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terça-feira, 3 de setembro de 2024

Asas lusitanas unindo Europa e Florianópolis

 

Um momento histórico marcou a tarde desta terça-feira, dia 3 de setembro, no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, com a inauguração de mais uma rota internacional para a capital catarinense. Precisamente às 17:23, em voo direto, procedente de Lisboa, pousou o Airbus A330-202 com a matrícula CS-TOO. Quando o grande jato ostentando as tradicionais cores da Companhia Aérea portuguesa tocou a pista do Hercílio Luz, representou a materialização de um sonho que vinha sendo buscado há muito tempo e que, a partir deste momento, tornou-se uma realidade. Uma conquista não apenas para os moradores da capital e região, mas para toda Santa Catarina, ligando o Estado a uma das principais portas de entrada da Europa, o que certamente vai trazer novas possibilidades ao turismo e à economia catarinense. Da mesma forma, quem antes precisava se deslocar a outros aeroportos do país para chegar ao Velho Mundo, agora pode fazer isso diretamente de Florianópolis, com significativa redução no tempo de viagem.


As principais emissoras de TV de Florianópolis enviaram profissionais para cobrir a chegada da TAP à capital catarinense.




Um momento histórico para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, o pouso inaugural da TAP Air Portugal em Florianópolis.

A Tap Air Portugal passou a ser a quinta Companhia Aérea estrangeira a voar de forma direta e regular, durante todo ano para o Aeroporto "cada vez mais" Internacional Hercílio Luz. Antes dela, já operavam voos para a capital catarinense, as chilenas SKY e JetSMART, a argentina Flybondi e a panamenha Copa. Os voos ofertados pela TAP terão três frequências semanais, às terças, quintas e sábados, com partida de Lisboa entre 10:10 e 10:50 (pelo horário local) e chegada a Florianópolis entre 17:15 e 17:55 (Horário de Brasília). No sentido inverso, os voos saem da capital do Estado, entre 19:35 e 20:40 e chegam à Lisboa, entre 9:50 e 10:55 do dia seguinte. A aeronave utilizada nessa ligação é o Airbus A330-200, configurado para transportar 269 passageiros, sendo 244 na classe Económica e 25 na Executiva. A duração do voo é de cerca de 11h. Para marcar o início das operações da TAP em Florianópolis, a Floripa Airport, que administra o Aeroporto Hercílio Luz, organizou junto ao terraço panorâmico, um evento para autoridades, órgãos de imprensa e convidados.







O avião escalado para o voo de estreia a Florianópolis, foi o Airbus A330-202 com a matrícula CS-TOO, batizado com o nome de Fernão de Magalhães, navegador português que se notabilizou por realizar a primeira viagem de circunavegação do globo, entre 1519 e 1522.

Até pouco tempo atrás, a presença da Aviação Comercial internacional em Florianópolis se concentrava durante a alta temporada, entre os meses de dezembro e fevereiro, composta unicamente por voos fretados, chamados de charters, trazendo turistas dos países vizinhos ao Estado. A inauguração do novo e moderno Terminal de Passageiros, incluindo também melhorias na pista de pousos e decolagens, pátios de manobras e infraestrutura do aeroporto como um todo, era o que faltava para atrair novos voos para Santa Catarina, fruto de um trabalho conjunto entre os setores público e privado, em prol do desenvolvimento econômico do Estado. Cabe ressaltar que além dos voos de passageiros, o Aeroporto Hercílio Luz também recebe voos cargueiros regulares procedentes dos Estados Unidos e da Europa. 



Eis o momento mais aguardado por todos, o tradicional batismo com jatos d'água por, utilizado para celebrar momentos marcantes na aviação.

Florianópolis passa a ser, a partir de agora, o décimo segundo destino da TAP no Brasil. A Companhia Aérea foi criada em 1945 e é uma das mais tradicionais da Europa, voando para mais de 80 localidades em mais de 30 países. A frota atual é composta por uma centena de aeronaves, formada por modelos da família Airbus e também pelos jatos brasileiros Embraer 190 e 195. O principal hub de operações é o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O site Aviação em Floripa agradece à Assessoria de Imprensa da Floripa Airport, pela oportunidade em participar do evento e poder registrar as imagens que compõem essa matéria.


segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Exclusivo: Mais uma remessa de caças F-39 Gripen a caminho do Brasil

Agora é oficial! Está em curso mais uma operação de entrega de caças F-39 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB). Em primeira mão e com absoluta exclusividade, o site Aviação em Floripa informa aos seus leitores que no final da manhã desta segunda-feira (2/9), pelo Horário de Brasília, o navio de bandeira holandesa MV "Heerengracht" partiu do porto sueco de Norrköping, revelando o seu destino, a cidade de Navegantes, localizada no litoral norte de Santa Catarina. A partir deste momento, serão cerca de três semanas de navegação, necessárias para vencer os quase 12 mil quilômetros que separam as duas instalações portuárias. De acordo com os sites de monitoramento, a data estimada de chegada a Navegantes está marcada para 23 de setembro.

Momento em que o navio deixava o porto de Norrköping. No destaque, o destino e a data estimada de chegada em Navegantes/SC. Fonte: Marine Traffic

Nota Editorial: Desde o dia 23 de agosto, quando começavam a surgir rumores sobre a chegada de mais um F-39 Gripen para a FAB, o site Aviação em Floripa já vinha monitorando o navio, muito antes da sua atracação no porto de Norrköping. A embarcação chamou a atenção por ter o perfil e a tonelagem similares às outras utilizadas nas operações de entrega, além de pertencer à Companhia de Navegação contratada para três das cinco remessas anteriores. Entretanto, o compromisso com nosso público é pautado em responsabilidade, confiabilidade e qualidade nos conteúdos publicados. Baseado nesses princípios, aguardamos a confirmação do porto de destino, para somente então, divulgar a informação. Nessa matéria, você vai encontrar ainda, uma série de outros detalhes e assuntos complementares a respeito da operação. Boa leitura!


O navio chegou em Norrköping, na Suécia, na tarde de sexta-feira, 30 de agosto (pelo horário local), após ficar 1 semana fundeado próximo ao porto, aguardando o momento para atracar. Fonte da imagem: Marine Traffic

O círculo vermelho marca a posição de atracação do navio e o retângulo vermelho, a localização do Aeroporto de Norrköping. A proximidade entre as duas instalações é fundamental para a operação. Do Aeroporto, o avião é rebocado pelas ruas, até o porto, para então, ser embarcado. Fonte da imagem: Vessel Finder

O navio utilizado para esta operação é o MV (Motor Vessel) "Heerengracht", de bandeira holandesa e pertencente à Companhia de Navegação Spliethoff. A embarcação foi construída em 2009, tem 138 metros de comprimento e 21 metros de boca (largura). A capacidade de transporte é para quase 10 mil toneladas, que podem vir nos porões internos ou sobre o deque. Existem também duas gruas, posicionadas do lado direito (a boreste), para auxiliar na retirada das cargas. Como curiosidade, todos os navios da empresa são batizados com nomes de canais (cursos d'água) holandeses, chamados de "gracht", no idioma local. As características da embarcação são muito semelhantes aos outros navios fretados pela Saab nas remessas anteriores (veja infográfico mais adiante). Esta é a quarta vez que a Spliethoff é contratada para trazer os caças da Suécia até o Brasil. Cabe ressaltar que todas essas operações são exclusivas, ou seja, a bordo vem apenas o avião e os equipamentos de apoio. 

MV Heerengracht. Foto: Marine Traffic

Por enquanto não é possível confirmar a quantidade de caças a bordo (uma ou duas unidades). Porém, tudo indica que, similar à última entrega, seja apenas um exemplar, provavelmente com a matrícula FAB 4108. Recentemente a Saab, fabricante do avião, implementou um refinamento aerodinâmico nas asas e canards do F-39 Gripen, resultando em mudanças no tamanho e formato dos bordos de fuga destas estruturas, visando um melhor desempenho em voo. Muito se especula se a aeronave em transporte está vindo com a novidade, entretanto, como toda a operação é cercada de grande sigilo, somente após a chegada e o desembarque, é que teremos essa comprovação. A princípio, esse avião deverá ser entregue com o modelo anterior de asa, mas ainda é prematuro afirmar isso. Importante dizer que todas as aeronaves que já encontram-se em operação com a FAB, receberão futuramente esses aperfeiçoamentos, padronizando a frota. A expectativa é que os próximos exemplares já saiam da fábrica da Saab em Linköping, com as novas superfícies. A previsão é que outra remessa de caças F-39 Gripen para a FAB ocorra durante o primeiro semestre do ano que vem


Esta é a sexta operação de entrega de caças F-39 Gripen para a FAB. Até o momento, oito aviões encontram-se em território brasileiro, todos da versão F-39E (momoposto), para um tripulante. Um deles, o FAB 4100, o primeiro a ser recebido, em setembro de 2020, é utilizado pela Saab e Embraer, como exemplar de testes e desenvolvimento junto ao Centro de Ensaios em Voo do Gripen, em Gavião Peixoto/SP. Os demais, estão em atividade com o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), em Anápolis/GO, escolhido para ser o primeiro Esquadrão da Força Aérea Brasileira a operar o caça. No total, a FAB adquiriu 36 aeronaves, sendo 28 da versão de assento único e mais 8, para treinamento e conversão operacional, designadas como F-39F, desenvolvida exclusivamente para o Brasil. Essa variante, está sendo produzida integralmente na Suécia. No momento, o protótipo encontra-se em estágio avançado de construção, com seu voo inaugural previsto para o ano que vem. Quanto aos monopostos, 15 deles terão sua montagem e integração finalizados em Gavião Peixoto. O primeiro deles está com os trabalhos bem adiantados, devendo realizar seu roll out e voo inaugural também no próximo ano. Os outros 13 F-39E estão vindo da Suécia por via marítima. Com a chegada deste exemplar agora, restarão ainda mais quatro unidades para serem embarcadas em momento oportuno.


Um segundo lote de caças Gripen está no radar, passível de negociação entre os governos brasileiro e sueco, aproveitando-se de uma cláusula no contrato original, assinado em 2013, que permite um acréscimo de compra em até 25% sobre o valor total da operação, sem a necessidade de um novo acordo (equivalente a cerca de 14 caças adicionais), o que elevaria o total para 50 aviões. Esse novo lote seria integralmente constituído de exemplares monopostos e fabricados no Brasil. Um outro tema que ultimamente tem ganhado as manchetes da mídia especializada e povoado os grupos de discussão de entusiastas por Aviação Militar, é a compra de um segundo modelo de caça para complementar os F-39 Gripen. As poucas aeronaves em operação, a preocupação com atrasos no cronograma de entrega e as incertezas sobre a aquisição de mais unidades do jato sueco, estão no cerne dessa questão, principalmente pela necessidade urgente em substituir a frota de supersônicos F-5M Tiger II e de forma mais imediata, os A-1M, que deverão ser retirados de serviço já no próximo ano. Cabe ressaltar que a contratação de um novo lote de F-39 e a compra de um segundo vetor de combate para a FAB, até o presente momento, encontram-se apenas no campo das especulações, podendo se tornar uma realidade ou não, a médio prazo.

O que é fato e certeiro, é a cobertura que o site Aviação em Floripa, como de costume, fará a respeito da chegada de mais um F-39 Gripen para a FAB. Estivemos presentes em todas as operações de entrega em Navegantes, acompanhando de perto, a chegada do navio, o traslado do avião do porto ao aeroporto, os testes de solo e a decolagem. Dessa vez não será diferente. Desde já, estamos trabalhando em uma matéria especial, com muitas informações, imagens, artes e tabelas exclusivas, que nossos leitores estão acostumados a encontrar aqui no site. Acompanhem em nosso Instagram, @aviacaoemfloripa, atualizações sobre a viagem do navio e de todas as etapas da passagem da aeronave por Navegantes.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

1º/1º GT realiza treinamento em Santa Catarina

 

Até sexta-feira, 30 de agosto, a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está recebendo o Exercício Técnico de Busca e Salvamento (EXETEC SAR), com a presença do 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT), Unidade Aérea da Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira, que tem sua sede na Base Aérea do Galeão/RJ. Uma aeronave KC-390 Millennium e cerca de 40 militares participam da manobra. O objetivo principal do treinamento é a capacitação e requalificação anual das tripulações do Esquadrão, incluindo Pilotos, Mestres de Carga e Observadores Aéreos, em missões de Busca e Salvamento (SAR, do inglês Search And Rescue), uma das muitas atribuições da Aviação de Transporte da FAB. O exercício compreende as atividades de busca sobre áreas marítimas e terrestres, além do lançamento de botes e fardos. O adestramento é fundamental para atuar em situações reais. Recentemente, a Força Aérea Brasileira participou ativamente da chamada Operação Taquari 2, em apoio ao povo gaúcho, atingido pela catástrofe climática sem precedentes que se abateu sobre o Rio Grande do Sul. Entre as muitas ações de destaque, estava o ressuprimento aéreo, realizado em locais sem a possibilidade de pouso de aeronaves. Ali se fizeram presentes os aviões de transporte da FAB, lançando alimentos, medicamentos, água e outros insumos importantes para a sobrevivência das pessoas em terra. Nesse tipo de tarefa, em que o socorro que vem do céu representa a diferença entre vida ou morte, é a precisão no lançamento das cargas que garante o sucesso da missão e isso só é alcançado com muita dedicação e prática. Por este motivo, treinamentos como este que está acontecendo na capital catarinense são tão importantes.

Embora o 1º/1º GT esteja sediado na cidade do Rio de Janeiro, a escolha por Florianópolis para a realização do exercício, está relacionada ao conjunto de cenários encontrados no entorno da Ilha de Santa Catarina e em áreas próximas, distantes a poucos minutos de voo, reunindo as condições perfeitas para a prática das atividades de Busca e Salvamento. Isso propicia uma substancial economia de combustível e maior tempo útil e efetividade nos treinamentos. Além disso, o apoio logístico prestado pela Base Aérea de Florianópolis é de fundamental importância, tanto para as tripulações quanto para a aeronave. Soma-se ainda, o espaço aéreo da capital catarinense, pouco saturado de aeronaves, se comparado com outras regiões do país, garantido fluidez nas operações e aumentando a segurança de voo. 


Todas as fotos: Marcelo Lobo da Silva/Aviação em Floripa

O treinamento consiste na realização de lançamentos de botes e fardos, além de buscas sobre mar e terra. As duas primeiras atividades acontecem, respectivamente, sobre as águas da Baía Sul e junto à pista auxiliar 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. Por sua vez, os voos de busca sobre o mar, são realizados em um espaço previamente delimitado, ao largo da Ilha de Santa Catarina. Já as buscas em terra, acontecem no norte do Estado, próximo às cidades de Jaraguá do Sul e Barra Velha. As ações são executadas a baixa altura (em torno dos 1 mil pés ou menos, cerca de 300 metros), exigindo atenção contínua e destreza por parte da tripulação. Com o foco na Segurança de Voo, exercícios dessa natureza, contam com o apoio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), através da emissão de Notificações Aeronáuticas (NOTAM), informando aos usuários do espaço aéreo na região, sobre a presença da aeronave, além dos locais e altitudes em que a mesma estará operando, durante o período do treinamento. Da mesma forma, as áreas destinadas para as manobras são definidas com antecedência, sendo de conhecimento prévio de todos os aeronavegantes.

A imagem acima mostra uma típica missão que está sendo conduzida pelo KC-390, com o lançamento de botes e fardos em áreas próximas da Base Aérea de Florianópolis e, composta ainda, pela realização de buscas sobre área terrestre, no norte do Estado. Fonte: FlightRadar24.com



Na sequência, de cima para baixo, as áreas utilizadas pela o lançamento de botes, de fardos e para buscas sobre o mar. Fonte: https://aisweb.decea.mil.br/?i=aerodromos&codigo=SBFL#notam

Busca sobre área marítima. Fonte: FlightRadar24.com

Vista geral do compartimento de cargas do KC-390.

Para as missões de Busca e Salvamento, existe uma porta especial com uma grande bolha de observação, permitindo um aumento significativo do campo de visão em torno da aeronave.

Detalhe da bolha de observação.

Visão por dentro da bolha para o campo traseiro.

Visão por dentro da bolha para o campo dianteiro.

A Embraer desenvolveu um engenhoso sistema de troca das portas em pleno voo, no qual a porta padrão (pressurizada) desliza para cima e uma outra, própria para a Busca e Salvamento, é encaixada em seu lugar. Essa funcionalidade, permite que o KC-390 voe em altitude de cruzeiro e somente ao atingir a área de buscas, desça de nível, para então, trocar a porta. Isso resulta em significativa economia de combustível, que pode ser revertida em mais tempo para a missão.

Detalhe do assento do Observador SAR. São dois, localizados em cada uma das portas laterais traseiras. Eles são utilizados especificamente para missões de Busca e Salvamento, juntamente com a porta. Mais à frente na fuselagem, existem duas janelas, que também podem receber assentos, totalizando quatro postos de observação.

Esses são os simulacros de botes que estão sendo usados no treinamento, na foto, dispostos sobre a rampa traseira. O equipamento real é composto por estas cinco peças, sendo dois botes que se inflam em contato com a água, dispostos nas pontas. No meio, vão três kits de sobrevivência, contendo água, alimentos e outros itens, além de um rádio-localizador. No exercício, o interior é preenchido com madeira, simulando o peso real do conjunto. Após serem lançados na Baía Sul, uma equipe recolhe os materiais para uso posterior.

Em ocorrências que envolvem acidentes aeronáuticos, naufrágios, embarcações à deriva, situações de calamidade pública, populações isoladas ou qualquer eventualidade em que não seja possível o pouso de um helicóptero ou avião, a técnica mais utilizada, consiste no lançamento de botes ou fardos, contendo água, alimentos, materiais de primeiros socorros, entre outros, garantindo a sobrevivência das pessoas até a chegada das equipes de resgate. Essa operação pode ser feita de forma manual ou automatizada. Nesta última, os computadores a bordo calculam todos os parâmetros para que qualquer tipo de carga que esteja no interior da aeronave (incluindo volumosos pallets e até mesmo veículos de combate), atinja o solo com a máxima precisão no ponto determinado, independente da altitude. Para fins de capacitação dos novos integrantes do 1º/1º GT, durante o exercício, os lançamentos estão sendo feitos no modo manual, sem a ajuda da eletrônica.

O conjunto de fotos a seguir, mostra como funciona o procedimento. No treinamento  em Florianópolis, a operação é feita junto à pista auxiliar 03/21 do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. No solo, uma equipe demarca com um sinalizador de fumaça, o local onde a carga deve cair. A aeronave se aproxima, voando a baixa altura (cerca de 300 pés, ou 100 m), com a rampa traseira aberta e em atitude de voo cabrado (levemente inclinada para cima), de forma a facilitar a soltura da carga. O fardo é simulado por uma bombona plástica, presa a um paraquedas e com o tamanho e o peso aproximados do equipamento real. Elas são lançadas uma a uma, de forma a maximizar o treinamento. Em uma situação de salvamento, os fardos poderiam ser liberados em sequência, em uma única passagem. Junto à rampa traseira, existe um dispositivo luminoso que informa aos responsáveis pelo lançamento, o momento exato em que a carga deve deixar a aeronave, de acordo com a sua altitude e velocidade. Importante dizer que essas operações também pode ocorrer no período noturno, nesse caso, com o auxílio de granadas iluminativas presas a paraquedas. A prática constante, a expertise das tripulações da FAB nesse tipo de atividade, aliado à tecnologia, faz com que o índice de sucesso em "bingar o alvo" seja altíssimo.







A aeronave que está sendo empregada no treinamento em Florianópolis é o KC-390 Millennium com a matrícula FAB 2855, um dois dois aviões desse modelo que compõem atualmente a frota do 1ª/1º GT. A outra Unidade Aérea que opera com o Millennium é o 1ª Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), com sede em Anápolis/GO. Até o presente momento, a FAB conta com seis KC-390 em operação, de uma encomenda total de dezenove unidades (veja infográfico mais abaixo). Mesmo com poucos exemplares em serviço, graças à excelência do projeto do avião e ao trabalho zeloso das equipes de manutenção, o índice de disponibilidade é altíssimo. Todos os dias, a qualquer hora, com qualquer tempo, os KC-390 Millennium estão voando pelos quatro cantos do Brasil e até mesmo, mundo afora, cumprindo suas missões. Desde que entrou em serviço com a FAB em 2019, o avião vem se consolidando como uma ferramenta essencial tanto no transporte logístico militar, como em missões de caráter humanitário. Destaca-se a participação durante a pandemia, no transporte de usinas de oxigénio para a região Norte e no transporte de mantimentos, roupas, colchões, médicos e voluntários para o Rio Grande do Sul, em apoio à Operação Taquari 2. Somente nas asas do Esquadrão Gordo, foram aproximadamente duzentas de toneladas de donativos entregues. No exato momento em que você lê esta matéria, o KC-390 está empenhado no combate aos incêndios e queimadas que se alastram pelo país, especialmente na região do Pantanal e no interior paulista.

Os mais atentos irão observar na imagem acima, o Emblema do 1º GTT estampado na fuselagem do FAB 2855. Embora exista uma divisão dos aviões entre os dois Esquadrões, situações que afastem um KC-390 da linha de voo por um longo período, como manutenções programadas, por exemplo, podem resultar no uso compartilhado ou "empréstimo" das aeronaves, de forma a manter a operacionalidade de ambas as Unidades no cumprimento das suas missões.


Projetado e fabricado pela Embraer como um substituto do lendário quadrimotor C-130 Hércules, o KC-390 Millennium é o maior avião militar fabricado no Hemisfério Sul. Juntamente com o caça F-39 Gripen, forma os pilares estratégicos da Força Aérea Brasileira para as próximas décadas. Em comparação ao C-130, além de muito mais moderno, transporta mais carga a maiores distâncias, voando mais alto e mais rápido. É uma aeronave bimotora a jato, de asa alta e cauda em T, preparada para operação em qualquer tipo de pista e equipada com sistemas e aviônicos de última geração. A rampa traseira e as portas laterais, dão acesso a um amplo compartimento interno, capaz de ser configurado rapidamente para diversos tipos de tarefas e cargas, além da capacidade de reabastecer e ser reabastecida em voo. Todas essas funcionalidades vêm chamando a atenção de um crescente número de Forças Aéreas mundo afora, justamente como uma opção ao C-130. Além do Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Coreia do Sul, estão entre os países que já operam ou confirmaram a aquisição de exemplares do KC-390. Outros potenciais compradores vêm demonstrando interesse no avião ou encontram-se no momento, em negociação com a Embraer. Para quem quiser conhecer mais detalhes sobre a aeronave, o site Aviação em Floripa publicou no ano passado, uma extensa matéria sobre o KC-390, que pode ser acessada através do banner abaixo.

Clique sobre a imagem acima, para acessar a matéria.

Vista geral do KC-390 no pátio da Base Aérea de Florianópolis. A altura do chão até o topo da cauda é de 11,84 m, equivalente a um prédio de quatro andares. Esta é a maior aeronave militar fabricada no Hemisfério Sul do planeta, um orgulho para a Indústria Aeronáutica brasileira.


Detalhe da lança, contendo a sonda para reabastecimento em voo.





Desde o final do ano passado, o KC-390 Millennium assumiu integralmente todas as missões no 1º/1º GT. Até aquele momento, as atividades eram divididas com os três C-130M Hércules que ainda restavam em serviço. O Esquadrão Gordo, como o 1º/1º GT também é conhecido, operou com diferentes versões do Hércules durante quase seis décadas ininterruptas, aeronave que é considerada um verdadeiro ícone da aviação mundial e o cargueiro militar mais fabricado e utilizado em todos os tempos. O curioso nome da Unidade Aérea, remonta ao início do período de utilização do C-130 na FAB, em meados da década de 60 e tem sua origem associada ao tamanho avantajado e fuselagem larga do Hércules, características comuns às aeronaves de transporte. Com a passagem do bastão, o KC-390 Millennium herdou não apenas o código-rádio, mas principalmente, a responsabilidade de substituir uma lenda e vem cumprindo a tarefa com louvor. "No Gelo, no Revo, na Busca", o lema do 1º/1º GT sintetiza muito bem o leque de atividades executadas pela Unidade Aérea. Nascido com o caráter multimissão em seu DNA, não poderia haver substituto melhor para o venerável Hércules. Vida longa ao Esquadrão Gordo e ao KC-390 Millennium.