brasileira, porém, de fundamental importância e inesquecível para quem um dia já necessitou do auxílio destes anjos da guarda, quando o socorro que vem do céu, faz a diferença entre a vida e a morte.

O nome do exercício é uma homenagem a um destes profissionais, o Major Médico Carlos Alberto Santos, conhecido entre seus pares pela alcunha de “Carranca”, militar que serviu no Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv) e no Esquadrão de Salvamento Aeroterrestre (PARASAR) de Campo Grande (MS), cuja vida foi marcada pela dedicação e obstinação para que outros pudessem viver.


Três Brasis em um só

O Brasil como nação livre e soberana, é signatário de diversos acordos internacionais. Como membro da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), é responsável por efetuar missões de busca e salvamento em uma área de aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados, englobando além do território nacional, boa parte das águas do Atlântico Sul, área esta equivalente a quase três vezes o tamanho do Brasil. Esta tarefa inclui a localização de ocupantes de aeronaves e embarcações em perigo, o resgate de tripulantes e vítimas de acidentes aeronáuticos e marítimos, bem como a interceptação e a escolta de aeronaves em emergência.

Aeronaves como o P-3AM Orion (ao fundo) são de fundamental importância para que o Brasil marque presença em sua área de jurisdição.

De forma a cumprir estas funções foi criado o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR), formado por cinco Centros de Coordenação e Salvamento (RCC) ou Salvaeros, responsáveis por executarem as atividades de busca e salvamento em suas respectivas áreas de jurisdição. Sob o lema “Localizar, Socorrer, Resgatar”, o sistema de busca e salvamento brasileiro, funciona de maneira integrada e interligada, como os elos de uma corrente, atuando de forma ininterrupta, diuturnamente, durante os 365 dias do ano. Apresentando um alto índice de prontidão e eficiência, é considerado um dos melhores do mundo, resultado de muita dedicação e de constantes treinamentos como o Exercício Carranca.


Carranca IV

Chegando a sua quarta edição (as outras foram realizadas nos anos de 2009, 2013 e 2014), o exercício tem o objetivo de treinar as equipes de coordenação e de execução do sistema de busca e salvamento em favor da eficiência da missão SAR, centrada na tarefa de salvar vidas. De acordo com o Tenente-Coronel Aviador Sílvio Monteiro Júnior, Diretor do Exercício, o treinamento deste ano tem seu foco na atividade de resgate, com a elaboração de cenários mais realistas e uma avaliação mais criteriosa e objetiva das missões. Outras novidades, segundo o militar, são o emprego da aeronave de patrulha Lockheed P-3AM Orion, a intensificação do emprego de óculos do Visão Noturna (NVG), a simulação de acidentes em plataformas de petróleo, o treinamento da técnica de içamento sobre convés de navio e a ênfase no trabalho e na atuação das equipes de resgate terrestre.

Helicóptero H-34 do Esquadrão Puma.

Com relação a este último aspecto, ressalta-se pela primeira vez a participação no Exercício Carranca, do Grupo de Apoio à Força Aérea Brasileira (GAFAB), entidade formada por voluntários e que tem sua sede na cidade de Piracicaba, interior paulista. Há cerca de dois anos o GAFAB vem desenvolvendo o projeto chamado de “Cão de Busca e Salvamento” com a participação de 15 integrantes do grupo. Aqui em Florianópolis, Thor, Lora e Rita, respectivamente dois Labradores e uma Foxhound participam ativamente do treinamento, atuando lado a lado com os militares na localização das aeronaves acidentadas, tripulantes e passageiros desaparecidos. Os três animais e seus instrutores acompanham diariamente as simulações e espera-se que futuramente sejam mais uma ferramenta na busca de aeronaves e tripulantes desaparecidos.

Três integrantes do GAFAB posam junto a seus cães, enquanto aguardam o momento de participarem do treinamento.

A escolha da capital catarinense para a realização da manobra não é por acaso, e sim, motivada por sua excelente localização geográfica, características climáticas e por reunir em um curto espaço territorial, uma ampla variedade de cenários (mar, montanhas, entre outros) possibilitando às aeronaves atingir a área de treinamento com rapidez, resultando em substancial economia de tempo e de combustível, constituindo-se em um dos melhores locais do país para este tipo de treinamento. Outro ponto fundamental para os esquadrões é o apoio logístico e de manutenção proporcionado pela própria Base Aérea.


Missão de resgate na Baía Sul, localizada em frente à Base Aérea de Florianópolis. Treinar no "quintal de casa" faz toda a diferença quando se pensa em economia de tempo e combustível.


Aeronave SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano decolando da pista 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz.


Assim nasce uma missão

Antes que uma aeronave seja acionada no pátio da Base Aérea de Florianópolis e inicie uma missão simulada de busca ou resgate, seus preparativos já se iniciaram muitas horas antes, envolvendo além da tripulação, um grande número de profissionais dedicados ao seu planejamento. Tudo começa no centro nervoso do exercício, localizado junto ao pátio da base aérea e composto por cinco módulos infláveis, onde se encontram os setores responsáveis pela elaboração dos cenários e situações que serão treinadas e por planejar, acompanhar, coordenar e avaliar todas as missões. Em alguns casos, o período de tempo necessário para se planejar e executar uma simulação pode ter início durante a madrugada e se estender até a noite do dia seguinte. O trabalho só termina com o objetivo alcançado ou, quando envolve o resgate de vítimas, elas são entregues aos cuidados das equipes médicas. 


O Quartel-General do Exercício: destes abrigos infláveis tudo é planejado e coordenado.


Tripulação do 3º/8º GAv parte em direção ao seu helicóptero, que já está sendo preparado pela equipe de voo.


No Ar, no Mar e na Terra

Sem dúvida alguma, em qualquer operação aérea militar, o que mais chama a atenção das pessoas são as aeronaves. Nestas duas semanas Florianópolis e região estão ganhando sons e formas diferentes daquelas que a população está acostumada a ver diariamente quando olha para o céu.

Estão participando do Exercício Carranca IV, o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv), o Esquadrão  Pelicano, sediado na Base Aérea de Campo Grande (MS), com dois helicópteros H-1H e dois aviões SC-105 Amazonas; o Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv), com sede em Salvador (BA), com a presença de uma aeronave P-3AM Orion; o 3º Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (3º/8º GAv), o Esquadrão Puma, localizado na Base Aérea dos Afonsos (RJ) e operando dois helicópteros H-34 Super Puma; o Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAv), o Esquadrão Pantera, sediado em Santa Maria (RS), com três helicópteros H-60L Blackhawk; além da Unidade Aérea anfitriã, o Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAv), o Esquadrão Phoenix, empregando suas aeronaves P-95 Bandeirante Patrulha. No mar, a Marinha do Brasil está empregando um de seus Navios Patrulha, o NPa P-63 Babitonga.


H-1H - Esquadrão Pelicano (2º/10º GAv)


SC-105 Amazonas - Esquadrão Pelicano (2º/10º GAv)


P-3AM Orion - Esquadrão Orungan (1º/7º GAv)


H-34 Super Puma - Esquadrão Puma (3º/8º GAv)


H-60L Blackhawk - Esquadrão Pantera (5º/8º GAv)


P-95B Bandeirante Patrulha - Esquadrão Phoenix (2º/7º GAv)


Os Esquadrões Netuno (3º/7º GAv) de Belém (PA), Harpia (7º/8º GAv) de Manaus (AM) e Gavião (1º/11º GAv), sediado em Natal (RN) enviaram militares para acompanhar e participar do treinamento. Mesmo sem a presença de aeronaves, o intercâmbio, os ensinamentos e lições vivenciadas durante a operação certamente renderão um excelente material a ser repassado para o restante dos integrantes destas Unidades Aéreas.

Participam ainda desta edição do Exercício Carranca, militares da Marinha do Brasil pertencentes ao Serviço de Busca e Salvamento da Marinha (SALVAMAR), profissionais da Petrobrás e do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBM-SC), através do seu Grupo de Busca e Salvamento (GBS). Além disso o treinamento é apoiado pelo 1º Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) e pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Florianópolis (DTCEA-FL).


Agradecimentos

O blog Aviação em Floripa gostaria de agradecer à Assessoria de Comunicação Social do DECEA, ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), à Comunicação Social da Base Aérea de Florianópolis e à Direção do Exercício, pela oportunidade em poder acompanhar e registrar este importante treinamento da Força Aérea Brasileira. Sem o apoio das organizações citadas e de seus profissionais, esta cobertura fotográfica e jornalística não teria sido possível.


A seguir, publicamos uma pequena seleção de imagens das aeronaves envolvidas no treinamento, que nada mais é o do que o cotidiano destas Unidades Aéreas e de seus integrantes, sempre engajados e dedicados à missão de salvar vidas e fiéis ao lema da Aviação de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira, “Para que outros possam viver”.

































terça-feira, 10 de março de 2015

Exercício Carranca IV tem dia dedicado à imprensa





Como parte das atividades previstas durante o Exercício Carranca IV, o maior treinamento de Busca e Salvamento da América Latina, que ocorre até o próximo dia 13 de março na Base Aérea de Florianópolis, a Direção do Exercício, em conjunto com militares do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) e da Comunicação Social da Base Aérea de Florianópolis, receberam na tarde desta terça-feira (10/03), os veículos de imprensa interessados em conhecer de forma mais detalhada, o treinamento realizado pela Força Aérea Brasileira na capital catarinense.

Denominado de Media Day, o evento contou com a presença do blog Aviação em Floripa, além dos sites especializados em aviação, Máquinas Voadoras e seu colaborador Giulliano Frassetto, Mundo Aeronáutico e seu editor Patrick Krug, além do Portal do Aviador e seu colaborador Daniel Popinga. A programação teve início com uma coletiva de imprensa, na qual o Diretor do Exercício (DIREX), Tenente-Coronel Aviador Sílvio, explicou o funcionamento do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR) e forneceu detalhes e informações gerais sobre o Exercício Carranca IV.


Tenente-Coronel Aviador Sílvio - Diretor do Exercício.


Após a coletiva de imprensa, todos foram convidados a acompanhar uma simulação de resgate feita por um helicóptero H-60L Blackhawk do Esquadrão Pantera (5º/8º GAv) em área localizada dentro da própria Base Aérea. O treinamento, parte integrante das missões planejadas e executadas durante a Carranca IV, simulava a queda de uma aeronave de pequeno porte com três ocupantes, que deveriam ser resgatados por içamento, uma vez que o local não permitia o pouso do helicóptero. Nota editorial: em breve estaremos publicando uma matéria especial sobre este resgate, com outras informações e fotos.


Içamento de vítima pela equipe de resgate do Esquadrão Pantera.


Além de presenciar a missão de resgate, conhecemos o centro nervoso do Exercício Carranca IV, onde todas as ações e atividades são planejadas, acompanhadas e avaliadas. Também houve oportunidade para uma visita ao pátio da BAFL e registrar algumas das aeronaves participantes do treinamento. Fechando com chave de ouro o dia, acompanhamos da área em frente à Base Aérea, uma simulação de salvamento no mar efetuada por um helicóptero H-1H do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAv), utilizando a técnica chamada de KAPOFF, uma das muitas empregadas pelas equipes de resgate, registro este que escolhemos para ilustrar a foto de capa desta matéria.


O Quartel-Genetal do Exercício Carranca IV. Todo o treinamento é coordenado daqui.


Helicóptero H-34 Super Puma retorna de mais uma missão. Em primeiro plano, o H-1H.



Gostaríamos aqui de agradecer à organização do Exercício Carranca IV pela oportunidade dada ao blog Aviação em Floripa e aos demais veículos de imprensa em conhecer e acompanhar este importante treinamento da Força Aérea Brasileira. Agradecimentos especiais ao Ten.-Cel.-Av Sílvio, Diretor do Exercício, ao 1º Ten.-Av Damasceno e à Sgt. Rosana da Comunicação Social da BAFL, assim como aos demais militares do DECEA e do CECOMSAER que nos acompanharam e prestaram esclarecimentos durante nosso período de permanência na Base Aérea de Florianópolis. Informo ainda que nesta quinta-feira (12/03) estaremos publicando uma matéria completa sobre o Exercício Carranca IV com muitas fotos e informações.


Spotters em ação durante a Carranca IV. Da esquerda para a direita: Marcelo Lobo (Aviação em Floripa), Daniel Popinga (Portal do Aviador), Giulliano Frassetto (Máquinas Voadoras) e Patrick Krug (Mundo Aeronáutico). Ao centro, o mestre da fotografia, 1º Sgt. Johnson Barros (CECOMSAER).

domingo, 8 de março de 2015

Exercício Carranca IV: Fase operacional inicia nesta segunda-feira





Agora é para valer! Inicia-se nesta segunda-feira (09/03) a segunda fase do Exercício Carranca IV, chamada de Exercício de Integração (EXINT). Até o próximo dia 12 de março, os militares que participam do treinamento realizam o cumprimento de missões de resgate previamente estabelecidas e que crescerão a cada dia em termos de complexidade e número de aeronaves envolvidas. Tudo que será treinado a partir de agora, foi planejado e organizado de forma exaustiva durante a primeira etapa do treinamento, ocorrida entre os dias 2 e 5 de março, denominada de Avaliação Operacional (AVOP). Foram quatro dias de reuniões, palestras e montagem dos cenários e missões que serão cumpridas pelas equipes de resgate. Este período também serviu para se obter uma padronização de procedimentos e regras a serem utilizadas durante o exercício. Para as tripulações de voo e “resgateiros” (como são conhecidos os profissionais que executam o socorro às vítimas), foi o momento para o reconhecimento das áreas destinadas ao cumprimento das missões e para o treinamento e apuro das diversas técnicas de salvamento, tanto em terra quanto sobre o mar.
 
A manhã de sábado ainda foi de preparação para os helicópteros H-60L Blackhawk do Esquadrão Pantera (5º/8º GAv) e H-34 Super Puma do Esquadrão Puma (3º/8º GAv), que aproveitaram para treinar suas equipagens nos procedimentos de resgate, sobre as calmas e abrigadas águas da Baía Sul, em frente à Base Aérea de Florianópolis (BAFL), certamente uma das áreas que serão utilizadas para a realização das missões de salvamento. As aeronaves de asa fixa P-95B Bandeirante Patrulha (foto de capa) do Esquadrão Phoenix (2º/7º GAv) e SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAv) também realizaram saídas pela manhã, conforme registramos através das fotos que ilustram esta matéria.


 Utilizando o código-rádio "Pelicano 02", SC-105 Amazonas do 2º/10º GAv decola de Florianópolis.


O Exercício Carranca IV é considerado o maior treinamento de Busca e Salvamento da América Latina. Ele ocorre entre os dias 2 e 13 de março na Base Aérea de Florianópolis (BAFL) e envolve a participação de aproximadamente 350 militares e diversos esquadrões e aeronaves da Força Aérea Brasileira. Para acompanhar todos os detalhes da operação, acesse o site oficial do exercício: