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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

1º/1º GT realiza treinamento em Santa Catarina

 

Até sexta-feira, 30 de agosto, a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está recebendo o Exercício Técnico de Busca e Salvamento (EXETEC SAR), com a presença do 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT), Unidade Aérea da Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira, que tem sua sede na Base Aérea do Galeão/RJ. Uma aeronave KC-390 Millennium e cerca de 40 militares participam da manobra. O objetivo principal do treinamento é a capacitação e requalificação anual das tripulações do Esquadrão, incluindo Pilotos, Mestres de Carga e Observadores Aéreos, em missões de Busca e Salvamento (SAR, do inglês Search And Rescue), uma das muitas atribuições da Aviação de Transporte da FAB. O exercício compreende as atividades de busca sobre áreas marítimas e terrestres, além do lançamento de botes e fardos. O adestramento é fundamental para atuar em situações reais. Recentemente, a Força Aérea Brasileira participou ativamente da chamada Operação Taquari 2, em apoio ao povo gaúcho, atingido pela catástrofe climática sem precedentes que se abateu sobre o Rio Grande do Sul. Entre as muitas ações de destaque, estava o ressuprimento aéreo, realizado em locais sem a possibilidade de pouso de aeronaves. Ali se fizeram presentes os aviões de transporte da FAB, lançando alimentos, medicamentos, água e outros insumos importantes para a sobrevivência das pessoas em terra. Nesse tipo de tarefa, em que o socorro que vem do céu representa a diferença entre vida ou morte, é a precisão no lançamento das cargas que garante o sucesso da missão e isso só é alcançado com muita dedicação e prática. Por este motivo, treinamentos como este que está acontecendo na capital catarinense são tão importantes.

Embora o 1º/1º GT esteja sediado na cidade do Rio de Janeiro, a escolha por Florianópolis para a realização do exercício, está relacionada ao conjunto de cenários encontrados no entorno da Ilha de Santa Catarina e em áreas próximas, distantes a poucos minutos de voo, reunindo as condições perfeitas para a prática das atividades de Busca e Salvamento. Isso propicia uma substancial economia de combustível e maior tempo útil e efetividade nos treinamentos. Além disso, o apoio logístico prestado pela Base Aérea de Florianópolis é de fundamental importância, tanto para as tripulações quanto para a aeronave. Soma-se ainda, o espaço aéreo da capital catarinense, pouco saturado de aeronaves, se comparado com outras regiões do país, garantido fluidez nas operações e aumentando a segurança de voo. 


Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva/Aviação em Floripa

O treinamento consiste na realização de lançamentos de botes e fardos, além de buscas sobre mar e terra. As duas primeiras atividades acontecem, respectivamente, sobre as águas da Baía Sul e junto à pista auxiliar 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. Por sua vez, os voos de busca sobre o mar, são realizados em um espaço previamente delimitado, ao largo da Ilha de Santa Catarina. Já as buscas em terra, acontecem no norte do Estado, próximo às cidades de Jaraguá do Sul e Barra Velha. As ações são executadas a baixa altura (em torno dos 1 mil pés ou menos, cerca de 300 metros), exigindo atenção contínua e destreza por parte da tripulação. Com o foco na Segurança de Voo, exercícios dessa natureza, contam com o apoio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), através da emissão de Notificações Aeronáuticas (NOTAM), informando aos usuários do espaço aéreo na região, sobre a presença da aeronave, além dos locais e altitudes em que a mesma estará operando, durante o período do treinamento. Da mesma forma, as áreas destinadas para as manobras são definidas com antecedência, sendo de conhecimento prévio de todos os aeronavegantes.

A imagem acima mostra uma típica missão que está sendo conduzida pelo KC-390, com o lançamento de botes e fardos em áreas próximas da Base Aérea de Florianópolis e, composta ainda, pela realização de buscas sobre área terrestre, no norte do Estado. Fonte: FlightRadar24.com



Na sequência, de cima para baixo, as áreas utilizadas pela o lançamento de botes, de fardos e para buscas sobre o mar. Fonte: https://aisweb.decea.mil.br/?i=aerodromos&codigo=SBFL#notam

Busca sobre área marítima. Fonte: FlightRadar24.com

Vista geral do compartimento de cargas do KC-390.

Para as missões de Busca e Salvamento, existe uma porta especial com uma grande bolha de observação, permitindo um aumento significativo do campo de visão em torno da aeronave.

Detalhe da bolha de observação.

Visão por dentro da bolha para o campo traseiro.

Visão por dentro da bolha para o campo dianteiro.

A Embraer desenvolveu um engenhoso sistema de troca das portas em pleno voo, no qual a porta padrão (pressurizada) desliza para cima e uma outra, própria para a Busca e Salvamento, é encaixada em seu lugar. Essa funcionalidade, permite que o KC-390 voe em altitude de cruzeiro e somente ao atingir a área de buscas, desça de nível, para então, trocar a porta. Isso resulta em significativa economia de combustível, que pode ser revertida em mais tempo para a missão.

Detalhe do assento do Observador SAR. São dois, localizados em cada uma das portas laterais traseiras. Eles são utilizados especificamente para missões de Busca e Salvamento, juntamente com a porta. Mais à frente na fuselagem, existem duas janelas, que também podem receber assentos, totalizando quatro postos de observação.

Esses são os simulacros de botes que estão sendo usados no treinamento, na foto, dispostos sobre a rampa traseira. O equipamento real é composto por estas cinco peças, sendo dois botes que se inflam em contato com a água, dispostos nas pontas. No meio, vão três kits de sobrevivência, contendo água, alimentos e outros itens, além de um rádio-localizador. No exercício, o interior é preenchido com madeira, simulando o peso real do conjunto. Após serem lançados na Baía Sul, uma equipe recolhe os materiais para uso posterior.

Em ocorrências que envolvem acidentes aeronáuticos, naufrágios, embarcações à deriva, situações de calamidade pública, populações isoladas ou qualquer eventualidade em que não seja possível o pouso de um helicóptero ou avião, a técnica mais utilizada, consiste no lançamento de botes ou fardos, contendo água, alimentos, materiais de primeiros socorros, entre outros, garantindo a sobrevivência das pessoas até a chegada das equipes de resgate. Essa operação pode ser feita de forma manual ou automatizada. Nesta última, os computadores a bordo calculam todos os parâmetros para que qualquer tipo de carga que esteja no interior da aeronave (incluindo volumosos pallets e até mesmo veículos de combate), atinja o solo com a máxima precisão no ponto determinado, independente da altitude. Para fins de capacitação dos novos integrantes do 1º/1º GT, durante o exercício, os lançamentos estão sendo feitos no modo manual, sem a ajuda da eletrônica.

O conjunto de fotos a seguir, mostra como funciona o procedimento. No treinamento  em Florianópolis, a operação é feita junto à pista auxiliar 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. No solo, uma equipe demarca com um sinalizador de fumaça, o local onde a carga deve cair. A aeronave se aproxima, voando a baixa altura (cerca de 300 pés, ou 100 m), com a rampa traseira aberta e em atitude de voo cabrado (levemente inclinada para cima), de forma a facilitar a soltura da carga. O fardo é simulado por uma bombona plástica, presa a um paraquedas e com o tamanho e o peso aproximados do equipamento real. Elas são lançadas uma a uma, de forma a maximizar o treinamento. Em uma situação de salvamento, os fardos poderiam ser liberados em sequência, em uma única passagem. Junto à rampa traseira, existe um dispositivo luminoso que informa aos responsáveis pelo lançamento, o momento exato em que a carga deve deixar a aeronave, de acordo com a sua altitude e velocidade. Importante dizer que essas operações também pode ocorrer no período noturno, nesse caso, com o auxílio de granadas iluminativas presas a paraquedas. A prática constante, a expertise das tripulações da FAB nesse tipo de atividade, aliado à tecnologia, faz com que o índice de sucesso em "bingar o alvo" seja altíssimo.







A aeronave que está sendo empregada no treinamento em Florianópolis é o KC-390 Millennium com a matrícula FAB 2855, um dois dois aviões desse modelo que compõem atualmente a frota do 1ª/1º GT. A outra Unidade Aérea que opera com o Millennium é o 1ª Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), com sede em Anápolis/GO. Até o presente momento, a FAB conta com seis KC-390 em operação, de uma encomenda total de dezenove unidades (veja infográfico mais abaixo). Mesmo com poucos exemplares em serviço, graças à excelência do projeto do avião e ao trabalho zeloso das equipes de manutenção, o índice de disponibilidade é altíssimo. Todos os dias, a qualquer hora, com qualquer tempo, os KC-390 Millennium estão voando pelos quatro cantos do Brasil e até mesmo, mundo afora, cumprindo suas missões. Desde que entrou em serviço com a FAB em 2019, o avião vem se consolidando como uma ferramenta essencial tanto no transporte logístico militar, como em missões de caráter humanitário. Destaca-se a participação durante a pandemia, no transporte de usinas de oxigénio para a região Norte e no transporte de mantimentos, roupas, colchões, médicos e voluntários para o Rio Grande do Sul, em apoio à Operação Taquari 2. Somente nas asas do Esquadrão Gordo, foram aproximadamente duzentas de toneladas de donativos entregues. No exato momento em que você lê esta matéria, o KC-390 está empenhado no combate aos incêndios e queimadas que se alastram pelo país, especialmente na região do Pantanal e no interior paulista.

Os mais atentos irão observar na imagem acima, o Emblema do 1º GTT estampado na fuselagem do FAB 2855. Embora exista uma divisão dos aviões entre os dois Esquadrões, situações que afastem um KC-390 da linha de voo por um longo período, como manutenções programadas, por exemplo, podem resultar no uso compartilhado ou "empréstimo" das aeronaves, de forma a manter a operacionalidade de ambas as Unidades no cumprimento das suas missões.


Projetado e fabricado pela Embraer como um substituto do lendário quadrimotor C-130 Hércules, o KC-390 Millennium é o maior avião militar fabricado no Hemisfério Sul. Juntamente com o caça F-39 Gripen, forma os pilares estratégicos da Força Aérea Brasileira para as próximas décadas. Em comparação ao C-130, além de muito mais moderno, transporta mais carga a maiores distâncias, voando mais alto e mais rápido. É uma aeronave bimotora a jato, de asa alta e cauda em T, preparada para operação em qualquer tipo de pista e equipada com sistemas e aviônicos de última geração. A rampa traseira e as portas laterais, dão acesso a um amplo compartimento interno, capaz de ser configurado rapidamente para diversos tipos de tarefas e cargas, além da capacidade de reabastecer e ser reabastecida em voo. Todas essas funcionalidades vêm chamando a atenção de um crescente número de Forças Aéreas mundo afora, justamente como uma opção ao C-130. Além do Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Coreia do Sul, estão entre os países que já operam ou confirmaram a aquisição de exemplares do KC-390. Outros potenciais compradores vêm demonstrando interesse no avião ou encontram-se no momento, em negociação com a Embraer. Para quem quiser conhecer mais detalhes sobre a aeronave, o site Aviação em Floripa publicou no ano passado, uma extensa matéria sobre o KC-390, que pode ser acessada através do banner abaixo.

Clique sobre a imagem acima, para acessar a matéria.

Vista geral do KC-390 no pátio da Base Aérea de Florianópolis. A altura do chão até o topo da cauda é de 11,84 m, equivalente a um prédio de quatro andares. Esta é a maior aeronave militar fabricada no Hemisfério Sul do planeta, um orgulho para a Indústria Aeronáutica brasileira.


Detalhe da lança, contendo a sonda para reabastecimento em voo.





Desde o final do ano passado, o KC-390 Millennium assumiu integralmente todas as missões no 1º/1º GT. Até aquele momento, as atividades eram divididas com os três C-130M Hércules que ainda restavam em serviço. O Esquadrão Gordo, como o 1º/1º GT também é conhecido, operou com diferentes versões do Hércules durante quase seis décadas ininterruptas, aeronave que é considerada um verdadeiro ícone da aviação mundial e o cargueiro militar mais fabricado e utilizado em todos os tempos. O curioso nome da Unidade Aérea, remonta ao início do período de utilização do C-130 na FAB, em meados da década de 60 e tem sua origem associada ao tamanho avantajado e fuselagem larga do Hércules, características comuns às aeronaves de transporte. Com a passagem do bastão, o KC-390 Millennium herdou não apenas o código-rádio, mas principalmente, a responsabilidade de substituir uma lenda e vem cumprindo a tarefa com louvor. "No Gelo, no Revo, na Busca", o lema do 1º/1º GT sintetiza muito bem o leque de atividades executadas pela Unidade Aérea. Nascido com o caráter multimissão em seu DNA, não poderia haver substituto melhor para o venerável Hércules. Vida longa ao Esquadrão Gordo e ao KC-390 Millennium.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

C-130 Hércules: o fim de uma era

 


Amanhecer de um novo dia. Lentamente o Sol vai surgindo no horizonte e com ele, começa mais um ciclo diário de atividades para a Força Aérea Brasileira, em suas diversas Organizações Militares espalhadas pelo país. Na Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, uma dupla de caças F-5EM Tiger II, inicia os procedimentos para a decolagem. A missão de hoje consiste em um treinamento de Defesa Aérea sobre a região de Furnas, em Minas Gerais. Finalizado o exercício, as aeronaves são reabastecidas em voo por um KC-130 Hércules, garantindo o combustível necessário para seu regresso com segurança. Quase ao mesmo tempo, o serviço de Busca e Salvamento da FAB é acionado para localizar uma embarcação à deriva, em algum ponto distante da costa brasileira. Decolando do Galeão/RJ, sua base de operações, um C-130 parte à procura do pequeno objeto perdido na imensidão do oceano. Após mais de quatro horas de voo, o veleiro é localizado e tem sua posição repassada para um navio da Marinha prestar ajuda aos tripulantes. Apesar de fictícias, as situações que você acabou de ler, ilustram dois exemplos de atividades que eram constantemente desempenhadas por esta lendária e fantástica aeronave chamada "Hércules", um nome mais que apropriado para um avião, assim como o semideus da mitologia grega, capaz de realizar inúmeras tarefas, transportando cargas, lançando paraquedistas, operando no gelo, reabastecendo outras aeronaves em voo, combatendo incêndios, repatriando brasileiros de zonas de conflito, prestando ajuda humanitária, buscando pessoas desaparecidas sobre terra e mar, entre tantas outras.  Do frio antártico ao calor amazônico, durante quase seis décadas, lá estavam os onipresentes quadrimotores, levando progresso, esperança e ajuda, a qualquer hora, em qualquer lugar, a quem precisasse.

O último dia de 2023 marcou a despedida do serviço ativo do C-130 Hércules com a Força Aérea Brasileira, encerrando uma história iniciada em 1964, quando os primeiros exemplares chegaram ao país. Carinhosamente chamado de "Gordo", em uma alusão ao tamanho avantajado e à larga fuselagem do C-130, o nome também foi adotado como código-rádio, pelo Esquadrão que por mais tempo operou a aeronave na FAB. Para homenagear este ícone da Aviação Militar, o site Aviação em Floripa preparou para seus leitores, a presente matéria, na qual vamos mostrar detalhes de sua vida operacional com a Força Aérea Brasileira, as missões, as Unidades Aéreas e diversas outras informações. Boa leitura!

Nota Editorial: Embora fora do serviço operacional desde 31 de dezembro de 2023, uma última oportunidade para se ver o C-130 Hércules voando em céus brasileiros, está marcada para o próximo mês. Comenta-se que uma aeronave deverá realizar um tour de despedida por diversas localidades do território brasileiro, jornada esta que deve ser encerrada com o pouso final na Base Aérea do Galeão, durante a Solenidade comemorativa pelos 71 anos do 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte, criado em 18 de fevereiro de 1953 e o primeiro e último operador do avião na FAB. Na ocasião, será feito o anúncio oficial da desativação do C-130 Hércules.





Quando os Estados Unidos entraram na Guerra da Coreia (1950-53), logo se percebeu que não havia em seu inventário, uma aeronave capaz de transportar equipamentos e tropas por via aérea, em médias distâncias e com rapidez, para as frentes de combate. Para preencher esta necessidade, o Comando Aéreo Tático da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) emitiu uma especificação no início de 1951 para um novo transporte de carga de porte médio. A então Lockheed Aircraft Corporation (atual Lockheed Martin) venceu a competição e foi contratada para produzir dois protótipos, designados como YC-130A, em 2 de julho de 1951. O primeiro voo do novo avião ocorreu em 23 de agosto de 1954, na fábrica da Lockheed em Burbank, Califórnia. Seus quatro motores turboélice permitiam uma excelente performance e a aeronave também provou ser muito mais manobrável do que o esperado, ao mesmo tempo em que atendeu ou superou todos os outros requisitos de desempenho, colocados pela Força Aérea norte-americana.

O protótipo YC-130, durante seu primeiro voo. Foto: Lockheed

Concebido como uma aeronave de transporte tático, a excelência do projeto, a versatilidade e confiabilidade fizeram do Hércules, um dos aviões militares mais famosos e utilizados em todos os tempos, com mais de 70 variantes distintas sendo desenvolvidas ao longo dos anos, cumprindo um variado leque de missões, desde aquelas dedicadas ao transporte logístico, além de outras, destinadas para diversos fins, como Guerra Eletrônica, Reabastecimento em Voo, recuperação de satélites, Busca e Salvamento, combate a incêndios, Apoio de fogo ar-solo, entre tantas outras, comprovando as qualidades da aeronave. Com mais de 2.500 exemplares fabricados, operados por 63 países, o Hércules continua em plena atividade mundo afora, sendo ainda o principal vetor de transporte de muitas Forças Aéreas. Sua linha de montagem continua aberta, sendo o avião militar produzido por mais tempo na história. A variante atualmente fabricada, é o C-130J Super Hércules.

C-130J Super Hércules. Foto: USAF

EC-130 (1); MC-130 (2); KC-130 (3); EC-130 (4); DC-130 (5); LC-130 (6); HC-130 (7); AC-130 (8); MC-130 (9); e C-130 W.2 "Snoopy" (10). Apenas algumas das muitas denominações dadas ao Hércules. Com o passar dos anos, uma diversidade de letras foram adicionadas à frente da designação C-130, cada qual, identificando uma função específica, provando a versatilidade da plataforma para absorver diferentes tarefas.




A história do C-130 Hércules na Força Aérea Brasileira tem sua gênese em meados da década de 60, quando a FAB buscava uma aeronave para substituir seus Douglas C-47 "Dakota" e Fairchild C-82 "Packet", além de complementar a frota de Fairchild C-119 "Flying Boxcar". Os cinco primeiros exemplares chegaram a partir de agosto de 1964, todos da versão C-130E, recebendo as matrículas FAB 2450 a FAB 2454. Estes aviões foram alocados ao 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT), sediado no Galeão/RJ, a partir de fevereiro de 1965. Em 1968, mais três C-130E foram incorporados (Matrículas FAB 2455-57) à mesma Unidade Aérea. No ano seguinte, foram recebidos outros três C-130E, desta vez configurados para cumprir as missões de Busca e Salvamento (SAR), Aerofotogrametria e Reconhecimento Fotográfico. Estes aviões foram designados como SC-130E e entregues ao 1º Esquadrão do 6º Grupo de Aviação, o Esquadrão Carcará, em Recife/PE, ostentando as Matrículas FAB 2458 a FAB 2460. Em relação aos C-130E já utilizados pela FAB, este modelo apresentava uma grande janela de observação na seção dianteira da fuselagem e aberturas no piso para a instalação de câmeras fotográficas.

FAB 2450, o primeiro C-130 recebido pela FAB, visto ainda na fábrica da Lockheed, mostrando o esquema de pintura original. Fonte: imagem pertencente ao livro "Esquadrão Gordo", de Oswaldo Claro Jr.

O FAB 2464 estava entre os primeiros C-130H operados pela FAB, recebidos em meados dos anos 70. Nesta época, o acabamento em alumínio já havia sido substituído pela cor cinza. Fonte: https://www.c-130.net/

Um dos três SC-130E recebidos e operados pelo 1º/6º GAv, sediado em Recife/PE, especialmente configurados para as missões de Busca e Salvamento e Reconhecimento Fotográfico. Fonte: https://www.c-130.net/


Raras imagens do FAB 2456 equipado com o sistema de decolagem auxiliado por foguetes. Fonte: https://brazilairforce.blogspot.com/

Com o objetivo de ampliar a capacidade logística da FAB e repor as perdas operacionais, em meados da década de 70, foram adquiridos mais cinco exemplares, desta vez, da versão C-130H, dotada de uma aviônica mais moderna e motores mais potentes. Este montante compreendeu três modelos da versão básica de transporte (FAB 2463-65) e mais dois KC-130H configurados para a função de Reabastecimento em Voo (REVO), os quais receberam as matrículas FAB 2461 e FAB 2462. A chegada desses aviões permitiu a ativação de uma terceira Unidade Aérea na FAB operadora do modelo, o 2º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte de Tropa (2º/1º GTT), o Esquadrão Cascavel, sediado no Campo dos Afonsos/RJ. 

A década de 80 presenciou a incorporação de uma importante missão a ser desempenhada pelo C-130, a chegada de novos exemplares, além de uma padronização do avião e a reorganização operacional da frota. Em 1983, os Hércules da FAB passaram a ser responsáveis pela logística aérea do Programa Antártico brasileiro (PROANTAR) em apoio à Estação Comandante Ferraz. O primeiro pouso no continente antártico ocorreu em 23 de Agosto do mesmo ano, cabendo ao FAB 2463, a primazia deste feito. Entre 1984 e 86, os treze aviões em operação dos modelos C-130E, SC-130E, C-130H e KC-130H, passaram por melhorias que incluíram a instalação de novos rádios e aviônicos, além do aumento de 500 kg na capacidade de carga, pela redução do peso total da aeronave em outras áreas. O serviço foi realizado nas instalações da Varig Engenharia e Manutenção (VEM), no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre/RS. Em 1987, foram recebidos mais três C-130H (FAB 2466-68) e no ano seguinte, os SC-130E do Esquadrão Carcará foram repassados ao 1º/1º GT, que incorporou assim, a função de Busca e Salvamento às suas atribuições. No final dos anos 90, a FAB contratou a empresa norte-americana Derco Aerospace para converter as cinco células remanescentes de C-130E (FAB 2451, FAB 2453, FAB 2454, FAB 2455 e FAB 2456) para a versão C-130H LOW, visando a padronização da frota. Os trabalhos envolveram a completa atualização da célula, aviônicos e motores para um padrão similar ao C-130H, uniformizando assim, todos os Hércules utilizados pela FAB.

FAB 2461, visto logo após chegar ao Brasil, um dos dois KC-130H empregados na missão de Reabastecimento em Voo. Foto: FAB



A partir do final dos anos 70, a frota passou a receber um padrão de pintura camuflada em tons de verde e marrom. Fonte das fotos: https://www.c-130.net/

Em 2004, o FAB 2466 recebeu uma pintura experimental em verde fosco, permanecendo com este esquema até ser modernizado, quando passou a ostentar a nova camuflagem padrão da FAB. Fonte: https://www.c-130.net/

O advento do novo milênio trouxe novidades para os C-130 Hércules da FAB. A primeira delas veio com o reforço de dez unidades C-130H, ex-Força Aérea italiana. Esses aviões chegaram ao Brasil entre os anos de 2001 e 2002 e apresentavam os padrões de pintura utilizados por aquela arma aérea (na cor cinza ou com a camuflagem padrão OTAN), recebendo aqui as matrículas de FAB 2470 a FAB 2479. Por um certo tempo operaram com estes esquemas de pintura. O outro fato importante, foi a modernização da frota para o padrão C-130M, da qual falaremos mais adiante.

FAB 2476 com o padrão de camuflagem OTAN. Foto: Marco Antônio Silva/JetPhotos

Esquema de pintura na cor cinza. Foto: Leonardo Carvalho/JetPhotos









"Lançar...Suprir...Resgatar!", "No Gelo...No Revo...Na Busca!", duas expressões bastante conhecidas pelos integrantes da Aviação de Transporte da FAB e que sintetizam muito bem, algumas das tarefas desempenhadas pelo C-130 Hércules. Projetado desde o início como um avião de transporte tático, seu compartimento de carga possui mais de 12 metros de comprimento, 3 metros de largura e 2,74 metros de altura, servido por uma rampa e duas portas traseiras nas laterais da fuselagem, com uma capacidade de carga para 19 toneladas. Essas características permitem o transporte de até 92 passageiros, 64 paraquedistas equipados ou 74 macas e equipe médica. Além disso, uma diversidade de modelos de veículos blindados e equipamentos militares também podem ser acomodados a bordo. Durante a pandemia, os C-130 da FAB foram muito utilizados para levar profissionais da saúde, equipamentos e insumos médicos para os mais distantes pontos do país. Muito importante foi a participação no transporte de usinas de oxigênio para cidades do Norte do Brasil, em atendimento aos hospitais e pacientes daquela região, que sofria uma grave crise sanitária pela COVID-19. 

Todas as fotos: FAB

Dentro da Aviação de Transporte da FAB, um dos símbolos mais conhecidos é a seta bipartida apontada para o alto, marca registrada do 1º Esquadrão do 1ª Grupo de Transporte, com as duas partes da flecha representando de forma estilizada, as iniciais do seu operador. Sua origem e uso são quase tão antigos quanto o início da operação com o grande quadrimotor. Seu criador foi o publicitário e designer gráfico Eddie Moyna Silvestre (1934-1984), uruguaio nascido no Chile mas com o coração brasileiro, famoso também por criar várias capas de álbuns de artistas famosos da Bossa Nova, nos anos 60. A ideia por trás do símbolo está intimamente ligada ao transporte logístico e faz ao mesmo tempo, uma alusão a esta atividade e um aviso visual divertido às equipes de manutenção: "Este lado para cima!".A logomarca atravessou o tempo e se manteve presente nas caudas dos C-130 pertencentes à Unidade Aérea. Apenas entre os anos de 2013 a 2018, quando a operação dos Hércules na FAB se manteve compartilhada entre o 1º/1º GT e o 1º GTT, o famoso símbolo se manteve ausente, mas retornou em 2020 para nunca mais deixar seu lugar de destaque. Uma história interessante, contada por antigos integrantes da Unidade Aérea e que demonstra a força da marca, está ligada à participação da FAB em uma missão de ajuda humanitária a países asiáticos durante uma catástrofe natural, lá pelos idos dos anos 60 ou 70. No meio de tantos aviões, de várias nacionalidades, muitos deles também C-130 Hércules, os nossos, eram chamados e individualizados pela expressão "Blue Arrow on the tail", ou, os "Setas Azuis sobre a cauda".

O artista e sua criação, ao fundo. Imagem e informações: Carlos Moyna

Para as missões de Busca e Salvamento (SAR), as duas portas laterais traseiras são substituídas por outras, totalmente envidraçadas. A rampa traseira é utilizada para o lançamento de botes e fardos com kits de sobrevivência. A grande autonomia permite uma longa permanência nas áreas de busca. Durante seu tempo de serviço com a FAB, foram incontáveis missões de busca sobre terra e mar, uma das mais conhecidas, foi o acidente com o voo 447 da Air France, em junho de 2009, considerada a maior operação deste tipo já realizada pela Força Aérea Brasileira, empregando diversos meios aéreos e demandando um enorme trabalho e dedicação das equipes de FAB na localização do Airbus A330 francês. Nos dias que se seguiram ao desaparecimento da aeronave, o C-130 Hércules foi o principal protagonista nas operações de busca em uma extensa área do Oceano Atlântico e sua atuação, juntamente com o esforço empreendido por suas tripulações, tiveram grande destaque na mídia da época.

Nas missões de Busca e Salvamento, a figura do Observador é fundamental. Atenção e experiência são predicados essenciais. Foto: FAB

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A chegada dos dois KC-130H em janeiro de 1976, trouxe uma capacidade inédita para a Força Aérea Brasileira, a possibilidade do Reabastecimento em Voo, atividade conhecida pela expressão "REVO". A partir deste momento, as aeronaves de caça da FAB poderiam ter seu tempo de permanência no ar aumentado de forma significativa, fornecendo uma grande flexibilidade de emprego e de novas estratégias. A primeira operação deste tipo, ocorreu sobre o litoral do Rio de Janeiro, em 4 de maio de 1976, a partir do FAB 2461, comandado pelo Tenente-Coronel Wilson Freitas do Valle (à época, Comandante do 1º GTT) e pelo Capitão Bernardino Adauto de Paiva Neto. Como primeiros clientes, uma dupla de F-5E Tiger II do 1º/1º Grupo de Aviação de Caça, pilotados pelo Comandante da Unidade, Tenente-Coronel Carlos de Almeida Baptista e o Major da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), Clyde L. Johns. A nova missão precisava um código-rádio específico. Dentre as cerca de 40 sugestões, foi eleito o nome "BARÃO", apresentado pelo Capitão Aviador José Maria Ribeiro Mendes. Além de representar um título de nobreza, a  escolha do código recaiu sobre a origem da palavra em latim, baro ou baronis, cujo significado é varão, aquele que é destemido, dotado de grande virilidade e coragem. 

Foto: FAB

A missão de Reabastecimento em Voo permaneceu com o 1º GTT até março de 1986, quando as duas aeronaves KC-130H foram repassadas ao 1º/1º GT, que assumiu assim, a função. Em 2013, com a operação conjunta de toda a frota de Hércules no Galeão, a tarefa retornou ao GTT. Finalmente, com a ida deste para Anápolis, em 2018, novamente a responsabilidade por prover combustível extra para as aeronaves da FAB retornou para o Esquadrão Gordo, permanecendo assim até a desativação das aeronaves. O FAB 2461 encerrou suas atividades em novembro de 2022 e o FAB 2462 prosseguiu em operação até dezembro do ano passado, sendo um dos três últimos Hércules a deixar o serviço ativo. Para a função de Reabastecimento em Voo, o KC-130 transporta em seu compartimento de carga, dois tanques de combustível com capacidade de cerca de 6.800 litros de combustível. Na extremidade de cada asa do avião, existe um dispositivo equipado com uma mangueira e uma cesta estabilizadora, que são estendidos durante a operação. É uma missão que requer muito treinamento e atenção, exigindo uma grande coordenação entre o avião-tanque e as aeronaves que serão reabastecidas. Com o passar do tempo, a FAB passou a contar em sua frota com outros meios aéreos, além dos caças, capazes de serem reabastecidos em voo, incluindo até mesmo helicópteros.

Todas as fotos: FAB

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No começo dos anos 80, o Brasil ingressou no seleto grupo de países a possuir uma base de operações no continente gelado, a Antártida. Desde o início do Programa Antártico Brasileiro, a FAB tomou parte nas ações de transporte de militares, cientistas, materiais e suprimentos para a Estação Comandante Ferraz, complementando o trabalho dos Navios Polares da Marinha do Brasil. Operar e pousar na Antártida não é uma tarefa simples, um local com uma climatologia peculiar, onde as condições de tempo mudam a todo instante e que exigem um alto grau de preparo de toda a tripulação. Para cumprir essa missão, lá estava novamente o C-130. O primeiro pouso aconteceu em 23 de agosto de 1983, com o FAB 2463. Desde então, todos os anos, durante o verão antártico, que vai de outubro a março, são realizados cerca de dez voos, transportando pessoal e diversos tipos de cargas. Nos meses de inverno, quando não é possível o pouso, mesmo assim, a atividade continua, com o lançamento de víveres e equipamentos a partir da rampa traseira da aeronave. 

Um registro histórico! Primeira tripulação e aeronave a pousar na Antártida, em 23 de agosto de 1983. Foto: FAB

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Do gelo para o fogo, a mais recente capacidade incorporada aos C-130 da FAB, foi o combate a incêndios, uma situação que vem se agravando nos últimos anos no Brasil, com as queimadas devastando grandes áreas de florestas ou outros tipos de vegetação. Para isso, é utilizado um equipamento conhecido pela sigla MAFFS (Modular Airborne Fire Fighting System, ou, Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndio, composto por cinco tanques que podem ser abastecidos com água ou retardantes químicos, liberados por dois dutos situados na rampa traseira da aeronave. Desde sua implantação, o equipamento foi utilizado em diversas ocasiões e localidades do Brasil e até mesmo, em outros países da América do Sul. Importante frisar que todas as tarefas e funções desempenhadas pelos C-130 da FAB, a partir de sua retirada de operação, já vinham sendo realizadas pelo seu sucessor, o KC-390 Millennium, assumindo a partir de agora, integralmente, todas as atribuições inerentes à Aviação de Transporte.

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Motivado pelas qualidades e características de emprego citadas nos parágrafos anteriores, em 2003, iniciou-se um grande programa de modernização dos C-130 Hércules da FAB, compreendendo os dez exemplares adquiridos da Itália e, posteriormente, estendido para mais algumas células, padronizando toda a frota O processo ficou a cargo da empresa norte-americana Astronautics Corporation of America, conduzido nas dependências do Parque de Material Aeronáutico do Galeão (PAMA-GL), envolvendo principalmente os sistemas de aviônicos, com a substituição dos mostradores e instrumentos analógicos por uma cabine totalmente digital (conceito chamado de "Glass Cockpit"), dominada por telas multifuncionais. Também houve a adição de lançadores de chaffs/flares, dando capacidade de autodefesa à aeronave, contra mísseis guiados por calor, além da completa revisão estrutural das células. No total, o programa de modernização contemplou dezoito aeronaves, que passaram a ser designadas como C-130M/KC-130M, recebendo ainda uma novo padrão de camuflagem nas cores cinza e verde. O primeiro avião entregue na nova configuração, foi o FAB 2474, recebido em maio de 2005.

Cabine de comando do C-130 modernizado, com destaque para as telas multifunção. Foto: Marcelo Lobo da Silva (arquivo pessoal do autor)

C-130M lançando despistadores, chamados de "flares". Foto: FAB







Em setembro de 2019, a Força Aérea Brasileira recebeu o primeiro KC-390 Millennium. Projetado e fabricado pela Embraer, a entrada em serviço da nova aeronave (considerada um dos pilares estratégicos da FAB e que será a espinha dorsal de sua Aviação de Transporte), iniciou o processo gradativo de desativação dos C-130M Hércules. Coube ao 1° Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), a primazia do emprego com o novo vetor. Nesse sentido, em 2018, a Unidade Aérea foi transferida do Galeão/RJ para Anápolis/GO, sua nova base de operações, já para começar o trabalho de treinamento e adaptação ao KC-390. Assim, o 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT), passou a concentrar toda a frota restante de C-130, ficando com a honra de ser o primeiro e o último operador dos Hércules na FAB, utilizando o grande quadrimotor por 58 anos ininterruptos, de 1965 a 2023. Em março de 2022, duas aeronaves KC-390 Millennium foram integradas ao Esquadrão Gordo, dividindo as tarefas com os C-130 e a partir de agora, assumindo todas as funções. Muito em breve, a FAB receberá o sétimo KC-390, o qual deverá ser alocado à Unidade Aérea. Ao final do processo, o Esquadrão Gordo passará a contar com 12 das 19 unidades do cargueiro, adquiridas pela FAB.


Nos 59 anos de atividade, sete C-130 foram perdidos em acidentes (FAB 2450, FAB 2452, FAB 2455, FAB 2457, FAB 2460, FAB 2468 e FAB 2470). Os aviões com as matrículas FAB 2454 e FAB 2458 não foram selecionados para modernização. O primeiro, até recentemente, era utilizado para treinamentos em solo na Base Aérea do Galeão. Já o segundo, foi leiloado como sucata. Os FAB 2459, FAB 2464, FAB 2465 e FAB 2478, estes modernizados, formam o grupo de quatro C-130 oferecidos em leilão como sucata e cujo destino atual não é conhecido deste Editor, podendo estar estocados na Base Aérea do Galeão ou terem sido desmanchados. Quanto aos demais, quatro encontram-se preservados, sendo três exemplares (FAB 2451, FAB 2456 e FAB 2463), em um Hotel Fazenda localizado no município de Cantagalo/RJ e o outro, o FAB 2453, no Museu Aerospacial (MUSAL), no Rio de Janeiro/RJ. Além destes, em março do ano passado, o FAB 2474 foi arrematado em leilão, porém, a identidade do comprador nem o destino da aeronave, foram divulgados. Os FAB 2466 e FAB 2479 encontram-se atualmente alienados e aguardando uma definição de uso, podendo ser leiloados, virar monumento ou ir para desmanche. Todos os últimos C-130 retirados de operação (matrículas FAB 2461, FAB 2462, FAB 2467, FAB 2471, FAB 2472, FAB 2473, FAB 2475, FAB 2476 e FAB 2477), deverão permanecer estocados no Galeão, aguardando também uma definição de uso.


Como tudo na vida, um dia, para homens ou máquinas, a jornada chega ao fim. Se dessa certeza não há como escapar, o importante acaba sendo o caminho trilhado, as aventuras, o trabalho e a serventia. Nesse sentido, o C-130 teve uma carreira plena, retratada em missões que ficarão eternizadas na história da Aviação Militar brasileira ou em episódios em que foram de fundamental importância para a população brasileira. Difícil alguém que nunca tenha visto o grande quadrimotor turboélice cruzando os céus ou pelo menos não tenha ouvido ou lido a frase "Hércules da FAB" em algum local. Para aqueles que voaram sob suas asas, que o operaram, que foram localizados ou receberam apoio e solidariedade em situações de calamidades e conflitos, dentro e fora do país, certamente o sentimento que fica é a tristeza pela despedida. Para todos os amantes da Aviação Militar, desde já, fica a saudade por não mais ter a oportunidade em ver a sua silhueta característica e ouvir o som inconfundível de seus motores. A partir de agora, o bastão é passado para seu sucessor, o KC-390 Millennium. Tem início um novo tempo, um novo ciclo e novos capítulos na Aviação de Transporte da FAB passarão a ser escritos. Da mesma forma, as tarefas e atribuições continuarão a ser realizadas com a mesma determinação e profissionalismo. Porém, o legado deixado pelo mítico C-130 Hércules, jamais será esquecido.