Site voltado para a divulgação da Aviação Comercial, Militar e Civil, mostrando através de textos informativos e
fotos, as aeronaves, suas histórias e curiosidades, Operações Militares, Eventos Aeronáuticos e muito mais!

Seja bem-vindo a bordo!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

F-39E Gripen: Uma nova era para a FAB tem início em Santa Catarina




Um novo capítulo na história da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira começou a ser escrito a partir de hoje, tendo terras catarinenses como cenário de fundo, mais precisamente o Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder (NVT/SBNF), localizado na cidade de Navegantes. Na tarde desta quinta-feira (24/9) a aeronave F-39E Gripen com a matrícula FAB 4100 ganhou pela primeira vez o céu brasileiro, com destino às instalações da Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto (GPX/SBGP), interior de São Paulo, dando prosseguimento ao longo período de avaliações e ensaios iniciado na Suécia no ano passado, a fim de cumprir os requisitos necessários para o desenvolvimento do avião. O blog Aviação em Floripa não poderia deixar passar em branco este marco para a FAB e para a indústria aeronáutica brasileira, sendo assim, estivemos em Navegantes durante esta semana e acompanhamos da melhor forma possível todos os detalhes deste momento histórico. Como resultado, brindamos nossos leitores com esta matéria super especial. Boa leitura!

Nota Editorial: Devido à grande quantidade de eventos relacionados à chegada do Gripen a Santa Catarina na última semana, não foi possível estar presente em todos eles, entretanto, contamos com a colaboração de amigos que gentilmente nos cederam algumas fotos. Além disso, algumas etapas foram com acesso restrito, sem a presença da imprensa e, nesse caso, utilizamos imagens oficiais divulgadas pelos canais oficiais que julgamos serem relevantes com o contexto da matéria. Convém ressaltar que esta exceção na forma como o blog Aviação em Floripa publica seus conteúdos foi feita única e exclusivamente, diante da importância do fato histórico, com o intuito de levar ao nosso público sempre a melhor e mais completa informação.



Antes do ar, por mar e terra


A longa viagem do F-39 Gripen (c/n 39-6001) até Santa Catarina teve início em 29 de agosto a partir do porto sueco de Norrköping, localizado na região sudeste do país e distante cerca de 40 quilômetros de Linköping, onde fica o Centro de Testes da Saab. A aeronave foi embarcada no navio cargueiro MV Elke com bandeira de Antígua e Barbuda, fretado exclusivamente para esta empreitada, chegando ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes na manhã do dia 20 de setembro. O avião veio completamente montado, apenas sem o assento ejetável, apoiado sobre uma estrutura metálica própria para seu transporte. Ainda na tarde de Domingo ocorreu o procedimento de retirada do navio e após os trâmites alfandegários, o Gripen seguiu rebocado pelas ruas da cidade até o aeroporto (distante cerca de 2,5 quilômetros), entrando por um portão localizado junto à cabeceira 07 da pista do aeroporto, numa operação que transcorreu sob forte esquema de segurança durante a madrugada de terça-feira, a fim de não causar transtornos ao trânsito e evitar a presença de curiosos, mesmo assim, um grande número de pessoas acompanhou o trajeto. Diga-se de passagem, esta proximidade entre as duas instalações foi preponderante para a escolha de Navegantes como porta de entrada do avião no Brasil, não apenas para este primeiro avião, mas especula-se que os demais exemplares destinados à FAB fabricados na Suécia, deverão seguir o mesmo itinerário e modo de entrega.

Rota percorrida pelo MV Elke desde o porto de Norrköping até Navegantes/SC. Fonte: Marinetraffic.com

A pequena distância entre as instalações do Porto e o Aeroporto de Navegantes foi fundamental para a escolha de Santa Catarina para receber o Gripen. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.


FAB 4100 no compartimento de cargas do MV Elke, a caminho do Brasil. Fonte: redes sociais




Um momento histórico! Precisamente às 09:35 do dia 20 de setembro o MV Elke adentra o canal do porto trazendo a bordo o primeiro Gripen E da FAB.

MV Elke atracado no Porto de Navegantes prestes a desembarcar sua valiosa carga.

Embora a viagem de navio entre a Suécia e o Brasil seja demorada (cerca de 3 semanas de navegação), é fato que ela se mostra muito mais segura do que fazer um voo desta natureza por meios próprios. Por se tratar de uma aeronave ainda em fase de testes, monomotora e com capacidade limitada de combustível (mesmo com tanques adicionais), o traslado por via aérea demandaria uma rota com diversas escalas, envolvendo a autorização prévia para sobrevoar vários países, sem contar a grande distância para atravessar o Oceano Atlântico, tendo poucos pontos de apoio para um eventual pouso de emergência. Um outro caminho seria transportar o Gripen em um avião cargueiro diretamente para Gavião Peixoto, certamente uma alternativa mais rápida, porém, talvez com um valor mais elevado e certamente exigiria sua desmontagem parcial. Sem dúvidas todas as opções foram avaliadas pela equipe que gerencia o projeto e a escolha pela via marítima deve ter se apresentado mais vantajosa em termos de logística e de custo/benefício. Ao contrário do que possa parecer, essa prática é bem corriqueira em entregas desta natureza, já sendo inclusive utilizada aqui mesmo em nosso país em outras oportunidades.

F-39E Gripen sendo retirado do porão de cargas do MV Elke. Crédito: Saab/Divulgação

Término do processo de retirada do navio. Crédito: Portonave/Divulgação

Vídeo oficial mostrando o procedimento de retirada do avião. Crédito: Saab do Brasil


Início do traslado entre o porto e o aeroporto. Crédito: Saab/Divulgação



Trajeto pelas ruas da cidade. Crédito: Giulliano B. Frassetto (website Máquinas Voadoras)

Trajeto terrestre do F-39 Gripen entre o Porto e o Aeroporto. A aeronave entrou por um portão de acesso recém-construído próximo à cabeceira 07 e acessou o hangar reservado a ela pela pista de pouso. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.

Outro ponto positivo do aeroporto catarinense, além da proximidade com o porto, é a sua baixa frequência de voos comerciais e executivos, se comparada com outros aeroportos localizados em grandes centros, propiciando condições ideais para que a montagem dos equipamentos e testes em solo com o avião transcorresse da melhor forma possível. Um hangar foi previamente escolhido para receber a aeronave e foram necessários mais dois dias para o F-39 Gripen ser colocado em condições de voo, incluindo a instalação do assento ejetável com suas cargas explosivas, giro do motor, teste de taxiamento e a energização e verificação de todos os sistemas da aeronave com o objetivo de garantir a segurança e o sucesso do voo inaugural.

Chegada do avião ao hangar reservado para ele. Crédito: Saab/Divulgação

O local marcado com a cor vermelha foi escolhido para abrigar a aeronave durante sua passagem por Navegantes. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.




Na tarde de quarta-feira a aeronave foi acionada pela primeira vez e efetuou uma rápido taxiamento pela pista de decolagem e logo em seguida retornou para o local de estacionamento, como mostram as fotos acima, registradas a partir do Terminal de Passageiros com exclusividade pelo blog Aviação em Floripa.



Enfim, o Gripen ganha os céus


Após passar mais de três semanas no mar e mais alguns dias em terra, eis que o grande dia chegou, devolvendo o Gripen ao seu habitat natural. Como um verdadeiro espetáculo a céu aberto, o dia 24 de setembro amanheceu repleto de expectativas, tendo como palco o Aeroporto de Navegantes, o público, profissionais de imprensa, toda a equipe envolvida no projeto, autoridades civis e militares, além de todos aqueles que tiveram o privilégio de presenciar este fato marcante, e claro, a estrela da festa, o F-39E Gripen. Acompanhe a partir de agora, uma sequência de fotos mostrando de forma crononógica o passo a passo deste momento histórico.




Duas aeronaves Northrop F-5EM/FM do Esquadrão Pampa foram escaladas para escoltar o Gripen após a decolagem até Gavião Peixoto. As aeronaves ficaram sediadas na Base Aérea de Florianópolis.


O Alerta SAR foi guarnecido por um dos H-60L Black Hawk do Esquadrão Pantera. Aqui vemos a aeronave em Florianópolis iniciando os preparativos de decolagem para Navegantes. 

Aeronave pronta no pátio aguardando o momento do acionamento.

Coube ao sueco Marcus Wandt, Piloto de Testes da Saab, a responsabilidade de realizar o primeiro voo do Gripen no Brasil.



Piloto guarnecendo a aeronave.



Preparativos finais da equipe de solo antes do táxi.

Para presenciar este momento histórico cada cantinho no aeroporto e no seu entorno foi disputado.

Fotógrafos e cinegrafistas a postos para registrar este momento histórico.



Início do táxi em direção à cabeceira 07 de Navegantes.


F-39 Gripen aguardando liberação de pista pela Torre de Controle e helicóptero H-60L prosseguindo para área próxima do aeródromo a fim de permanecer de prontidão durante a decolagem.

E eis que chega o momento histórico tão esperado por todos. Pela primeira vez o F-39 Gripen ganha o céu brasileiro, seguindo para Gavião Peixoto/SP, onde continuará um intensivo período de avaliação e testes, que deverá ser quebrado apenas no dia 23 de outubro, data em que se comemora o Dia do Aviador, quando está prevista a apresentação oficial do Gripen, com um sobrevoo sobre a cidade de Brasília/DF.



Um pequeno notável


O Saab Gripen foi o vencedor em 2013 da concorrência internacional elaborada pelo Governo Brasileiro, denominada como Programa FX-2, visando o reequipamento e a modernização da frota de aviões de caça da Força Aérea Brasileira, dotando-a de um vetor de última geração em termos de desempenho, sensores e armamentos. O avião sueco desbancou em sua fase final dois concorrentes de peso, o Boeing F/A-18 Super Hornet e o Dassault Rafale. O modelo adquirido pela FAB é baseado no Gripen NG, desenvolvido pela Saab a partir do Gripen C/D já operado pela própria Suécia e diversas outras forças aéreas, entretanto, não é exagero dizer que trata-se de um avião completamente novo, tal o número de tecnologias e aperfeiçoamentos agregados ao projeto. Entre eles, está uma nova motorização, o turbofan General Electric F-414-GE-39E (gerando cerca de 25% a mais de potência que o motor das versões anteriores do Gripen), maior capacidade interna de combustível, um novo radar de Varredura Eletrônica Ativa (da sigla em inglês AESA, Active Electronally Scaned Array), o ES-05 Raven, desenvolvido pela italiana Leonardo, um painel de voo totalmente redesenhado do tipo WAD (Wide Area Display), produzido pela brasileira AEL Sistemas, além de diversos sensores e armamentos especialmente planejados para a aeronave.

O infográfico acima mostra as principais melhorias implementadas no Gripen E/F em relação ao seu antecessor, o Gripen C/D. Fonte: www.militarypower.com.br


Diagrama em corte com as principais características, componentes e antenas do Gripen E. Fonte: https://br.pinterest.com/

O primeiro Gripen E destinado à FAB voou em agosto do ano passado e desde então juntou-se aos demais modelos de pré-produção cumprindo uma exaustiva carga de ensaios de testes em solo e em voo com a finalidade de aferir se a aeronave atende a todos os requisitos técnicos e operacionais estabelecidos no contrato. A partir de agora este exemplar dará continuidade ao programa de desenvolvimento voando a partir do território nacional, sendo avaliado por técnicos da Embraer e da Saab. Todo esse trabalho será realizado junto ao Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN, do inglês Gripen Design and Development Network) e no Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GTFC-B, Gripen Test Flight Center Brasil), ambos localizados juntos à fábrica da Embraer em Gavião Peixoto. No momento, além do 39-6001, outros seis Gripen E estão participando da campanha de ensaios, avaliando uma série de parâmetros inerentes à operação da aeronave, tais como o envelope de voo, além de diversos sistemas e sensores embarcados. Cabe ressaltar que esses exemplares são chamados de FTI (do inglês, Flight Test Instrumentation), ainda sem vários equipamentos e a capacidade total de armamento e sistemas que a versão operacional terá a seu dispor. De acordo com o cronograma atualizado e vigente, a Força Aérea Brasileira deverá receber oficialmente seu primeiro exemplar no último trimestre de 2021 e o último, completando as 36 unidades, em 2026.

Cronograma atual de entregas dos 36 Gripen E/F para a FAB (disposto no campo com a cor laranja), com quatro aeronaves em 2021 (incluindo o FAB4100), sete em 2022, seis em 2023, oito em 2024, nove em 2025 e finalmente, duas em 2026.  Fonte: https://estrategiaglobal.blog.br/


Diagrama mostrando a capacidade e tipos de cargas externas do Gripen E/F. Fonte: Saab


Opções de armamento ar-ar para o Gripen E/F, incluindo os tipos já em uso atualmente na Força Aérea Brasileira. Fonte: https://aeromagazine.uol.com.br/


A arte acima mostra os diversos tipos de armamentos ar-ar, ar-solo e pods de reconhecimento e de aquisição de alvos já integrados ao Gripen E. A compra destes armamentos e sensores depende de cada país, mas eles já estão previamente incorporados aos sistemas da aeronave. Fonte: 3D STUDIO MAX/Eskil Nyholm via https://www.aereo.jor.br/

O Gripen E é um caça leve multifuncional e monomotor, classificado no jargão das aeronaves de combate como de quarta geração e meia ou 4++. Desenvolvido pela empresa Saab, sua célula é baseada no JAS-39C/D utilizado pela Suécia e por forças aéreas de mais  quatro países (África do Sul, República Tcheca, Hungria e Tailândia). O contrato assinado com o Brasil contempla a transferência de tecnologia (algo essencial para a indústria aeronáutica nacional), além de diversas compensações comerciais, chamadas de offsets. A compra inicial envolve a aquisição de 36 aeronaves, sendo 28 do modelo F-39E (com um assento) mais 8 F-39F (com dois assentos), este último, até o momento, exclusivo para o Brasil. Deste montante, quinze deles, sendo oito monopostos e sete bipostos, serão integralmente construídos no Brasil, a partir das instalações da Embraer em Gavião Peixoto. Com o passar do tempo, toda a frota de aviões de combate da FAB deverá ser padronizada com este modelo, substituindo os atuais vetores de Defesa Aérea, os Northrop F-5EM/FM Tiger II e mais a frente, os aviões de Ataque e Reconhecimento, os Embraer/Alenia/Aermacchi A-1. Para tal, novos exemplares deverão ser adquiridos no futuro. O cronograma oficial prevê a entrega do primeiro F-39 Gripen operacional para a Força Aérea Brasileira no final do ano que vem e a primeira Unidade Aérea a operá-lo, será o Primeiro Grupo de Defesa Aérea, sediado na Ala 2, em Anápolis/GO.

Desenho em três vistas do Gripen E. Fonte: https://br.pinterest.com/


Componentes do avião a serem desenvolvidos ou fabricados por empresas nacionais. Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/


Um projeto deste porte sempre envolve a contribuição e a participação multinacional, seja na construção da aeronave em si como no fornecimento de peças, sistemas e componentes, entretanto, o mais importante será o know-how que a indústria nacional absorverá com a construção do Gripen E/F, através da transferência de tecnologia, elementos estes que podem ser vistos no diagrama acima. Fonte: https://aeromagazine.uol.com.br/


Palavras finais


A chegada do Gripen representa um divisor de águas. É inegável o salto tecnológico que a Força Aérea Brasileira ganhará com a entrada em serviço do F-39E/F Gripen, inserindo-a definitivamente no estado da arte da moderna arena do combate aéreo, permitindo o aprimoramento e o desenvolvimento de todo um conjunto de novas doutrinas e táticas de emprego, por conseguinte, elevando o patamar operacional de suas equipagens e da força aérea como um todo. Ganha toda a indústria nacional, não apenas as empresas ligadas diretamente ao projeto ou ao setor aeronáutico, permitindo a absorção de conhecimento e o domínio de várias tecnologias de ponta que permeiam a criação e o desenvolvimento de uma aeronave de última geração, seja no projeto em si, seja na confecção e produção de componentes ou na integração de sistemas, além de incentivar a geração de empregos em todos os níveis da cadeia produtiva que envolvem um programa desse porte. Enfim, ganha o Brasil, ao adquirir um vetor com grande poder de dissuasão no sempre complexo tabuleiro de xadrez da geopolítica regional, recolocando nossa aviação de combate em termos quantitativos e qualitativos novamente na liderança continental, garantindo que nosso imenso manancial de riquezas naturais e a soberania de nosso espaço aéreo continuem bem defendidos.


Agradecimentos


Gostaríamos de agradecer à Assessoria de Imprensa da Força Aérea Brasileira pelo convite e pela oportunidade em presenciar de maneira privilegiada deste momento histórico, ao Comando da Base Aérea de Florianópolis, pela autorização em registrar as aeronaves destacadas para apoiar a operação de decolagem e traslado em voo do Gripen, aos profissionais de sua Comunicação Social pelo acompanhamento de pátio e demais informações, enfim, a todos os amigos que direta ou indiretamente ajudaram de alguma forma a tornar esta matéria possível.




sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Uma imagem curiosa #28


Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Meu caro leitor(a), você está prestes a presenciar uma quebra de recorde mundial. Em maio de 2002, durante o evento aeronáutico em comemoração aos 50 anos de criação do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) da Força Aérea Brasileira, a equipe decolou da Academia da Força Aérea para realizar uma passagem de dorso (de cabeça para baixo) simultânea com 11 aeronaves. O recorde anterior era com 10 aviões, também pertencente ao time brasileiro, marca atingida seis anos antes, em 1996. Em outubro de 2006 novamente nossos fumaceiros se superaram e pela segunda vez quebraram seu próprio recorde, agora voando com 12 aeronaves, feito esse que dura até os dias atuais, não sendo superado por nenhuma outra esquadrilha de demonstração aérea no mundo, sem dúvidas, comprovando todo o arrojo e a perícia do aviador militar brasileiro e a qualidade de seu treinamento. Em 2002 eu tive o privilégio de estar presente na Academia da Força Aérea e registrar em vídeo o recorde anterior. São essas imagens que compartilho com vocês abaixo:



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Uma imagem curiosa #27

 

Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Dassault Mirage 2000C/B, FAB 4943/FAB 4940/FAB 4932, Base Aérea de Florianópolis, Outubro de 2007.

Entre o final de setembro e o início de outubro de 2007 a Base Aérea de Florianópolis foi sede de um evento inédito em sua história. Estamos falando do Torneio de Aviação de Caça (TAC), um misto de treinamento e competição envolvendo todas as Unidades Aéreas da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, através de provas aéreas e terrestres, nas quais é sagrada vencedora a equipe que somar mais pontos em um conjunto de tarefas a serem executadas. O torneio reuniu na capital catarinense mais de 30 aviões de caça e ataque, além de outras aeronaves de apoio. Participaram do TAC 2007, seis Northrop F-5EM Tiger II, nove Embraer/Alenia/Aermacchi A-1, três Embraer/Aermacchi AT-26 Xavante, doze Embraer A-29A/B Super Tucano e, pela primeira vez em Santa Catarina, o Dassault Mirage 2000B/C, comparecendo com três exemplares.

Linha de voo sobre a pista 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz.

Esta foi a primeira e única vez que tivemos a presença dos Mirage 2000 na capital catarinense, entretanto, diferente das demais Unidades Aéreas, o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) participou apenas das competições terrestres, não empregando suas aeronaves na parte aérea da competição, ficando os F-2000 durante todo o período no pátio da Base Aérea de Florianópolis, ao contrário dos demais aviões, que formaram a linha de voo e de operações sobre a pista 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, reservada especialmente para a execução do treinamento. Estiveram em Florianópolis os F-2000C com as matrículas FAB 4940 e FAB 4943, além do F-2000B matriculado FAB 4932. A Força Aérea Brasileira operou com um total de dez Mirage 2000C (FAB 4940 a FAB 4949) e dois Mirage 2000B (FAB 4932/4933), adquiridos junto à França como uma solução temporária entre a retirada do Mirage III até a chegada de sua nova aeronave de caça, fato que acabou não se concretizando e assim, os charmosos e elegantes delta, recebidos a partir de 2006, tiveram sua aposentadoria do serviço ativo na FAB em 31 de dezembro de 2013, um deles, o FAB 4948, encontra-se preservado no Museu Aerospacial (MUSAL), no Rio de Janeiro/RJ.





Empenagens e tubeiras dos motores SNECMA M53.

Parte ventral da aeronave mostrando a saída dos dois canhões DEFA 554 de 30 mm.


Chegada dos Mirage 2000 à Florianópolis, Setembro de 2007.


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Uma imagem curiosa #26


Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Douglas C-47B Skytrain, PP-VBN, Base Aérea de Canoas, Outubro de 2003.

Uma verdadeira lenda da aviação mundial esteve presente na edição de 2003 da Expoaer da Base Aérea de Canoas/RS (atual Ala 3). Estamos falando de um Douglas DC-3 que ganhou os céus novamente através da iniciativa de um grupo de quatro pilotos e entusiastas da aviação, entre eles o Comandante Sérgio Fraga Machado, um abnegado e apaixonado pela preservação da história e da cultura aeronáutica brasileira. O avião foi adquirido no final de 1997 e doado ao Aeroclube do Rio Grande do Sul (ARGS), localizado em Belém Novo, sendo completamente restaurado e colocado novamente em condições de voo nas oficinas da VARIG Engenharia e Manutenção em Porto Alegre, ganhando a matrícula PP-VBN (uma homenagem ao último DC-3 operado pela VARIG) e recebendo o padrão de pintura utilizado pela companhia aérea.

O exemplar foi construído em 1944 e inicialmente operou com a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), sendo originalmente um C-47B-20-DK Skytrain, variante militar do Douglas DC-3 com número de série 15476/26921. Sua história no Brasil começou já no ano seguinte quando voou com as cores da Força Aérea Brasileira, utilizando as matrículas FAB09 e posteriormente FAB2017, até sua retirada do serviço ativo em 1978. Durante os próximos 19 anos o avião passou por diversos operadores civis e também permaneceu um bom tempo abandonado no Aeroporto Val-de-Cães em Belém/PA, até finalmente ser resgatado em 1997 novamente para ganhar os céus, sendo que nesta época, o C-47 encontra-se no Aeroclube de Blumenau/SC. Após a restauração, o projeto idealizado pelo ARGS e pelos seus proprietários previa a utilização do avião em voos panorâmicos ambientados nas décadas de 50 e 60, direcionados aos interessados em experimentar todo o clima e ambiente daquele período, incluindo o interior da aeronave completamente personalizado e pilotos e comissárias de bordo com uniformes da época. Esta bela iniciativa perdurou por alguns anos e em 2007 o PP-VBN foi comprado por um empresário do interior de São Paulo e atualmente encontra-se preservado em um hangar na cidade paulista de Mococa, em um aeródromo particular, fazendo aparições esporádicas em eventos aéreos. Apenas outra aeronave deste modelo é mantida em condições de voo no Brasil, o   DC-3 chamado de "Rose", pertencente ao Museu Asas de um Sonho, da Fundação TAM.

Douglas C-53D Skytrooper, N101KC "Rose", Museu Asas de um Sonho, Maio de 2012.



PP-VBN taxiando e decolando da Base Aérea de Canoas em Outubro de 2003.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Uma imagem curiosa #25


Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Embraer/Alenia/Aermacchi A-1, FAB 5531, Base Aérea de Florianópolis, Maio de 2003.

Uma configuração de armamento pouco comum de ser vista acompanhou o A-1 com a matrícula FAB 5531 presente ao Portões Abertos em comemoração pelos 80 anos da Base Aérea de Florianópolis, em maio de 2003. A aeronave estava equipada com quatro lançadores múltiplos sob as asas, cada um deles com capacidade para transportar 19 foguetes não guiados de 70 mm, totalizando 76 artefatos que podem ser armados com diversos tipos de ogiva (incendiária, perfurante, explosiva, entre outras), de acordo com o alvo ou o objetivo a ser atacado. Fabricado pela Equipaer, indústria brasileira com sede em São Paulo, o EQ-LMF 70/19 é capaz de lançar os foguetes em salvas ou de forma individual e é utilizado em missões de Ataque ao Solo ou Apoio Aéreo Aproximado, contra blindados, fortificações, comboios ou concentrações de tropa. A aeronave que veio a Florianópolis pertence ao 3º Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (3º/10º GAv), conhecido como Esquadrão Centauro, Unidade Aérea sediada em Santa Maria/RS.




quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Uma imagem curiosa #24


Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Embraer A-29A Super Tucano, FAB 5704, Base Aérea de Florianópolis, Outubro de 2006.

O Terceiro Grupo de Aviação engloba três Unidades de Caça da Força Aérea Brasileira, sediadas em Boa Vista/RR (1º/3º GAv, Esquadrão Escorpião), Porto Velho/RO (2º/3º GAv, Esquadrão Grifo) e Campo Grande/MS (3º/3º GAv, Esquadrão Flecha), todos atualmente equipados com os turboélices Embraer A-29A/B Super Tucano. Entre suas atribuições está a vigilância da fronteira Oeste do território brasileiro e a formação e progressão operacional de pilotos recém-formados do Curso de Aviação de Caça em Natal/RN. A fim de capacitá-los e também adestrar as Unidades Aéreas em suas missões, uma das atividades realizadas anualmente é o exercício de tiro aéreo, prática esta que tinha sempre a Base Aérea de Florianópolis, dadas as facilidades aqui encontradas, como endereço certo para este tipo de treinamento. Com o intuito de maximizar recursos e a troca de experiências, era comum a presença conjunta de aeronaves e pilotos dos três Esquadrões.

As áreas destinadas para o exercício de tiro aéreo estão localizadas ao largo da Ilha de Santa Catarina, em locais previamente delimitados nas cartas aeronáuticas e exclusivos para a operação de aeronaves militares, durante o período de treinamento. Entretanto o voo sobre o ambiente marítimo é extremamente agressivo para as aeronaves, sendo assim, após cada missão as aeronaves envolvidas precisam passar por um banho para retirar o salitre acumulado durante o voo. Para evitar a entrada de água que pode comprometer determinados componentes eletrônicos sensíveis, a equipe de manutenção faz uma vedação com fita em volta da nacele e em alguns painéis de acesso da aeronave, antes da lavação.




Embraer A-29B Super Tucano, FAB 5925, Base Aérea de Florianópolis, Outubro de 2006.