Texto e fotos: Marcelo Lobo da Silva
Na manhã desta quinta-feira, 5 de novembro, a Direção do Exercício Operacional Carranca, juntamente com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), receberam os veículos de imprensa interessados em conhecer as aeronaves participantes e as atividades que estão sendo desenvolvidas naquele que é considerado o maior treinamento de Busca e Salvamento da América Latina. A programação do chamado "Mídia Day", incluiu uma Coletiva de Imprensa, visitas ao pátio operacional e ao Centro Coordenado montado para o treinamento, além do acompanhamento de uma simulação de resgate em ambiente aquático. Diversos veículos de imprensa e comunicação locais fizeram-se presentes na Base Aérea de Florianópolis. Representando a mídia especializada, o site Aviação em Floripa compareceu à atividade e a partir de agora, compartilha com seus leitores, informações e imagens do evento. Informamos ainda que estamos preparando uma ampla cobertura jornalística sobre o exercício e que será publicada no início da próxima semana.
A Coletiva de Imprensa foi conduzida pelo Tenente-Coronel Ângelo Maciel de Florença, Coordenador do Exercício, Major Aviador Raphael Rosa, Gerente Operacional do EXOP Carranca 2026 e pelo também Major Aviador, Victor Hugo Sfredo Saraiva, Chefe da Divisão de Busca e Salvamento do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Durante a conversa com os jornalistas, os militares forneceram detalhes gerais do treinamento, focado exclusivamente no adestramento de missões de Busca e Salvamento (SAR), uma das muitas atividades que são de atribuição da Força Aérea Brasileira. Por acordos internacionais, o Brasil é responsável por planejar, coordenar e executar as tarefas de busca e resgate em uma área com aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados, somando toda a sua área continental e uma grande porção oceânica que se estende muito além do mar territorial brasileiro. Desde março o treinamento vem sendo planejado e, ao mesmo tempo, as Unidades Aéreas realizaram suas qualificações individuais em missões de busca e resgate. O EXOP Carranca representa uma oportunidade ímpar para reunir todos os elos do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro (SISSAR) em um grande exercício conjunto, com os objetivos de aprimorar o preparo das tripulações e das equipes envolvidas nas operações de busca e resgate, padronizar procedimentos e fortalecer a integração entre aeronaves, unidades operacionais e centros responsáveis pela coordenação das missões. Para isso, durante as duas semanas de duração do treinamento em Florianópolis, deverão ser voadas cerca de 300 horas em prol da qualificação e operacionalidade das tripulações e demais envolvidos na manobra.
As missões simuladas reproduzem fielmente os passos de uma situação real, desde o recebimento da informação do desaparecimento de uma aeronave ou embarcação, passando pelo planejamento e acionamento dos meios aéreos e equipagens, a realização dos padrões de busca e o resgate, propriamente dito. Todas as aeronaves e embarcações, nacionais ou estrangeiras, que utilizam o espaço aéreo ou as águas jurisdicionais brasileiras, respectivamente, estão sob o manto de proteção do Sistema de Busca e Salvamento, considerado uma referência mundial neste tipo de serviço. Perguntados sobre a escolha de Florianópolis para realização do Exercício, os militares nos informaram que, além do apoio logístico proporcionado pela Base Aérea, a geografia da Ilha de Santa Catarina e regiões próximas, reúnem um conjunto de elementos naturais que permitem a montagem de vários cenários para as equipes de resgate, maximizando o tempo de treinamento. Cerca de 300 militares, oriundos de diversas regiões do país, além de aeronaves da Força Aérea Brasileira, de modelos e funções distintas, estão diretamente envolvidas nas atividades. Nas situações propostas para o exercício, enquanto os aviões KC-390 Millennium, SC-105 Amazonas SAR e P-95BM Bandeirante Patrulha atuam na tarefa de busca sobre áreas terrestres e marítimas, os helicópteros H-60L Black Hawk são empregados nas missões de resgate. Um outro ponto abordado durante a coletiva foi a presença de observadores internacionais nesta edição do EXOP Carranca. A participação é inédita e conta com representantes dos Estados Unidos, Canadá, América do Sul e Caribe. Os benefícios incluem o intercâmbio doutrinário e a troca de experiências, representando ganhos para todos os envolvidos. Isso também abre espaço para que aeronaves de Busca e Salvamento de outras nações possam ser integradas futuramente ao adestramento.
Foi possível também conhecer o Centro de Coordenação do EXOP Carranca, o centro nervoso do treinamento, local onde as missões simuladas de Busca e Salvamento são planejadas e acompanhadas. Nestes abrigos atuam as equipes com representantes dos cinco Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico existentes no país, também chamados de SALVAERO, além de militares do Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil (SALVAMAR). As missões são planejadas por militares experientes e repassadas a outros participantes, situados em um dos abrigos que, ao receberem as demandas, têm a responsabilidade de montar uma missão completa de busca e resgate, utilizando-se os meios aéreos e humanos disponíveis e necessários para cada situação. Tudo é avaliado e acompanhado em tempo real através de telas de projeção.






